Sunday, August 12, 2007

Augusto Boal é um homem fabuloso.




Augusto Boal é um homem fabuloso. Ele disse justamente aquilo que por muito tempo eu queria dizer e fazer, mas não sabia o que era, Por quê? Porque no teatro, assim como em todos os setores de comunicação, vivemos idéias alienantes, estamos realizando determinado trabalho e não sabemos nem mesmo porque; não questionamos se é aquilo que desejamos e pudemos questionar?. Aí aparece um carinha para ajudar interpretar determinado texto, todos fingem que entendem, aquela interpretação tosca, superficial e vazia. “Mas não ?...” dizem eles, “...estamos falando de algo sério, nosso teatro é crítico.” Ninguém, contudo, pará para perguntar: para quem é este teatro ? para que serve ? que público vai atingir ? vai ter repercussão? Pouca importa. Eles foram pagos por esse hipócrita sistema político-capitalista, que apenas desejam uma peça que projete o nome de sua empresa; nada que ofenda, nada que faça pensar, nada de grandes emulações sociais, e o pior nada de grande mudanças pessoais, nem para o espectador, muito menos para o ator. É o teatro de fantoche com carne e osso. E quem é o operador dessses bonecos, certamente que é a “mão-invisível”, tinha que ser invisível, assim não podemos cortá-la.
Então, eu nos meus afazeres cotidianos, deparo-me com “Auguto Boal exilado”. Quem é Augusto Boal ?Mas por que exilado ? Depois eu digo, o interessante é a sua vida, a sua obra, o seu projeto, ou melhor, o projeto dos outros, daquele que não tem voz, sem canais para se expressar como ser humano. A “mão-invisível” não é dele, sendo ele próprio invisível como ser humano. O que esse homem faz é o Teatro do Oprimido, “método conscientizador adotado já em setenta países mas ignorado neste Brasil”, detetor de uma línguagem, sem ideologias ou grandes mensagens milagrosas, não procuram interpretar a realidade, mas procura mostrá-la. Não teria como melhor exemplificar, descrevendo um trecho da entrevista dada a revista Caros Amigos, que me sensibilizou para um história tão simples sem perder a sinceridade e profundidade, vamos a ela: Oprimido é que em toda relação devia ter diálogo.(...)Mas todo diálogo se converte em monólogo(...). Então, quando você é despossuído do direito de falar, do direito de ter sua personalidade, do direito de ser, isso é oprimido. Ano passado, a gente tinha vários grupos, e eu vivo dizendo que eles são teatro mesmo que não façam teatro, porque ser teatro é trazer em você o ator. Porque você age, então você é um ator.(...) Aí, um dia, eles chegaram para mim e disseram: “Escuta, você vive falando pra gente que a gente faz teatro, que a gente é teatro, mas a gente só representa na rua, no Aterro do Flamengo, e nunca dentro de um teatro. Então vamos fazer dentro de um teatro.” Eles insistiram tanto, então vamos fazer. O pessoal de favela, empregadas domésticas, grupos em geral, Temáticos ou de comunidade. Eles queriam que a pessoa, mesmo que não tivesse dinheiro, fosse na bilheteria pegar o ingresso. Cumprir o ritual. (...). No domingo, último dia, as empregadas domésticas se apresentaram. Um sucesso, todo mundo gostou e tal, vieram me dizer que uma delas estava chorando.(...) Então ela me contou uma coisa maravilhosa. Falou que era empregada doméstica. E, como empregada doméstica, era ensinada a ser invísivel.(...) A comida é feita na cozinha, a comida vem pra mesa, os pratos vão embora, são lavados, quem é que fez? A empregada invisível, quer dizer, ela não existe. E ela tem que ser muda e surda porque, se num jantar tem pessoas conversando, ela não pode dizer: “Não, não concordo com você. Eu acho que...”. Então ela disse: ...fiquei muito emocionada, porque na platéia estava a família, para quem eu trabalho, no escuro. Me vendo e me ouvindo... foi a primeira vez que eles viram meu corpo, ouviram a minha voz e entederam o que eu penso...” (...) “...quando voltei pro camarim olhei para o espelho e vi pela primeira vez uma mulher...antes eu olhava e via uma empregada doméstica”.
Comovente. Boal conclui da seguinte forma: “ ‘Mas Boal, ele transforma o mundo?’ Não; mas o fato de permitir que uma pessoa se olhe no espelho e veja uma mulher, um homem, cada um veja a si mesmo, isso já é um avanço extraordinário”. Augusto Boal, um filho de padeiro, que se formou em química, e escolheu o teatro como filosofia de vida, profissão, meio de sobrevivência físico-emocional. Que não quer falar, fazer nenhuma interpretação tosca, mas quer deixar que os outros falem. É isso que eu quero, estou feliz, esse é o caminho. Ah ! Por que é exilado? José Arbex Jr. Pergunta: “Você menciona o fato de que o teatro é conhecido em setenta países, lota os teatros estrangeiros, o centro de cultura francesa, etc., e no Brasil encontra essa coisa refratária ao teu método. Você se sente exilado dentro do Brasil ?”. Ele responde singelamente: “Ë isso mesmo”.

Entrevista com Freud








Construímos abaixo (eu e Sumaia) uma suposta “entrevista” com Freud no primeiro ano de graduação. Buscando nos seus textos, sobretudo Totem e Tabu, as possíveis respostas ipsis litteris. Queremos, ou melhor, já que estamos falando de Freud, desejamos elucidar os temas que consideramos mais importantes e esclarecer algumas idéias básicas.

Sigmund Freud, o senhor como pai da psicanálise, popularizou-se pelas suas idéias revolucionárias sobre o mecanismo psíquico, dividindo e ao mesmo tempo relacionando em dois processos: consciente e inconsciente. Sendo este último um dos motivos da polêmica da sua teori. Sem querer adentrar nas questões que movimenta esse mecanismo que seria a libido. Mas quero particularmente pergunta sobre a consciência. A consciência do tabu é a forma mais remota em que o fenômeno da consciência é encontrado?
– “Sim, porque o que é consciência? Segundo as provas da linguagem, ela está relacionada com aquilo de que se está ‘consciente com mais certeza’. Na verdade, em algumas línguas, as palavras para designar ‘consciência’ (no sentido moral, conscience, N. do Trad.) e ‘consciência’ (no sentido de percepção do que se passa em nós ou ao redor de nós, consciousness, N.do Trad.) mal podem ser distinguidas. A consciência (conscience, N. do Trad.) é a percepção interna da rejeição de um determinado desejo a influir dentro de nós. A ênfase, contudo, é dada ao fato de esta rejeição não precisar apelar para nada mais em busca de apoio, de achar-se inteiramente ‘certa de si própria’. Isto é ainda mais claro no caso da consciência de culpa – a percepção da condenação interna de um ato pelo qual realizamos um determinado desejo. Apresentar qualquer razão para isto pareceria supérfluo: quem quer que tenha uma consciência deve sentir dentro de si a justificação pela condenação, sentir a autocensura pelo ato que foi realizado. Essa mesma característica pode ser observada na atitude do selvagem para com o tabu. Trata-se de uma ordem emitida pela consciência ; qualquer violação dela produz um temível senso de culpa que vem como coisa natural e do qual a origem é desconhecida.”
Então cada um, pelo que eu entendo, tem sua prórpia lógica interna para admitir a culpa. Mas a consciência de culpa tem uma justificativa ?
– “Tem uma justificativa se levarmos em consideração os pensamentos inconscientes e não os atos intencionais.”
Trazendo essas idéias para contemporaneidade, como a consciência de culpa se manisfesta nos pacientes neuróticos ?
– “Vê-se que a onipotência de pensamento, a supervalorização dos processos mentais em comparação com a realidade, desempenha um papel irrestrito na vida emocional dos pacientes neuróticos e em tudo que dela se deriva. Se um deles submeter-se ao tratamento psicanalítico, que torna consciente o que nele era inconsciente, será incapaz de acreditar que os pensamentos são livres e constantemente terá medo de expressar desejos malignos, como se sua expressão conduzisse inevitavelmente à sua realização.”
Então poderíamos dizer que o desejo se manisfesta na construção do aparelho psíquico?
– “Todo e qualquer ato psíquico é a expressão final da realização do desejo.“
A ambivalência parece ser um ato recorrente nos impulsos psíquicos, segundo a leitura que nós fazemos do seu material, o Senhor, até mesmo considerou que “os impulsos dos povos primitivos fossem caracterizados por uma quantidade maior de ambivalência que a que se pode encontrar no homem moderno”. A pergunta se dirige na relação entre ambivalência e consciência de culpa, tanto no tabu como na neurose obsessiva ?
“Dessa maneira parece provável que também a consciência tenha surgido, numa base de ambivalência emocional, de relações humanas bastante especifícas, às quais essa ambivalência estava ligada e que surgiu sob as condições que demonstramos se aplicarem ao caso do tabu e da neurose obsessiva, a saber: que um dos sentimentos opostos envolvidos seja inconsciente e mantido sob pressão pela dominação compulsiva do outro. Esta conclusão é apoiada por várias coisas que aprendemos da análise das neuroses.”
O Senhor disse a pouco instante que o desejo é representado por qualquer ato psíquico, nesse caso, o sonho é comparado ao pensamento no sentido de que ambos constituem representações?
“Fecham-se os olhos e se alucina, abrem-se e se pensa em palavras.” (risos)
Os primitivos desenvolveram um sistema, o qual no seu próprio texto denomina de animista, cujo seres espirituais são atribuidos a todos os seres animados e inanimados, e como técnica de controle utilizaram a magia e a feitiçaria. Qual a relação que podemos fazer com o desejo, já que todo ato psíquico é a expressão final da realização de um desejo? Comente também da possível relação com o comportamnto infantil.
“Não é de se supor que os homens foram inspirados a criar seu primeiro sistema do universo por pura curiosidade especulativa. A necessidade prática de controlar o mundo que os rodeava deve ter desempenhado seu papel. Assim, não ficamos suspresos em descobrir que, de mãos dadas com o sistema animista, existia um conjunto de instruções a respeito de como obter domínio sobre os homens, os animais e as coisas – ou melhor, sobre os seus espíritos. É fácil perceber os motivos que conduziram os homens a praticar a magia: são os desejos humanos. Tudo o que precisamos admitir é que o homem primitivo tinha uma crença imensa no poder de seus desejos. A razão básica por que o que ele começa a fazer por meios mágicos vem acontecer é, em última análise, simplesmente que o deseja. De início portanto, a ênfase é colocada apenas no seu desejo.
As crianças se encontram numa situação psíquica análoga, embora sua eficiência motora não esteja ainda desenvolvida. Já expus em outra oportunidade a hipótese de que, primeiramente, elas satisfazem seu desejo de maneira alucinatória, isto é, criam uma situação satisfatória por meio de excitações centrífugas dos órgãos sensoriais. Um homem adulto primitivo tem à sua disposição um método alternativo. Seus desejos são acompanhados de um impulso motor, a vontade, que está destinado, mais tarde, a alterar toda a face da terra para satisfazer seus desejos.”
Menenes, no livro Fábrica de Deuses, realiza uma leitura do seu texto Totem e Tabu e constata, na palavra do autor, o seguinte: “...o totem não possibilita um registro relevante, a nível psíquico, das experiências nas quais a sua presença se verifica. É como se Freud estivesse dizendo que sem o totem, o mesmo conjunto de representações estaria registrado. Em outros termos: ele seria prescindível nas vivências humanas”. Continua a ele a se questionar: “ Em que sentido o tabu teria primazia em relação ao totem, se é que tem? Estaria Freud sendo arbitrário no tratamento dos dois fenômenos culturais?”. Como o senhor aborda essas questões no seu livro para provocar tantos questionamentos?
“Ver-se-á que os dois principais temas dos quais o título deste livro se origina – os totens e os tabus – não receberam o mesmo tratamento. A análise dos tabus é apresentado como um esforço seguro e exaustivo para a solução do problema. A investigação sobre o totemismo não faz mais que declarar que ‘isso é o que a pscinálise pode, no momento, oferecer para a elucidação do problema totem’. A diferença está ligada ao fato de que os tabus ainda existem entre nós. Embora expressos sob uma forma negativa e dirigidos a um outro objeto, não diferem, em sua natureza psicológica, do ‘imprativo categórico’ de Kant, que opera de uma maneira compulsiva e rejeita quaisquer motivos conscientes. O totemismo, pelo contrário, é algo estranho aos nossos sentimentos contemporâneos -–uma instrução social-religiosa que foi há muito tempo relegada como realidade e substituída por formas mais novas. Deixou atrás de si apenas levíssimos vestígios nas religiões, maneiras e costumes dos povos civilizados da atualidade. Os progressos sociais e técnicos da história humana afetaram os tabus muito menos que os totens.”
Menezes, o autor citado do Fábrica de Deuses, lançou a seguinte pergunta para um grupo de estudantes: O que o desjo individual possue de tão forte para receber um proibição tão severa? Repasso essa pergunta para o Senhor.
“Os dois tabus do totemismo com que a moralidade humana teve o seu começo não estão psicologicamente no memso nível. O primeiro deles, a lei que protege o animal totêmico, fundamenta-se inteiramente em motivos emocionais: o pai fora realmente eliminado e, em nenhum sentido real, o ato podia ser desfeito. Mas a Segunda norma, a proibição do incesto, tem também uma poderosa base prática. Os desejos sexuais (individuais, sobretudo) não unem os homens, mas os dividem. Embora os irmãos se tivessem reunindo em grupo para derrotar o pai, todos eram rivais uns dos outros em realação às mulheres. Cada um quereria, como o pai, ter todas as mulheres para si. A nova organização terminaria numa luta de todos contra todos, pois nenhum deles tinha força tão predominante a ponto de ser capaz de assumir o lugar do pai com êxito. Assim, os irmãos não tiveram outra alternativa, se queriam viver juntos – talvez somente depois de terem passado por muitas crises perigosas - , do que instituir lei contra o incesto, pelo qual todos, de igual modo, renunciavam as mulheres que desejavam e que tinham sido o motivo principal para se livrarem do pai. Dessa maneira, salvaram a organização que os tornara fortes – e que pode ter-se baseado em sentimentos e atos homossexuais, originados durante o período da expulsão da horda.” (grifo nosso)
Agradeço sua paciência para conosco. Sei que muitas perguntas ainda faltam para ser respondidas e perguntadas. Solicitamos aos leitores desta entrevista que recorram ao livro do estimado entrevistado para possíveis e recorrentes dúvidas.

Noção de Corpo e Alma em Diderot

TEMA: A NOÇÃO DE CORPO E ALMA EM DENIS DIDEROT.
APRESENTAÇÃO DO TEMA
O presente trabalho se propõe a realizar uma investigação do pensamento de Denis Diderot, particularmente da relação existente entre o corpo e alma. A pretensão é analisar os liames que norteiam esses conceitos, abordando a complexa proposta diderotiana de conhecimento, política, ética, estética, sob cujos eixos o autor debate a relação. Questões importantes foram colocadas por Diderot no campo do conhecimento e do humanismo ligadas à filosofia materialista. Como aproximar a filosofia, com todos os seus rigores, a uma “massa” não preparada para determinado assunto? Como transformar a filosofia de um instrumento para o povo, para um instrumento do povo?
Diderot realiza uma reflexão considerando a totalidade do corpo, propondo o novo olhar sobre a matéria, experiência e o conhecimento. O corpo, em toda sua complexidade, é o fundamento do materialismo diderotiano; é nele que se realiza seu ideal, também, político: da educação para as massas.
O corpo passa a ser a medida do homem. As idéias mais puramente intelectuais, diz Diderot, assim como a metafísica e moral, dependem muito de perto da conformação do corpo (DIDEROT, 2000a:p.103). Ora, Diderot realiza uma inversão que vem acrescentar aos debates, sem cometer reducionismo teórico. Uma teoria fundada no corpo, mas sem antes a devida complexidade e crítica cética.
Os limites impostos ao corpo, seja pela condição física ou moral, irão estabelecer o olhar deste sobre o mundo ou o seu próprio silêncio. O limite do corpo é o silêncio da alma. Estamos numa época que os corpos funcionam como máquina de destruição, instrumento de fútil prazer, beleza anorexica ou metrificada, desta forma retomar o pensamento de Diderot nos ajuda a questionarmos sob um sentido revigorante e saudável desta relação corpo/alma.
As psicologias se debatem sobre este tema, ou recorrem às explicações estritamente ambientais e fisiológicas, colocando o corpo como uma massa amorfa receptiva a toda e qualquer reforçamento; ou entendendo as pessoas conforme teorias estritamente mentalistas. Os tecnoburocratas da psicologia pouco permitem a generosa postura de olhar para os sujeitos e não para as suas teorias. Diderot contribuiria no sentido de colocá-los na condição de vulnerabilidade do saber, permitindo que as pessoas percebam o corpo em movimento, assim como as idéias, pois aí está a alma.
3. JUSTIFICATIVA
Pode-se dizer que Diderot foi um homem do seu tempo com idéias inovadoras para os novos tempos; como bem o afirma Guinsburg: o “Espírito das Luzes”. Sua influência remete a filosofia materialista de fundamentos fisiológicos. Vale salientar que dentro deste postulado, a proposta de uma filosofia universal se estabelece aquilatando uma crítica social. Observa-se, por exemplo, que o conceito de gênero – considerado importante para as ciências humanas e sociais da atualidade – foi profundamente abordado por Diderot como uma crítica à sociedade francesa. Se num momento propõe uma discussão do corpo físico masculino e feminino, no outro torna irrelevante esta diferença. A discussão dar-se-á na importância do corpo feminino para o mundo social, político, cognitivo e a construção da subjetividade da mulher.
Diderot anunciava os discursos da fenomenologia, vejamos um fragmento de Merleau-Ponty: “...Um corpo percipiente que vejo é também uma certa ausência, escavada e preparada atrás dele por seu comportamento. E, no entanto, a própria ausência está enraizada na presença; aos meus olhos, a alma do outro é alma graças ao seu corpo...” (MERLEAU-PONTY1 apud NOVAES, 1988:p.14). Novaes defende que Merleau-Ponty faz lembrar Epicuro, mas é no Iluminismo que tecem os pontos entre os Antigos, a Renascença e os Modernos; Diderot foi uma excelência neste sentido.
Filósofo de pensamento complexo, confunde os seus críticos, o considerando materialista ateu, ou deísta (ROMANO, 1996:p.50). Era um filósofo da incerteza, e nisso estão suas próprias palavras, “não há nenhum cético, dado que, à exceção das questões matemática, que não comportam a menor incerteza, há pró e contra em todas as outras” (DIDEROT, 2000b:p.162).
A educação coercitiva e autoritária direcionavam as crianças para o “aprendizado da civilidade”, o “disciplinar as almas por meio da coerção exercida sobre o corpo e impor à coletividade das crianças uma mesma norma de comportamento sociável” (REVEL, 1991:p.176)2. Sobre essas imposições de autovigília se vivia na França do século XVIII, já tinha passado pela turbulência do Renascentismo do século XVII, e dele tirou-se lições e guardou as influências. A mobilidade das classes sociais, o surto demográfico, a acumulação de capital, a revolução bancária e tecnológica, o desenvolvimento industrial foram fatores que favoreceram a Revolução Intelectual do século XVII e XVIII (GUINSBURG, 2000:pp.62-63). O racionalismo em chamas aquecia as fogueiras intelectuais, o mecanicismo e o método indutivo imperavam nas mentes dos grandes gênios da época. Com Newton – afirmando que as leis físicas são invariáveis a todo o universo – e John Locke – rejeitando a doutrina cartesiana das idéias inatas e afirmando que todo conhecimento humano deriva da percepção sensorial, ou seja, da experiência – é que se funda o Iluminismo, apesar de sua inspiração filosófica ser atribuída aos racionalistas: Descartes, Espinosa e Hobbes.
Este é o berço de Diderot, filósofo que não flutuava no mundo da metafísica, ou flutuava em todos os mundos, absorvia-os para exercer a crítica filosófica. Preocupado e atento à utilidade do conhecimento realizou reflexões morais, sociais, políticas, estéticas, com uma linguagem extremamente cativante, comovente e alegre; justifica-se inúmeras vezes que a “linguagem poética”, assim considerada pelo próprio filósofo, é pela insatisfação da comum sisudez dos filósofos e adequação aos menos letrados. O seu desejo era uma filosofia para a “massa”.
Diderot tinha como guia orientador filosófico a questão da utilidade. A pergunta que os menos letrados normalmente fazem diante de um saber – para que serve? – já deveria ser colocada no problema filosófico. Era indispensável associar o entendimento à experiência e esta ao instrumento, mostrando sua relevância útil para as pessoas comuns. Para o homem comum, a experiência física - logo o contato entre instrumento e corpo – se mostra indispensável como estratégia de popularização da filosofia (DIDEROT, 1989:p.40).
Na obra Da interpretação da natureza, o iluminista expõe de forma muita clara que alguns têm muitos “instrumentos e poucas idéias; os outros, muitas idéias e nenhum instrumento” (DIDEROT, 1989:p.30). A procura é pelo equilíbrio entre a idéia e a prática, para isso institui três meios como método de pesquisa: observação da natureza, a reflexão e a experiência. Tais caminhos permitiriam tornar o conhecimento útil e acessível. O caráter racional crítico de sua epistemologia estabeleceria um modo de pensar a ciência. Não há uma completa rejeição da metafísica, mas intenta relacionar a metafísica à experiência humana, um precursor a tratar da objetividade para o conhecimento humano. Diderot corporifica a idéia.
Muito mais que uma vulgarização da filosofia, desenvolve um sistema de pensamento. Recolhe os fatos (observação), os combina (reflexão), e verifica o resultado (experiência), com esta tornaria possível ao povo “respeitar a filosofia” (DIDEROT, 1989:p.40). A experiência é a prova das conseqüências e dos efeitos enquanto utilidade, mais que uma busca causal. O que se pretendia é entender a utilidade da filosofia e aplicá-la.
Para Diderot o sábio não deveria se entregar a certas reflexões demasiadas abstratas, o sábio é aquele que se dedica “às pesquisas relativas ao seu bem-estar” (DIDEROT, 1989:p.84). E bem-estar é o alvo do corpo e da alma, levados pela flecha do útil e do agradável. Contudo o prazer (o agradável) não se restringirá ao corpo, mas também a alma. Aqui se estabelece um paradoxo ou uma resolução do dilema dualista, pois a alma indissociada do corpo, só pode sentir os prazeres enquanto corpo: pelos sentidos que conserva uma momentânea sensação ou pela memória que ressoa a sensação a ponto de entregá-la ao entendimento. A memória, em Diderot, é o atributo da existência e da consciência de si, com suas características fisiológicas.
Vejamos como, no Diálogo entre D´Alembert e Diderot (2000), está relação indistinta - corpo/alma - é explicada. Inicialmente se estabelece um marco e uma crítica ao pensamento cartesiano, no que se refere à distinção entre o corpo e a alma. O corpo para Diderot definitivamente não é máquina desprovida de alma, mas não cabe questionar as qualidades desta, pois é um elemento imperceptível, “precipitais em um abismo de mistérios, contradições e absurdos” (DIDEROT, 2000b:p.159). O que garante a presença da alma é a observação e comparação das matérias, algumas contêm a sensibilidade inerte, e outras a sensibilidade ativa. A primeira uma força morta, mas com energia potencial; a outra uma força ativa que garante movimento e calor a matéria. A matéria que contém alma possui características próprias, entre elas a sensibilidade ativa, uma força que se distingue da força inerte que só é possível com o movimento da matéria por pressão.
Matéria e sensibilidade são completamente compatíveis e indivisíveis. O todo é constituindo de pequenas partes que possuem as mesmas características, mantendo-se agregadas pela lei da continuidade, a matéria se uniria pela simpatia, unidade e identidade geral: “Convinde a divisão é incompatível com a essência das formas porque ela as destrói” (DIDEROT,2000b:p.160). Compreendemos que não cabe separá-los para considerar suas essências, se assim for, deixarão de ser alma e corpo, enquanto sensibilidade ativa, para serem outra coisa. Não cabe pensar suas essências, mas se são essenciais enquanto permanecem juntas.
Mas o ser sensível ainda não é o ser pensante. O ser pensante é possibilidade de “consciência de ter sido ele”, um ser sensível que retoma sua história, problematiza sua existência. Para isso, necessita da memória de suas ações. A atenção do enciclopedista não se centra exclusivamente no pensamento como fato distinto da matéria, nem no sentido, mas na memória como condição sine qua non do pensar e do existir. Voltemos a dar peso às coisas, a memória não se constitui sem os sentidos e sem os movimentos orgânicos. Um gênio se tornaria um estúpido sem os seus sentidos e memória (DIDERTO, 2000b:p.206). O filosofo sempre retoma a condição material, a orgânica, mas sem privilégios; sem reduzir uma coisa a outra. A condição material dá substancialidade ao pensamento abstrato, que não passam de signos da linguagem, não existem idéias abstratas se não da experiência, afirma Diderot:
(...)Quando, após uma longa combinação de signos, pedis um exemplo, não exigis de quem fala outra coisa exceto que dê corpo, forma, realidade, idéia ao rumor sucessivo de seus acentos, aplicando a isso sensações experimentadas. (DIDEROT, 2000c:p.208).
No Sonho de D´Alembert (2000) apresenta-se três personagens que demonstram a coerência metodológica proposta na obra Da interpretação da natureza (1989). A primeira, a figura do filósofo, que exercita a reflexão manifesta em sonho. O sonho é um elemento importante na obra de Diderot, a verdade se oferece em imagens, de forma caótica, mas repleta de energia. A figura do médico, que pontua com as observações empíricas necessárias, trazendo a reflexão filosófica à utilidade, estabelecendo ou tentando estabelecer uma ordem material. Por último, a Senhorita de L´Espinasse - o senso-comum -, fica confusa, porém curiosa com a relação entre a filosofia e a medicina, então exclama: “...posso pois assegurar agora à terra inteira que não há nenhuma diferença entre um médico que vela e um filósofo que sonha...” (DIDEROT, 2000: p.169). Também poderíamos entender: “posso pois assegurar agora à terra inteira que não há nenhuma diferença entre a ordem e o caos”. O saber se constitui enquanto experiência do corpo, “sensações experimentadas”, e para este deve servir. Dito de outra forma, é o nosso corpo e o nosso sentido que tentam atribuir ordem as coisas.
Analisemos agora sobre o foco de dois romances a condição indistinta do corpo e da alma. É neste estilo que o acento recai sobre a alma, mas o corpo nunca deixa de ser uma referência. Na obra Jóias indiscretas (s/d) é sobre o corpo que se estabelece o controle, mas é alma que assume as conseqüências, as mulheres são desprovidas de seus desejos, subjetividade e expressões. Ele não considera o corpo da mulher como um elemento insignificante e prestativo, mas sim, a mulher reconquistando, retomando o próprio corpo e desejo. Da mesma forma, na obra A Religiosa, o corpo da pobre Simonin é submetido a tanto sofrimento pela madre superiora que lhe foi retirado toda possibilidade de revolta. Enfim, quis por fim a sua vida, acabar com o seu padecimento, mas não foi possível, controlavam também a sua alma. Simonin desistiu no momento que percebeu que a sua morte era esperada e facilitada, “...na verdade, eu só vivia porque me desejavam a morte...” (DIDEROT, 1980:p.73). O seu corpo não reagia mais diante das experiências perversas as quais era imposto, nem mesmo de por fim aos seus padecimentos; por sua vez, a sua alma tinha apenas uma única revolta: manter-se viva enquanto a desejassem morta. Diderot se preocupa em fornecer à mulher a liberdade sobre o seu corpo, seja na condição de “libertina” ou para exercer a vocação celibatária. O respeito pelo limite do corpo do outro e a liberdade mostram-se fundamentais na ética diderotiana.
É o resgate da memória feminina, nestas obras, que se pretende estabelecer a “seqüência interrompida” na consciência. Como já dito, a memória é um aspecto fundamental da existência.
Poderíeis dizer-me o que é a existência de um ser sensível, em relação a si próprio? É a consciência de ter sido ele, desde o primeiro instante de sua reflexão até o momento presente. E no que se baseia essa consciência? Na memória de suas ações. E sem essa memória? Sem essa memória ele não existiria, pois, sentindo a sua existência apenas no momento da impressão, não teria história alguma de sua vida. Sua vida seria uma seqüência interrompida de sensações que nada ligaria. (DIDEROT, 2000: p.156)
A sensibilidade e a memória são duas condições físicas indispensáveis para constituir o ser inteligível. Toda sensação, dentro ou fora, atravessa a fibra nervosa e nela tem que permanecer como uma condição do ser inteligível. Do movimento do corpo que se percebe a alma, do corpo presente que se percebe a ausência. No capítulo XXIX das Jóias indiscretas, Diderot se dedica a falar sobre as almas. O título “Metafísica de Mizorza”, já é um gracejo do filósofo, que falará da alma apontando para o corpo. Mizorza oferecendo seriedade ao momento - apresentar uma lição de filosofia - coloca as vestes pretas, achando estar vestida de um filósofo, “quando na verdade estava fantasiada de morcego” (DIDEROT, s/d :p.149), mais uma zombaria para criticar a sisudez filosófica.
Neste capítulo Mizorza descreverá o percurso ou as moradias da alma – substância diferente do corpo. A alma transita pelo corpo de acordo com a importância e relevância para o ser humano. A cabeça não seria moradia exclusiva da alma, a não ser àqueles que dela fazem excessivo uso; Diderot dedica um certo desprezo por estes, “chamamos estes de homens duros, ingratos, velhacos e cruéis” (DIDEROT, s/d:p.155). O ser humano é o uso que faz do seu corpo, dito de oura forma, a parte que a alma habita:
(...) Ela anda, ela viaja, deixa um lugar, volta e deixa-o novamente. O que sustento é que os demais membros são sempre subordinados àquele em que habita. Isto varia com a idade, temperamento, conjunturas. Daí nascem a diferença dos gostos e a diversidade de inclinações e de caracteres. (DIDEROT,s/d:p;154)
A metafísica de Mizorza submete a alma a uma ordem biológica, fisiológica, fácil de constatar que é uma oposição a metafísica dualista, da res cogitans e da res extensa como substância independentes uma da outra. Contudo, não é uma brincadeira de imagens, como defende Matos (1996:p.235); é como no sonho que no lugar da palavra oferece imagens, uma outra forma de linguagem para dizer a mesma verdade. Na tentativa de desqualificar a metafísica exposta, Selim – personagem de pouca importância - apela para o ideal da natureza descrita pelos sábios. Mizorza, completamente tomada pela sua lição de filosofia, expressa:
(...) Deixemos para lá os sábios e suas sentenças bombásticas – (...). – Quanto à natureza, consideremo-la apenas com os olhos da experiência. Aprenderemos, assim, que ela colocou a alma no corpo do homem, como num grande palácio; de que ela nem sempre ocupa o mais belo aposento. (DIDEROT, s/d: p.155)
Na relação com a política, Diderot entendia que o Estado controlava diretamente o corpo do indivíduo, com o uso da moral e das leis, e aplicava punições legais para que pudesse ter um efeito moral sobre o corpo social. Isso é demonstrado no Suplemento à Viagem de Boungainville, quando relata o caso de uma mãe solteira que foi julgada publicamente na Inglaterra. Para superar tais condições o filósofo entedia que a razão era um instrumento para superar os obstáculos impostos pela lei e religião. Treinar os sentidos para que pudessem perceber o Estado da sua condição de invisibilidade, tudo observa, mas não é observado. Assim como na obra Jóias indiscretas, na qual o anel, fornecido pelo Gênio Cucufá, permitiu poder de invisibilidade e transporte, deslocando Mangogul – a figura do Estado - para os lugares que assim desejava. A curiosidade sobre o corpo não se esgota no sexo, mas na revelação das bijous (do corpo) sobre situações que interessavam ao Estado, como na legitimidade de um pedido de pensão encaminhado ao Estado ou para apurar o delito de estupro regido sobre severas leis.
Por fim, acreditamos a quem tenta se dedicar a Diderot, teria que se permitir está entrega ao seu modo de pensar; se não vão ser como sábios de “sentenças bombásticas”, onde tudo enxergam símbolos que falam de outras coisas, enquanto as imagens oferecidas falam por si próprias. Com isso, nossa maior pretensão neste trabalho de investigação, é analisar a complexidade da relação corpo e alma, seu dinamismo, seus problemas como fundamentais para se pensar a subjetividade do homem. “Diderot, que, entre os pensadores do século XVIII, possui sem dúvida o faro mais aguçado para todos os movimentos e transformações do seu tempo, observa que o século parece ter atingido um ponto particularmente crítico” (CASSIRER, 1994:p.109) Se por um lado expõe o corpo/alma como força motriz do subjetividade humana, essa força é manifestada, limitada e ganha forma na sociedade. Fora do social é uma força difusa e sem expressão, no seu aspecto mais animal de repetição de ciclos, sem poder criativo.
4. ABORDAGEM METODOLÓGICA
No decorrer do presente projeto, é imperativo aprofundar determinados aspectos teóricos vinculados com a temática central do mesmo. O caminho metodológico estará baseado fundamentalmente numa pesquisa bibliográfica operacionalizado pelo método lógico-dedutivo.
Algumas dificuldades se apresentaram ao estudar um autor como uma linguagem irônica, vulgar, debochada, poética, sempre passível de risco. Satírico por excelência. Com o intuito de reduzir os riscos serão inevitáveis comparações constantes e incansáveis dos comentadores especialistas do autor. As obras completas de Diderot serão estudadas, por entendermos que não é momento de criarmos prévias seleções, até porque seu pensamento não se encontra plenamente sistematizado por temas. Contudo vai ser necessário um estudo cuidadoso sobre estilo de escrita, dado importante, que pode cifradamente oferecer muitas respostas e evitar muitos enganos. À moda do garimpo, buscar-se-á peneirar, isolar os elementos que enriquecem o debate sobre a relação corpo e alma no autor.


7. REFERÊNCIAS
BADIOU, Alain. O ser e o evento. Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, Editora UFRJ, 1996.
CASSIRER, Ernst. A filosofia do Iluminismo. Tradução Álvaro Cabral. 2 ed. Campinas, São Paulo: Editora da UNICAMP, 1994.
CHOUILLET, J. Diderot poète de l´Energie. Paris, PUF, 1984.
DECARTES, René. Discurso sobre o método. Tradução Maria Ermantina Galvão G.Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
DEPRUN, J. “Diderot devant l´idealisme”. Revue Internationale de Philosophie, 148-149, fasc. 1-2, 1984.
DELON, M. L´idée d´énergie au tournant des lumiéres. Paris: PUF, 1988.
DIDEROT, Denis. Jóias indiscretas. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Global Editora.
_______________. Cartas sobre os cegos. In: DIDEROT: Obras I, Filosofia e Política. Org. J.Guinsburg. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000a.
_______________. Diálogo entre D’Alembert e Diderot (1769). In: DIDEROT: Obras I, Filosofia e Política. Org. J.Guinsburg. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000b.
______________. O sonho de D’Alembert (1769). In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) DIDEROT: Obras I, Filosofia e Política. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000c.
______________. Continuação do diálogo (1769). In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) DIDEROT: Obras I, Filosofia e Política. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000d.
______________. Suplemento à viagem de Boungainvillet (1772). In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) A Filosofia de Diderot. São Paulo: Ed.Cultrix, 1966.
______________. Parodoxo sobre o comediante (1773). In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) A Filosofia de Diderot. São Paulo: Ed.Cultrix, 1966.
______________. Dos autores e dos críticos. In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) A Filosofia de Diderot. São Paulo: Ed.Cultrix, 1966.
_____________. A Religiosa (1760). Tradução Antônio Bulhões e Miécio Tati. São Paulo: Ed. Victor Civita, 1980.
_____________. Discurso sobre a poesia dramática. Tradução L.F.Franklin de Matos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.
____________. Da interpretação da natureza e outros escritos. Tradução Magnólia Costa Santos. São Paulo: Editora Iluminuras, 1989.
___________. Jacques, o fatalista. Tradução de Antônio Bulhões e Miécio Tati . São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1962.
___________. O sobrinho de Rameau. Tradução de Antônio Bulhões e Miécio TAti. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1962.
FIGUEIREDO, Luís Cláudio. Matrizes do Pensamento Psicológico. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.
FOUCAULT, Michael. História da Sexualidade I, A vontade de saber, tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.
GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) A Filosofia de Diderot. São Paulo: Ed.Cultrix, 1966.
____________ .Diderot: Obras I, Filosofia e Política. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000.
HEIDBREDER, Edna. Psicologias do Século XX. Tradução de Lauro S.Blandy. 5ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1981.
HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA, 3: da Renascença ao Século das Luzes/ Coleção dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby; tradução Hildergard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
JAUSS, H.R. Le neveu de Rameau. dialogue et dialectique (ou, Diderot lecteur de Sócrates et Hegel lecteur de Diderot). Revue de Metaphysique et de Morale, 89, 1984.
LEBRUN, Gérard. Sombra e luz em Platão. In: O Olhar. Org.Adauto Novaes e al. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
MATOS, Luiz F. Franklin de. Livre gozo e livre exame – ensaio sobre Les bijous indiscrets de Diderot. In: NOVAES, Adauto (Org.) Libertinos Libertários. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
NOVAES, Adauto. De olhos vendados. In: NOVAES, Adauto (org.) O Olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
PLATÃO. A república.Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.
ROMANO, Roberto. Corpo e Cristal: Marx romântico. Rio de Janeiro: Guanabara, 1985.
_______________. Lux in tenebris: meditações sobre filosofia e cultura. Campinas: Editora da UNICAMP;São Paulo: Cortez, 1987.
_______________. Silêncio e ruído: a sátira em Denis Diderot. Campinas-SP:Editora da UNICAMP, 1996.
_______________. Diderot à porta da caverna platônica: sonhos, delírios e figuras da razão. In: GUINSBURG, J. (Org. e Trad.) DIDEROT: Obras I, Filosofia e Política. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000.
ROUANET, Sérgio Paulo. O olhar iluminista. In: NOVAES, Adauto (org.). O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
_______________. Mal-estar na modernidade: ensaios. São Paulo: Cia das Letras, 1993.
SEZNEC, J. Essais sur Diderot et l´antiquité. Oxford, Clarendon Press, 1975.

Comportamento PSI

Um homem entra num restaurante e vê uma mulher muito bonita sozinha numa mesa. Ele se aproxima e pergunta: - Estou vendo você sozinha nessa mesa. Posso sentar-me e fazer-lhe companhia???? Escandalizada a mulher berra: - Seu mal-educado !!!! Trepar comigo ???? Você acha que eu sou o quê??? O restaurante todo ouviu. O rapaz, não sabendo onde pôr a cara tenta consertar: - Eu só queria lhe fazer companhia, mais nada. - E você insiste !!!! Atrevido !!!! O rapaz sai de fininho, e vai sentar-se no outro canto do restaurante, cabisbaixo. Depois de alguns minutos, a mulher se levanta e vai até a mesa dele e diz: - Me desculpe pela forma como eu o tratei. É que sou psicóloga e estou estudando as reações das pessoas em situações inusitadas. - E o homem berra: - MIL REAIS??????? VOCÊ ESTÁ LOUCA!!!!!!! NENHUMA PUTA VALE ISSO!!!!!!

O projeto de Diderot que nunca se realizou


TEMA: A influência do pensamento de Diderot para as psicologias.
APRESENTAÇÃO DO TEMA
O presente trabalho se propõe a realizar uma investigação do pensamento de Denis Diderot que, independente do rótulo empirista-materialista, influenciou a psicologia moderna. A pretensão é analisar os liames da filosofia experimental iluminista que influenciou a ciência psicológica; abordando, especificamente, a complexa proposta diderotiana de conhecimento, subjetividade, corpo/alma, explicação fisiologista sobre o comportamento humano. Questões importantes foram colocadas por Diderot no campo do conhecimento e do humanismo ligadas à filosofia materialista. O autor realiza uma reflexão considerando a totalidade do corpo, propondo o novo olhar sobre a matéria, experiência e o conhecimento. O corpo, em toda sua complexidade, é o fundamento do materialismo diderotiano; é nele que se realiza seu ideal, também, político: da educação para as massas.
Foram as linhas filosóficas, sobretudo empírica, que definiram a metodologia psicológica; portanto, para entender a prática em psicologia é necessário reconhecer as matrizes filosóficas. Diderot é fundamental para esta investigação, pois seu pensamento incessante e impetuoso, não se acomodava aos resultados obtidos e a filosofia da época, propondo modificações importantes, que o levavam do materialismo ao panpsiquismo dinâmico ou vive-versa (CASSIRER, 1994:p.107). Contribuindo, assim, no sentido de colocar a psicologia na condição de vulnerabilidade do saber, ao mesmo tempo, riqueza reflexiva; permitindo que as pessoas percebam o corpo em movimento, assim como as idéias. Sejam nas raízes experimentais do Behaviorismo, no pansexualismo freudiano, o estudo da percepção gestáltica, na realidade pessoal da psicologia humanista, encontra-se o germe diderotiano.

Livre reflexões de alguma peça de Nelson Rodrigues

Este texto foi uma leiitura psicanalítica de algumas peças de Nelson Rodrigues, realizada por Martuscello. Não posso dizer que é a melhor ou pior, mas é uma tentativa, prefiro ver Nelson através dos arquétipos, mas vamos ao que o autor disse:

Cap. 2 A Mulher gosta de apanhar
O autor introduz com a introdução de um novo conceito: Falo sob a perspectiva feminina.
- A mãe “faz” com o filho um tipo de interação psicológica em que ele fica significando para ela aquele que a completa e a preenche totalmente e que lhe dá a sensação de que nada falta.
- Lacan (um dos teóricos mais importantes da psicanálise), nesse momento o bebê passa a ser o falo que falta à mãe e esta se sente a mãe fálica por possuí-lo. É a então famosa frase de Freud “a mulher tem inveja do pênis”. Ora, mas o que vem a ser o FALO.
- Lacan dirá "o Falo não é representável". A interpretação tem como ponto de partida o complexo de édipo e a variação de seus tempos em função de como os personagens ficam situados em relação ao falo.
1º momento – o menino é o falo da mãe sem o saber. A mãe fálica.
2º momento – a mãe e o filho deixam de ser e ter o falo, e passa a ser o pai.
3º momento – o falo fica inserido na cultura e além de qualquer pessoa.

Este pai, este interdito do amor anterior mãe-filho, se instaura no inconsciente e passa a representar a lei interditante. Pai simbólico que fez a defusão do amor materno e instaurou o filho na cultura, pois o menino já introjetado a lei interditante aceitará as regras da sociedade e o que ela regulamenta. Ele obedece aquilo que é social.
Não precisa existir um pai real, são representações simbólicas.
Quando isso não acontece, o que ocorre? A mulher permanece sendo a mãe fálica, que exclui o homem como falo e, logo, exclui o falo como localizado na instância cultural que a submete. Então o falo vai ser sempre o filho. Não necessariamente, qualquer coisa que complete o sentido de lhe garantir plenitude e auto-suficiência narcisica equivalente à que ela obtém na relação com o filho.
Quanto menos a mulher aceite a inclusão do homem em sua relação com objeto tornado falo, tem que haver uma presença muito mais marcante do pai real para se tornar pai simbólico. A insistência da mulher neste processo de mulher fálica obviamente exlclui o homem, retira o seu falo. Isto obriga a exercer com força ou violência o pai interditor para recuperar seu poder de falo (não é incomum mulheres que apanham do marido sustentarem a família). Só que isto não justifica e nem explica todas as possibilidades psicológicas e sociais de violência a mulher.

Dorotéia
Em Dorotéia, Martuscello considera o jarro pelo sentimento de culpa de Dorotéia. Alguém saberia responder por que um jarro é sentimento de culpa, está no texto. O autor defende que o jarro é símbolo fálico, porque seria uma forma de perseguidor que lembra seu passado sexual. Na época que eu vi a peça de Roberto Salles, não entendia a presença de um ator nu. Tem muitas sutilezas do texto, em formas de imagem, que o ego não consegue captar. A interpretação que fiz, e que é uma das possibilidades para explorar a imagem é que o jarro representava o útero, a sexualidade, o feminino negado, pois negando o homem, estaria negando a si própria como mulher. Então, interpretações que se completam, naquela idéia dos pares de opostos. Se colocasse uma mulher nua, ou seja o extremo oposto, representaria a mesma idéia inicial de Roberto, de homem nu.
As mulheres de Dorotéia são obcecadas pelo sexo. O antagonismo desejo/irrupções está presente em todas, levando a satisfação sexual a fazer irrupções inesperadas e imprevisíveis.

Leituras arquetípicas
O nome das Dores (referência Nossa Senhora das Dores – que é a dor da separação do filho, Jesus. Não permitir a separação com o filho, ou colocar sob a condição fálica é do que estamos tratando). De forma muito sutil ele coloca laico o que é sagrado, ele transforma em alma aquilo que é espírito. Ele faz uma inversão de extrema importância psicológica, você não alcança o pico sem passar pelo vale de almas, ou você não alcança o lado espiritual sem prestar atenção as dores da alma, é o que Nelson de forma intuitiva realiza do início ao fim de sua obra.
Dorotéia e as viúvas são mulheres martirizadas pela culpa trazida pelo sexo, a punição e o castigo são o destino inexorável. O super-ego feroz, que impõe as leis da sociedade, não recua diante de nada. A morte do filho representou um aviso. Este suposto aviso proveio da exigência do super-ego, que a fez perceber que deveria sair daquele tipo de vida e se submeter a uma série de infortúnios para ingressar na família. A mulher acatando o rigor super-egóico e submetendo voluntariamente à repressão. O sentimento moral de culpa e de necessidade expiatória é comum a mulher no funcionamento emocional. Na peça Dorotéia não tem homem batendo, isso é interessante, mas ela própria engendra a punição. Exigências que mulher saia da sua condição narcísica ou fálica. Nelson coloca Dorotéia falando: “...sou tão linda que, sozinha num quarto, seria amante de mim mesma...”, narcisismo feminino, excluindo o homem. O importante para a mulher na peça não é o amor pelo homem, é a posse do falo como objeto de prazer. O homem é invisível e representando apenas o pênis através das botas. Ela deseja o falo, mas se repreende com o martírio do corpo, muitas vezes isso ocorre com o encontro com homens agressivos.

A Função do auto-conhecimento em Rousseau

Rousseau é festejado na filosofia como um pensador da política e da moral, e longos discursos surgem desta temática, na qual apresentam a doutrina do genebrino seguindo a fórmula da “natureza do governo”, a “natureza do corpo social”, a “origem do mal”, etc.. Não se esgota o esforço filosófico para pôr e contrapor os argumentos de Rousseau dentro de uma possível explicação da ordem social e política. Contudo, outras características iluministas podem ser exploradas em Rousseau, sem necessariamente, negar os projetos políticos. O que cautelosamente incluo no discurso rousseauniano é um enfoque que, inicialmente, chamo de ideal de auto-conhecimento.
A inspiração para este enfoque numa obra tão vasta, e numa leitura que nos seduz pela linguagem, apresenta-se logo no início da obra Emílio – “Tudo está bem quando saí das mãos do autor das coisas, tudo degenera entre às mãos do homem” (Emílio, p. 7). Como bem disse Cassirer (1994): “Deus é desculpado e a responsabilidade dos males cabe unicamente aos homens (...) A teória ético-política de Rousseau situa a responsabilidade num lugar onde, até então, ninguém imaginara sequer procurá-la”. Contudo, não é aceitável a conclusão de Casirrer ao negar a responsabilidade ao homem individual, e imputá-la a “sociedade humana”. Atribuindo uma abstração social que não é comum em Rousseau. A sociedade formar-se-á a partir da oposição de interesses particulares, e o acordo destes interesses no que é possível; ou seja, a vontade geral surge da comunhão de interesses particulares. Atribuir a sociedade, aquilo que é responsabilidade do homem, é retirar o peso que é devido ao indivíduo na condução dos seus sentimentos e pensamentos. Além disso, Rousseau explicitamente atribui uma relação entre homem e sociedade, e não cabe reduzir um ao outro, “é preciso estudar a sociedade pelos homens, e os homens pela sociedade; quem quiser tratar separadamente a política e a moral nada entenderá de nenhuma das duas” (Emílio, p.325). Contudo, o primeiro homem a ser fruto de observação é a si próprio, considera a sociedade ou o outro, como responsáveis pelos problemas do grupo, é evitar solução práticas e desviar do alvo.
O autoconhecimento, neste trabalho, será tomado em duplo sentido: na dicotomia entre razão e consciência. O primeiro destes sentidos é o conhecimento do homem, tendo a razão como um instrumento de aquisição de verdade sobre si próprio e sua relação com o meio e com o outro. Do ser que se questiona do lugar que ocupará na sociedade, pois este julgamento irá marcar o seu caráter através da prevalência de “paixões doces ou cruéis” (Emilio, p.324). Poderia dizer que o autoconhecimento do homem na sociedade dá-se através da razão, na capacidade do homem tem de distinguir, comparar e julgar. Anterior a este estar no mundo, é preciso tomar o autoconhecimento como um retorno aos sentimentos mais íntimos e inatos, condição só possível através da consciência. Como bem poetiza Rousseau uma voz interna capaz de ouvir no fundo do coração do homem os desígnios divinos. Retorno ao sentimento interior será capaz de determinar o estado de natureza ou o homem essencial como bem explica Guéroult1:
“¿Como determinar esse estado de naturaleza u hombre essencial? Dirigiéndose al sentimiento interior no adulterado, descartando todo lo adventício e perverso que há podido intoducir la vida social, escuchando la zvoz de la pura conciencia, que es la voz misma de la naturazela” (p.149)
e
O autoconhecimento permite um equilíbrio entre o sentimento e a razão, enquanto faculdades indispensáveis para o homem civil. Percebe-se que o autoconhecimento, sociedade, religião e ciência não estão dissociados na filosofia de Rousseau, cabe então estudá-los profundamente e suas relações. Rousseau não se restringe ao sensualismo do século XVIII, tal como Hume. Aproxima-se muito mais de Condillac que “insiste na simplicidade da natureza da alma, onde se deve procurar, (...) o verdadeiro sujeito da consciência” (Cassirer, 1994). Não se restringe, mas não deixa de ter o espírito sensualista da época, côo revela o excerto abaixo:
“Com tudo o que entra no entendimento humano vem pelos sentidos, a primeira razão do homem é uma razão sensitiva; é ela que serve de base para a razão intelectual: nossos primeiros mestres de filosofia são nossos pés, nossas mãos, nossos olhos” (Emílio, p.148)
Rousseau, filósofo estrangeiro, revela sobre seus pares e sobre si: “ Aí estão, estrangeiros, desconhecidos, nulos em definitivo para mim, porque assim eles o querem. Mas eu, separado deles e de tudo, Quem sou? Isto é o que me falta descobrir” (Premiére promenade, p.1). É como existisse um ser além da vida moral, e revela logo adiante “O hábito de entrar em mim próprio, me fez perder o sentimento e quase a lembrança do mal, aprendi ainda pela minha própria experiência que a fonte da felicidade está em nós” (Seconde promenade, p.5). Lévi-Strauss abordou este “quem sou?” como um “Eu” epistemológico no qual Rousseau expressa que existe um outro de que se pensa em mim, e que me faz duvidar em primeiro lugar de que sou eu o que pensa. Esta tarefa só é possível, pois as respostas a esta pergunta não seria tão somente do cogito cartesiano, mas do ser que se sente. Assim expresso no Emílio: “Para nós, existir é sentir; nossa sensibilidade é incontestavelmente anterior à nossa inteligência, e tivemos sentimentos antes de ter idéias” (Emílio, p.410). Rousseau torna o “eu” tão certo de si, objeto estranho, não familiar, passível, como qualquer outro objeto, de pesquisa.
Um sujeito que foi moldado dentro de certas estruturas de educação e sociedade não poderia estar tão certo de si, já que o processo de aprendizagem foi alvo de severas críticas por Rousseau. Além das questões já apresentadas, propõe um conhecimento ou reflexão do processo educativo; que em última análise, considerando os homens prontos, já formados pelo sistema, seria uma crítica do próprio aprendizado. O que é educar? Para que? E para quem? Questionando os modelos de aprendizagem, que seria questionar a nós próprios enquanto pessoas constituídas de modelos viciosos.
A razão em Rousseau distingue o bem, mas não é capaz de amá-lo. Só a voz interior ou a consciência é capaz de tal ato; e não tem outro meio, é preciso voltar para dentro de si, “quanto mais me consulto, mais leio estas palavras escritas em minha alma: Sê justo e serás feliz”. Mas de que forma poderia relacionar a justiça que teria comigo mesmo, a justiça que poderia ter com um outro? Ser justo comigo, é diferente de ser justo com o outro. Aquilo que pressuponho justiça para mim, pode não ser para o outro. De que forma Rousseau resolve estas questões no seu processo de autoconhecimento. O sentimento de justiça é um determinante social ou é um sentimento intermediado pela piedade?

do corpo físico ao corpo moral - Rousseau

Emílio ou da Educação
Ensaio do corpo físico ao corpo moral.
Livro I
Rousseau expõe que a entrada do homem na sociedade, ou se afastar do estado da natureza, sem uma proposta educativa é lançá-lo a própria sorte. A sociedade teria um aspecto antropofágico, “as instituições sociais em que estamos submersos abafariam nele a natureza, e nada poriam em seu lugar” (Livro I, p.7), que estaria mais de acordo aos interesses pessoais do que aos coletivos. Torna-se claro desde o início uma crítica a inserção do homem na sociedade e uma proposta de educação com alvo na criança, mas almejando acertar o homem e o cidadão – “Tudo o que não temos ao nascer e de que precisamos quando grandes nos é dado pela educação”(I, p.9).
A sociedade no pensamento de Rousseau é levada despida da sua arrogância até ao homem, e nada mais é do que uma criação do homem, e a este deve os acertos e erros; de tanto olhar aquele corpo nu, percebemos o que estava diante de nós foi um espelho. A sociedade, assim vista por Rousseau, não é um elemento, uma coisa ou uma personificação em disputa com o homem; empenha-se o filósofo em demarcar a condição social intrinsecamente presa à condição humana. E para isso ele vai à molécula originária deste corpo social: a criança.
Se em Emílio pretende-se uma utopia, acaba por enfatizar o quão difícil é educar uma criança no sentido de ser dona de si. Não há ingenuidade no pensamento de Rousseau, coloca com muita clareza os percalços da educação e declara – “Tudo o que podemos fazer à custa de esforços é nos aproximar mais ou menos do alvo, mas é preciso sorte para atingi-lo” (I, p.9). Desta forma, há três tipos de educação, da natureza ou dos homens ou das coisas. A educação da natureza é o desenvolvimento interno de nossas faculdades e de nossos órgãos, que segundo Rousseau, não depende de nós. A dos homens o uso que nos ensinam a fazer desse desenvolvimento, a única que somos senhores. A das coisas, aquisição de nossa própria experiência sobre os objetos que nos afetam, depende de nós em alguns aspectos.
O alvo a que se refere Rousseau é o mesmo da natureza, e a qual deve se dirigir as outras duas. Quanto mais afasta os homens dos hábitos sociais, mas descobre em sua essência e unidade. As instituições sociais fragmentam este homem, e o transferem para uma unidade comum, ele se percebe agora como parte de uma unidade. O que Rousseau coloca em questão é o sentido da subjetividade, do eu tão presente no estado de natureza, e agora imperceptível agora no corpo social. Mais uma crítica as formas de relações sociais que descaracterizam o indivíduo a favor do coletivo. É revelada a problemática entre educar um homem ou um cidadão, aparentemente em plena oposição. Se a essência, o homem absoluto encontrava-se na natureza, este se perdeu na ordem civil, não há espaço para os dois. Quem assim insistir, não será nada. Rousseau expõe que o caminha da educação proposta não será social, o seu ensino estará preparando para a vida humana. Qualquer cargo social aos olhos de Emílio seria ocupado sem distinção, preconceitos ou hierarquias, nota-se que a educação que se pretende independe da condição ou status social, dando-lhe um caráter universal, e optando por uma das oposições, é preciso educar o homem antes do cidadão. “Viver é ofício que quero ensinar-lhe (...) Ao sair de minhas mãos, concordo que não será nem magistrado, nem soldado, nem padre; será homem, em primeiro lugar.” (I, p.15). E qual o intento destes esforços, se a sociedade mudasse, não mudasse o homem junto, ou suas disposições naturais do bom e justo. Rousseau é um grande defensor da moral diante dos vícios éticos e um dos primeiros pensadores a entender que educação se dá mais pelo exercício do que pelas teorias.
Contrário do que possa se imaginar a busca desde homem em si, não é uma educação egoísta, fechada e impenetrável ao mundo. Porém, preparar esta criança para as adversidades da vida, para “as mobilidades das coisas humanas”, e não como se nunca tivesse de sair do seu quarto, diz Rousseau (I, p.16). Ou seja, o fim último da educação do homem serão o cidadão. Para isso, é preciso ensiná-lo a se conservar enquanto homem, e tomar o sentimento de existência: agindo, fazendo uso dos seus órgãos, sentidos e faculdades. Este sentimento se perdeu na sociedade pois impede o homem de expressão, de mobilidade, de opinião, e isto é expresso de forma muita poética, na criança que ao nascer é envolta em panos e bandagens, “não lhe permitem mudar de opinião” (I,.p.17). De forma extremamente habilidosa Rousseau expressa os componentes filosóficos e educativos ao mesmo tempo; a crítica a sociedade no processo de desnaturação e perda de subjetividade e um novo modelo tendo como guia o natural, e o primeiro estágio de aplicação do seu método, passa pelo corpo, este que está em contato com a natureza, os órgãos, os sentidos.
O corpo que entra em contato com os objetos, e ele que se exercita no mundo. Impedir o desenvolvimento natural do corpo,é impedir o desenvolvimetno natural do homem. Rousseau mostra-se espetacular ao demonstrar que é sobre o corpo que recai os primeiros moldes da educação social, que para perspectiva do filósofo basta retirar os obstáculos que o impede desenvolver e entregá-lo ao maior de todos os mestres – a natureza.

Sobre Rousseau...livre pensamento e resumo

1. A Dor Moral
A criança nesta fase é a que se comunica através da fala. Apresenta, assim, no início algumas considerações sobre o termo infância, e justifica seu uso posterior, respeitando a convenção da sociedade. Rousseau apresenta a importância da linguagem como contenção das expressões mais naturais, como o grito e o choro. Um importante aspecto pôde ser deduzido desta relação entra linguagem verbal e não-verbal. A fala como uma substituta da expressão motora, transição que Rousseau reconhece como progresso natural, se assim não proceder, é por deficiência da relação entre o cuidador e a criança. A transição da linguagem corporal a verbal se faz necessária, pois evitará mimos provenientes de um convívio social. “Se a criança for delicada, sensível, e naturalmente se puser a gritar por nada, dando gritos inúteis e sem conseqüência, logo secarei essa fonte” (Livro II, p.69). O que Rousseau coloca em questão é o choro como instrumento de socialização ou comunicação, no primeiro momento, mas já com o recurso da fala, o choro passa a ser vícios sociais, deixando de ser uma expressão natural de dor ou necessidade.
A expressão de dor de uma criança é percebida menos pelas condições físicas ou o machucado “do que o medo que atormenta quando nos ferimos” (II, p.70). Rousseau não pretende fazer um tratado médico sobre o conceito de dor, mas sim, justificá-la como instrumento de aprendizado para o indivíduo transitar para uma vida social. A criança suportando as dores leves, que são a do corpo, aprendera a suporta as grandes, que são as da alma. E assim estabelece o primeiro ensinamento “sofrer é a primeira coisa que ele deverá aprender, e a que ele terá maior necessidade de saber” (II, p.70). Vivemos numa sociedade que ser feliz, ter sucesso e ser o melhor são nossos primeiros ensinamentos, e esquecem que para alcançar todos estes, precisamos aprender a sofrer. Dito de forma mais sutil, ampliar nossos limites de frustração. A lógica de Rousseau está ancorada que quanto menos sofrimento mais próximo da felicidade, mas para menos sofrer precisamos ter tolerância diante das dificuldades ou dores da vida. Como exemplo, Rousseau trata que as quedas de uma criança, não ameaça sua existência; além do mais, os machucados são compensados pelo bem-estar da liberdade.
O que está em pauta, neste momento, para a constituição do sujeito é o saber sofrer, ser menos sensível, ou apenas aprender a sentir a força que a necessidade impõe, nem mais, nem menos. E assim se aprende não com regras, mas vivendo. A primeira das lições é aprendida sem constrangimentos, sem restrições, sem consciência, só com aquilo que a natureza lhe imputa, as leves dores do corpo. Sem constrangimentos e sem consciência, pois para a criança o que está em pauta é o prazer de viver1. A liberdade é sentida como o livre gozo.
2. Felicidade e Liberdade: o menor sofrimento e a menor dependência.
Rousseau critica as pedagogias, e este é um importante ponto de reflexão, “que sacrifica o presente para o futuro incerto” (II, p.72). Há referências que a taxa de imortalidade infantil era alta na época, o que leva a crer que se referia a este aspecto. Como também, pode ser analisada sobre um aspecto existencial, uma importante crítica que forma o homem para o futuro sacrificando seu presente. A sensação é de um vazio, de um homem que não está aqui e nunca chegará. “...sempre considera o presente como nada e, perseguindo sem tréguas um futuro que foge à medida que avançamos, de tanto nos levar para onde não estamos, leva-nos para onde não estaremos nunca” (II,p.73). E arremata a idéia colocando que os adultos estão preocupados em ajustar as más inclinações de uma criança, sem se procurar saber se as más inclinações não provêm de seus ensinamentos e não do desenvolvimento natural; sobretudo não confundir liberdade com licença e criança mimada com felicidade.
O conceito de felicidade de Rousseau é extremamente importante, pois é a sua compreensão que liga o primeiro ensinamento da criança ao homem e ao cidadão. É uma felicidade negativa. “O mais feliz é o que sente menos sofrimento; o mais miserável é que sente menos prazeres” (II, p.74). Aqui, relaciona-se o conceito de dor ou de felicidade, a criança ao adulto. Enquanto criança, ensina-se a suportar às pequenas dores; enquanto adulto equilibrar nossos desejos, que supõe penosas privações, às nossas faculdades. Não cabe ao homem diminuir os desejos ou ampliar as faculdades, mas “diminuir o excesso de desejo relativamente às faculdades” (II, p.74). O homem para deixar sua alma tranqüila deve equilibrar o poder e o desejo. Este é o caminho da felicidade, muito próximo das considerações que Silva destacou “...uma certeza interior que possa imediatamente assegurar a conduta cotidiana e garantir, apesar da incompreensão e das perseguições, o homem de paz e de serenidade que ele sempre aspirou” (Silva, p.155). O homem civil que estabelece o contrato precisa saber perder e aceitar os limites do mundo real e do outro, para que possa agir em interesse comum. Dirá Rousseau, não podemos ampliar o mundo real, reduzamos o mundo imaginário. Entendam por isso, se não podemos mudar o mundo, mudemos a nós próprio. Há uma relação entre as coisas real – exterior-, e um “eu” – interior-. Reis (2005, p.141) explora este assunto e nos esclarece:
“A metáfora espacial presta-se a muitos usos, a analogia pode desdobrar-se em várias outras. Uma delas é a de exploração: o indivíduo representado como um “eu”, ocupando-se de si mesmo, explora seu espaço interior, à maneira de um excursionista. Mas o imaginário do espaço também abriga as imagens de ocultação, de obstáculo: não é raro que o indivíduo, em suas excursões pelo espaço interior, depare-se com abismos, profundezas, barreiras intransponíveis”.
Rousseau, filósofo estrangeiro, revela sobre seus pares e sobre si: “ Aí estão, estrangeiros, desconhecidos, nulos em definitivo para mim, porque assim eles o querem. Mas eu, separado deles e de tudo, Quem sou? Isto é o que me falta descobrir” (Premiére promenade, 2006c p.1). É como existisse um ser além da vida moral, e revela logo adiante “O hábito de entrar em mim próprio, me fez perder o sentimento e quase a lembrança do mal, aprendi ainda pela minha própria experiência que a fonte da felicidade está em nós” (Seconde promenade, 2006c p.5).
Lévi-Strauss abordou este “quem sou?” como um “Eu” epistemológico no qual Rousseau expressa que existe um outro de que se pensa em mim, e que me faz duvidar em primeiro lugar de que sou eu o que pensa. Esta tarefa só é possível, pois a resposta a esta pergunta não seria tão somente do cogito cartesiano, mas do ser que se sente. Assim expresso no Emílio: “Para nós, existir é sentir; nossa sensibilidade é incontestavelmente anterior à nossa inteligência, e tivemos sentimentos antes de ter idéias” (Emílio, p.410). Rousseau se desfaz de um “eu” tão certo de si, e o considera objeto estranho, não familiar, passível, como qualquer outro objeto, de pesquisa2.
A sociedade enfraquece o homem por retirá-lo o direito sobre sua força. E ser forte é viver e se contentar com o que se é, diz Rousseau (Emílio, p.81). A sociedade torna o homem fraco porque o faz se sentir maior que a humanidade. O homem forte é o homem livre, e a liberdade é limitada pela força da natureza, “o homem verdadeiramente livre só quer o que pode e faz o que lhe agrada” (II, p.81). Ou seja, no momento que ele precisa de outro, seja da opinião ou do braço, não se bastando por si próprio, será um homem fraco, escravo e infeliz, pois não estará em equilíbrio: potência e necessidade. Sendo a liberdade o primeiro de todos os bens. Se a criança é fraca em comparação ao homem não é pela força física ou absoluta, mas pelo seu estado de dependência, mas esta é compensada ou suprida pela afetividade entre os pais e as crianças.
Entretanto, este laço tem suas desvantagens, pais que vivem no estado civil levam-no à criança antes da idade (II, p.81), o que seria um abuso ou excesso. Rousseau entende que “ninguém tem o direito, nem mesmo o pai, de ordenar à criança o que não lhe serve para nada” (II, p.82). Rousseau nos traz uma questão importante, o direito dos pais sobre as crianças no exercício do que lhe seja útil. E entende que antes que as instituições humanas alterem as inclinações naturais, a “felicidade da criança e dos homens consiste no uso de sua liberdade” (II, p.82). Ser feliz, agora, é ser livre. A criança terá uma liberdade imperfeita, pois vive numa condição de fraqueza ou dependência, assim como o homem no estado civil. Assim, compreende-se que o júbilo pela liberdade infantil é para compensar seu estado de fraqueza, submetidas a pequenas dores. Conclui Rousseau “Éramos feitos para sermos homens, as leis e a sociedade voltaram a mergulhar-nos na infância” (II,p.82). A falta moral é proveniente do estado de dependência entre os homens. A forma de remediar este mal será substituir o homem pela lei, e a vontade do rei, pela vontade particular.
As leis surgem como instrumento de liberdade, é a dependência das coisas. Rousseau distinguiu dois tipos de dependências “a das coisas, que é da natureza, e a dos homens, que é da sociedade” (Emílio, p.82). A dependência se estabelece entre os homens, e não entre as coisas, pois estas não tem nenhuma moralidade. O que leva a crer, que a lei civil para o homem tem o mesmo valor imperativo da lei natural para criança. Exercitar e sensibilizar a criança na lei da natureza, estará preparando o homem para a lei civil. As leis da natureza estabelecem contato direto com o corpo, o que faz Rousseau compreender que o “homem que não conhecesse a dor não conheceria nem a ternura da humanidade, nem a doçura da comiseração” (II, p.86). Ou seja, a criança que tem todos os seus desejos satisfeitos, sem conhecer o limite da sua força e das dores, tornar-se-á tirânica, e tudo queira ao seu bel prazer e arrogância.
Contudo, não é caminho da razão que deve dirigi a criança. Educar uma criança pela razão é começar pelo fim. Se as crianças ouvissem a razão, não precisariam ser educadas, educá-la pela palavra é corrompê-la prematuramente. Dar ao homem o lugar de homem, e a criança o de criança. Rousseau tem uma preocupação de não fazer uso inadequado da razão, e empregá-la num momento inoportuno, principalmente para corrigir os erros da criança. “Fazei melhor do que isso: sede razoável e não raciocineis com vosso aluno” (Emílio, p.97).
As idéias das crianças deveriam se deter nas sensações. Rousseau conserva a razão para o momento adequado na vida humana, ou a maturidade racional que vem com o tempo. E estabelece o conceito de infância que perdura até os dias atuais, “a infância tem maneiras de ver, de pensar e de sentir que lhe são próprias” (II, p.91). A filósofo genebrino fez perceber que a infância é sempre, não foi algo, e não é mais. O primeiro momento da educação é negativa, ou evitar os vícios da instituição. E o primeiro exercício da educação é do corpo, dos órgãos, dos sentidos e da força (II, p.97). Pode-ser perceber que o conceito de felicidade em Rousseau passa por muitas definições, ao de prazer, quando trata da educação dos jovens da República, ao da menor dor e ao de liberdade. Estes múltiplos aspectos não condizem uma contradição, mas estão inter-relacionados, preparando o homem para a sua condição inexorável, ser o que é com a sensibilidade dos sentimentos e o bom uso da razão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÉVI-STRAUSS, Claude. Jean-Jacques Rousseau, fundador de lãs ciências Del hombre. In: Sazbón, José (org.). Presencia de Rousseau. Colección Teoria e investigación en las ciencias del hombre. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1972.
REIS, Cláudio e Araujo. Unidade e liberdade: o indivíduo segundo Jean-Jacques Rousseau. Brasília: Editora Universidade de Brasília: Finatec, 2005.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da educação. Tradução: Roberto Leal Ferreira. – 3º Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2004. (Paidéia).
___________________. Les Rêveries du Promeneur Solitaire. Fonte Gallica, Bibliothéque Numérique de la Bibliothéque Nationale de France.
Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=7295. Acessado em Junho. 2006
SILVA, Genildo Ferreira da. Rousseau e o Fundamento da Moral: entre a razão e religião. São Paulo, Campinas: Unicamp, 2004. (Tese de Doutorado)

Eterno é tudo aquilo que é inesquecível

Oi Vituxo,


Ontem eu me lembrei muito de você.Não por ter visto alguém parecido ou por ter sonhado contigo. Simplesmente, lembrei de você muitas vezes durante o longo dia que se arrastou. Eu leio regularmente o livro de que você me deu no Natal, pois adoro o quanto há de poesia nele e como sabes, eu preciso sempre de poesia. Lembrar tanto de você me fez ficar com saudade, saudade das conversas sem pressa, profundas; saudade da sua risada histérica e deliciosa; saudade do seu ponto-de-vista sempre tão peculiar e seu.Nessa história, acabei caindo no fatídico clichê de "só valorizamos as coisas quando elas já não estão mais ao alcance das mãos"...é verdade, é um pouco dramático, já que você não foi para um retiro na Sibéria ou cruzou as fronteiras do Sudão, mas a sensação de que poderíamos ter nos encontrado mais é inevitável, ridiculamente inevitável.

Não encontrei ainda uma palavra para definir essa situação (ou seria sentimento?), mas o fato é que você está sempre no bolso esquerdo da minha blusa.Nós não fomos colegas de sala.Não saímos religiosamente para beber às sextas, mas é você que nunca falta no meu Natal. É você, que sempre está ali, mesmo sem estar. E isso soa muito absurdo, eu sei,mas é assim que eu sinto, porque hoje eu estou meio cansada pra pensar.

Bom, escrevi todas essas bobagens sensíveis para saber de você, da sua vida em Juacity e claro, para dizer que estou com saudades e que espero que você venha em breve.

Um beijo bem grande no seu nariz,

Dani

Oi, meu amor

Você não sabe como é bom ler estas coisas, quase ouvindo e vendo você falar...a vida aqui é empolgante no início, mas aos poucos vamos sentido saudades dos amigos, da família, de Salvador. O que importa se não estou ao alcance das mãos, se estou ao alcance do coração, aliás, sempre tive. Aqui é verdade, é bem diferente da Sibéria, é de um calor que não posso falar a frase que me faz lembrar você ("calor gostoso"), o calor daqui é sufocante e seco.
Dani, é uma maravilha refletir sobre saúde pública, estou começando a gostar disso, não tinha a menor noção do que poderia ser, me identifiquei bastante. As aulas propriamente ditas, começaram esta semana, o curso estava sem professor, sem projeto, mas conseguimos organizar e agora está funcionando bem. Já estamos na prática, e estou cheios de projetos para trabalhar no PSF. Não sei se sabe, mas não temos psicólogo no Programa de saúde da família na bahia, então estamos (nós psicólogos) numa ação pioneira, em breve estarei escrevendo alguns artigos. A minha veia carismaticamente popular já teve a idéia de escrever sobre a saúde dos agentes comunitários de saúde, daqui a dois meses te envio. Acho que seremos aquelas amizades silecionsamente apaixonada que dura a vida inteira. Amor eterno é aquele que nunca se consuma. Saudades imensa,

Querido Vituxo,

Que bom ver tanto brilho nos olhos...poucas semanas atrás conversava com uma professora sobre isso, do PSF baiano não contar com psicólogos.No Brasil todo, o número ainda é pequeno, mas quando a gente fala de Bahia, infelizmente, o atraso é imenso. Por favor, me mande seu artigo quando estiver pronto, você sabe que eu me apaixonei por suas linhas depois de ler o artigo sobre Diderot ( oh yeah, eu me lembro!).

A vantagem de chegar assim em meio a uma situação caótica é que a gente pode ser bem tendencioso, risos. Nesse caso, claro que é bom, já que tudo fervilha a favor da ciência e do pogresso(hahhaha), mas sobretudo a favor de gente. Não tenho dúvida de que, com um pouco de sorte e disposição pro trabalho( que vc já tem), em breve ouviremos falar de você, meu caro. Sobre vc dizer que nosso amor será eterno por ser platônico...nossa, eu fiquei pensando nisso.Cheguei só a uma conclusão:

Eterno é tudo aquilo que é inesquecível.

Não esclarece nada, vai. Mas ficou até bonito e rende alguma poesia.

Um beijo grandão,


Dani

É vero, mas nem sempre!

Recado enviado ao meu irmão qualquer dia desses:

Não confundir verdade relativa com relativismo. Verdade relativa não é permissividade, nem tudo é permitido, as bases racionais são imprescindívéis para construção do conhecimento científico, e nem sempre o novo conhecimento sobrepõe o outro conhecimento, apresenta apenas outro ponto de vista, até na física. A verdade não pode ser absoluta porque nossos sentidos e capacidade de apreensão do mundo são limitados...a verdade só vai ser absoluta quando nascer o ser humano absoluto.
Se você tomar uma garrafa de Vodka Absolut, sua verdade vai ser mais absoluta que todas as outras que já existiram, isso eu te garanto!

Papel de bala

O sol e a lua brincam de poesia com meio dia.
Fica doce sua língua sempre estala nossa pança até abala quando ver papel de bala.
Ricardo Zevera


Esta é a poesia predileta de Léo, meu sobrinho e afilhado querido, o garoto tem bom gosto. (dezembro de 2006).

Monday, July 23, 2007

Deus e o S.U.S

O que tem haver a existência de Deus ou a crença na existência de Deus e a crença no Sistema Único de Saúde, conhecido nacionalmente como S.U.S? Antes de chegarmos às explicações arquetípicas desta relação, ou uma tentativa de explicar a relação sob o referencial da psicologia analítica preciso contextualizar o motivo que me levou a este esforço.

Durante uma aula sobre modelos assistenciais de saúde (sanitarista x privatista), fui instigado a provar que o S.U.S era funcional, bom, útil, adjetivos afins. Como sabemos, o S.U.S é referenciado pelo modelo sanitarista, graças ao Movimento da Reforma Sanitária, no final da década de 70, e que culminou com a VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986. Caros leitores, eu não sou herege, jamais pronunciaria que o S.U.S não presta, na dúvida procuro me manter nos ditames do altíssimo e evitar a porta do inferno. Digam-me quem tiver argumentos ou coragem que a saúde não seja um direito do cidadão, um dever do Estado e que não seja universal o acesso a todos os bens e serviços que a promovam e recuperem. Digam-me, se seria contra a este pensamento/sentimento/complexo arquetípico que resultaram duas das principais diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que são a universalidade do acesso e a integralidade das ações.

Por que, então, seria provocado a uma problemática da qual não pronunciei? O problema surgiu a partir do meu questionamento da metodologia empregada para compreender e estudar os dois modelos. Fora utilizado, na ocasião, dois grupos de discussão e posterior defesa, “como se” fossemos fiéis defensores do que acabávamos de ler, e seria submetido a um “júri popular”. Sabiamente, uma colega pronunciou esta é “defesa da qual já se conhece o perdedor”, ora estávamos numa residência multiprofissional em saúde da família (com ênfase em saúde pública). No final do teatro, coloquei-me que não deveríamos questionar os modelos de forma unilateral, mas deveríamos vê-los e considerar que momentos eram úteis, em seus aspectos positivos e negativos. Continuei afirmando que os modelos funcionam de forma complementar, apesar dos esforços atuais da saúde no Brasil em enfatizar o modelo sanitarista. A minha fala apenas expressavam um dado da realidade, já que operamos com o sistema privatista e sanitarista, e dentro desta perspectiva precisamos refletir os dois, sem dogmatismo. Posteriormente, vim entender que minha fala, também, expressava um dado teórico, conforme segue:

“(...) Modelo não é padrão, não é exemplo, não é burocracia. Modelo é uma razão de ser - uma racionalidade. É uma espécie de "lógica" que orienta a ação. Modelo de atenção à saúde ou modelo assistencial não é uma forma de organizar serviços de saúde. Também não é um modo de administrar (gestão ou gerenciamento) o sistema e os serviços de saúde. Modelo de atenção é uma dada forma de combinar técnicas e tecnologias para resolver problemas de saúde e atender necessidades de saúde individuais e coletivas. É uma maneira de organizar os meios de trabalho (saberes e instrumentos) utilizados nas práticas ou processos de trabalho em saúde. Aponta como melhor combinar os meios técnico-centíficos existentes para resolver problemas de saúde individuais e/ou coletivos. Corresponde à dimensão técnica das práticas de saúde. Incorpora uma "lógica" que orienta as intervenções técnicas sobre os problemas e necessidades de saúde (modelo de intervenção em saúde)” (PAIM, Jairnilson Silva).

Assim colocado, será que não seria mais adequado analisar a complementaridade dos dois modelos e saber de que forma melhor empregá-los com seus recursos técnico-científicos para melhor atender os “problemas de saúde individuais e/ou coletivos”? Complementaria a fala de Paim, e diria que o modelo de saúde não é religião, não entra no âmbito do bem e do mal; quantos indivíduos direcionados por quaisquer dos modelos são éticos em suas posições. Os modelos, as teorias, as idéias não podem ser submetidos a um júri, precisam ser submetidos à razão e a concretude dos fatos (se é que isso é possível).
Infelizmente nosso pensamento apela para a escolha entre o bem ou o mal, o certo ou o errado, o santo ou o pecador, o justo e o injusto. E assim foram-nos apresentados os modelos em dois artigos que estimulavam este tipo de reflexão. Os “mocinhos” ou as “mocinhas” eram as que defendiam o modelo sanitarista, os “bandidos” ou as “bandidas” eram os que aceitavam a presença do modelo privatista. A minha posição é que a saúde privada existe e poderia existir de forma complementar, salvo engano, a Lei 8.080/90 preconiza este condição, se não vejamos: “TÍTULO II - DO SISTEMA ÙNICO DE SAÚDE / DISPOSIÇÃO PRELIMINAR / § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter complementar”. Fato irredutível a simples questão de crer ou não crer no S.U.S.
Diante da minha fala que os modelos co-existiam e precisavam ser entendidos neste âmbito, as falas posteriores eram desconsideras e fui imediatamente rotulado de descrente do Sistema Único de Saúde. Por mais que explicasse minha posição, era considerado um desconhecedor e um herege (peço desculpa pela licença poética) do S.U.S. Assim sob a justificativa da “ironia socrática” fui instigado a provar que o S.U.S era bom. A ironia socrática foi duplamente assassinada. Primeiro porque partia de um preconceito, segundo por que as pessoas não se ouviam mais. A ironia socrática transformou-se naquilo que Sócrates mais combatia - a retórica sofista.
Agora, posso explicar sobre a conexão entre o S.U.S e Deus. A proposição ou a retórica veio de uma remota lembrança da professora de um professor que todos os dias falava da não existência de Deus, “a ponto de ser chato”, lembrava a professora. Um aluno incomodado com este professor afirmou que ele tinha argumentos suficientes para negar a existência de Deus, e agora desejava que provasse a existência de Deus.
Só pelo fato de provar a não existência de algo, já lhe dar a condição de existência. Por exemplo, na proposição “Deus não existe”, é preciso que todos compartilhem o que É Deus, o que garante, antes de acabar a frase, Sua existência.
A existência ou não existência de Deus não muda o fato que estamos num embate eterno entre a vida e a morte. A existência ou não de Deus não muda o fato que o S.U.S não alcança todos os seus preceitos. Neste momento, sustentado por um dos pensadores mais importantes da psicologia, Carl Gustav Jung, podemos fazer a relação entre o S.U.S e a Providência Divina. Vale lembrar, que não era intenção da professora chegarmos a este ponto, mas como psicólogo, despertei pela curiosa associação de imagens e lembranças ao ponto de vincular a descrença no S.U.S à descrença em Deus. Para a psicologia analítica a pessoa é arrebatada por forças inconscientes, o que possibilita minhas argumentações e fazer este estudo comparativo, alegando em minha defesa que tudo pode não passar de uma fantasia. Arrisco, assim, numa possibilidade de associação inconsciente que nos levaria um arquétipo coletivo que move nossos complexos, condutas e pensamentos.
Começamos esclarecer, conforme Jung, do arquétipo que nos faz criar teorias, modelos ou leis de bem universal ou mesmo teologias e religiões que conduzem nossas ações. O arquétipo nos proporciona a crença que alcançaremos o “Paraíso” quando “haverá abundância para todos e um grande chefe, justo e sábio, reinará dentro de um jardim de infância humano” (JUNG, p.85). Este é um sonho arquetípico de uma Idade de Ouro. Não é preciso muito esforço para relacionar os preceitos e diretrizes do S.U.S, ditos no segundo parágrafo ao arquétipo. Um “grande chefe” está na figura do Estado, “abundância para todos” está na integralidade e universalidade de acesso. Um jardim de infância humano é nosso estado de inocência diante do mundo, no aguardo que a minha boa ação desperte no outro uma boa ação.
Racionalizando os fatores concretos da vida Jung afirma o seguinte:

“A triste verdade é que a vida do homem consiste de um complexo de fatores antagônicos inexoráveis: o dia e a noite; o nascimento e a morte, a felicidade e o sofrimento, o bem e o mal. Não nos resta nem a certeza de que um dia um destes fatores vai prevalecer sobre o outro, que o bem vai se transformar em mal, ou que a alegria há de derrotar a dor. A vida é uma batalha. Sempre foi e sempre será. E se tal não acontecesse ela chegaria ao fim” (JUNG, p.85).

Este conflito interior do homem, este contato duro com a realidade, nos leva ao sofrimento que nos induz a crer em algo, e as pessoas começam a buscar uma saída, a dar sentido à vida, o que ativa o arquétipo do paraíso. O professor, figura dita logo no início, que proclamava contra Deus, foi despertado por uma “luz” e tornou-se evangélico (segundo nos foi contado a história), o mecanismo que levava a negação ou aceitação de Deus é o mesmo, o embate entre a realidade e o desejo arquetípico de um bem universal, a diferença é a acomodação polarizada entre um ou outro. Os que caminham por outras convicções não religiosas levam suas crenças às teorias ou aos modelos de saúde, mas não por acaso à saúde. Um modelo de saúde como é apresentado no S.U.S é um sistema complexo e dinâmico que afeta muitos setores da sociedade, e a própria condição de saúde/doença e vida/morte estimula a tais pensamentos de sentido existencial.
Uma segunda questão, porque precisamos tanto crer em algo? Que será respondida pela lógica socrática, com outra pergunta: “Por que, então, privar-nos de crenças que se mostram salutares em nossa crise e dão um certo sentido a nossas vidas?”. Agora sim, respeitamos a ironia socrática. Não importa se nossas crenças são ilusões ou não, temos inteira liberdade para escolher nosso ponto de vista a respeito de algo, se for útil e salutar ao nosso bem estar. As pessoas precisam de idéias gerais, diz Jung, que lhe dêem sentido à vida e lhe permitam encontrar seu próprio lugar no mundo. E era isso que estava sendo questionado entrelinhas a mim: “Como pode participar de uma especialização de saúde pública, se não acredita na ‘palavra’ (Lei 8.080/90), na melhor das hipóteses ‘questiona a palavra’. O S.U.S é inquestionável, você precisa conhecer o S.U.S para questionar o S.U.S, você precisa conhecer a Deus para questionar a Deus”; quase me foi dito isso, com um pouco de exagero, é claro. Só que o esforço de compreender um ou outro levaria uma vida (Deus ou S.U.S), só nos cabe aceitá-los.
Por fim, Jung coloca, “é a consciência de que a vida tem uma significação mais ampla que eleva o homem acima do simples mecanismo de ganhar e gastar. Se isto lhe falta, sente-se perdido e infeliz”. No contexto que me encontrava era impelido a dar sentido ao meu curso e minha prática profissional crendo no Sistema Único de Saúde. A minha defesa é que estamos tratando de coisas invisíveis e desconhecidas (pois o S.U.S está além do entendimento humano e não temos dados suficientes para provar sua excelência, seria arbitrário afirmar qualquer posição) por que exigimos provas e evidências?
O homem vive entre o bem e o mal, e o S.U.S só preconiza o bem. Apelo para Rousseau, para defender a letra do S.U.S, precisamos ter um alvo ideal, mesmo que seja impossível alcançá-lo, e devemos sempre nos manter nesta direção e chegar o mais perto possível. Entretanto, não devemos esquecer nossa sombra, o acesso universal, integral e equânime nunca foi alcançado e creio que nunca será pela humanidade. Aceitar tais fatos não é perda de convicção, é a aceitar a vida e humanidade nas suas falhas e imperfeições. É aceitar a humanidade como é.
Se o S.U.S viesse a terra diria, parafraseando Frei Betto, o seguinte:
- “Sim, vocês me louvam com os lábios, mas não com o coração. Prestam-me cultos, mas não libertam o oprimido. Amam mais a posse que o dom.
Fiquei preocupado e perguntei ao S.U.S:
- Vai nos deixar à deriva? Vai cancelar sua obra, zerar a criação?
- De modo algum. Por mais estúpidos que vocês sejam, não deixo de amá-los. Nem pretendo abandoná-los. Vocês haverão de aprender com os próprios erros. Espero apenas que não demasiadamente tarde.
Antes que ele fosse, indaguei:
- Caso queira encontrá-lo, aonde devo buscá-lo?
- Não precisa ir longe –disse com uma ponta de ironia – Basta um mergulho no seu mundo interior. Estou no lado avesso do seu coração. Mas prefiro que também me encontre na face dos que sofrem”[1]

Referências Bibliográficas:

BETTO, Frei. Conversando com Deus. In: Caros Amigos. Ano IX, número 100, julho 2005.

BRASIL. Lei 8.080/90. Endereço eletrônico: http://portalweb02.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=169

JUNG, Carl Gustav. Chegando ao inconsciente. In: O homem e seus Símbolos. Carl Gustav Jung (concepção e organização). 16 impressão. Editora Nova Fronteira, s/d.

PAIM, Jairnilson Silva. Modelos Assistenciais: Reformulando o pensamento e incorporando a Proteção e a Promoção da Saúde. Acessado em 06 de março, no endereço eletrônico: http://www.anvisa.gov.br/institucional/snvs/coprh/seminario/modelo.htm.

[1] Paráfrase do texto “Conversando com Deus” Frei Betto, publicado na revista Caros Amigos – número 100, julho, 2005.

Saturday, April 07, 2007

do afeto se fez a luz

E do afeto, de tanto me afetar, se fez luz, clara e radiante, a indicar o caminho que seguia descalço. Quanto era escuro o imenso universo, andava pelas sombras e esquecia as linhas, os contornos, a forma, a estrutura. O quanto era frio, o quanto era só.
E do afeto, da mão que rabiscava traços indeléveis, transmitia calor, derreteu o frio pensamento das fantasias solitárias, e era bom fantasiar a dois, a três...a mais...chamei, assim, realidade. Gracioso olho, que olha para todos. A linha que costura esta história chama-se horizonte, ouso roubar a idéia dos queridos amigos, Jonar e Edson, que deixaram tão desprotegida em "O papel e a Idéia", mas pretendo esticá-la até onde se estica a linha da vida, a linha da mão, a minha mão é tão pequena!
Nise tu és a Princesa de "O Papel e a Idéia": "os olhos de Princesa são janelas abertas para o interior da gente"

Friday, December 29, 2006

Fé Luz Ano Neo

Ontem tive um dia diferente, enquanto acordava e me organizava para sair, um amigo relata que viu um vulto dentro da casa. Ele dise que era um homem forte, eu perguntei negro? Ele confirmava...Eu perguntei forte, mas não gordo? Ele confirmava...Eu disse é este aqui na foto? Poderia ser...respondeu...eu tinha mostrado meu pai, o que disse que tinha falecido a 24 anos. Ele falou que ele estava melancólico, mas não triste. Que estava vendo a foto e rememorando. Pediu que eu fizesse uma prece antes de sair, relutei. Então fiz, fiquei um pouco emocionado. Sair, ainda pela manhã recebi a notícia que tinha sido classificado para o concurso, mas não convocado. Liguei para ele à noite e disse que decodidifiquei a visita de meu pai, queria ele me consolar, e ele respondeu "foi fazer um carinho em você". Fiquei triste com o resultado, tinha marcado para sair com uma colega, desliguei o telefone e fui dormir. Enquanto dormia, em sonho, retornamos ao quarto que Roberto disse que viu meu pai olhando as fotos. Só que desta vez só tinham as fotos de Léo e Maria repetidas vezes, e todas as outras tinham sumido, fiquei espantado com aquilo, comecei a achar que Roberto tinha razão, no sonho, pensei no sonho que poderia estar relacionado a morte. Por que fazemos esta relação entre foto e morte, foto e espírito, os ingleses tiravam foto dos seus mortos. Os povos primitivos nos antigos continentes, com a presença fotográfica dos antropólogos, reclamavam das fotos, dizendo que aprisionavam suas almas. Ainda ficamos impressionado com isso. Depois deste sonho, passei boas horas agitado, sem conseguir dormir e com uma leve tontura. Aos crentes diriam presença espirituais, aos cientistas diriam leve histeria. Eu digo se fodam, eu apenas estava tonto, muito tonto, e isso que importa, e queria dormir. Por via das dúvidas vou no centro espírita e vou procurar meu psicólogo. Fato, minha vida contínua a mesma, carregando [ ]...sem os meus desejos se realizarem. Paciência dizem os espíritas e os psicólogos. Será que 2007 eu abro a página, e a mensagem será dowloading concluído com sucesso.

Thursday, October 19, 2006

Diário de Vôo

Aqui registra-se o dia em sair da terra, e fiquei a voar pelo céu azul, ao lado do sol. Primeiro vôo, estava a ler "Vôos e raízes" de Gustavo Barcelos, o capítulo "Relendo Babel" que abordava a metáfora de Babel como a arrogância humana de alcançar o céu. "Os homens indo para cima, num impulso ascedente espiritual de puer e unificação, e Deus vindo para baixo, forçando a humanidade ao vale espalhado da alma encarnada" (p.162, Barcellos). Segue agora as inscricões aleatórias da alma irradiante pela possibilidade de voar.
Vôo 7472 - Salvador - Porto Seguro. Espírito e alma contrastam. Perguntei ao homem de rua, aparentemente psicótico, "onde tu morás?" e ele responde "em terra FIRME. E você?". Ele não desafia Deus. O meu chão agora é as nuvens. Vejo um chão de nuvens. Tapere branco de oxalá. Passei pelas nuvens e não vi nenhum Deus e nenhum Santo. Que decepção.

Wednesday, September 13, 2006

Sonho-primeiros dias de setembro

Acordava no meio da noite para tomar um copo d´água. Ouvi algum barulho, e me deparei com mulheres fantasmas, e sentir uma forte atração, mesmo sabendo que elas estavam em forma espiritual. E as beijavas ardentemente...apareceu a imagem de uma ex-namorada, como uma destas mulheres. Ela tentava me seduzir e ao mesmo tempo negava, quando eu me afastava dela, se oferecia. (sexta-feira)

Apareci acaraciando uma bela morena (li), depois uma ex-namorada, e depois (enf), tudo me parecia muito real. (domingo)

Logo depois, sonhei que precisava tomar um café, fui até a Lapinha, olhei um cardápio, fiquei na dúvida se iria ou não tomar café. O dono conversou comigo, meio que se desculpando e analisando minha personalidade. Dizia "você que é criterioso e quer diversidades, não irá encontrar aqui por perto, mas tem a lanchonete de Darlas que pode encontrar um bom café da manhã". Não me sentia tão criterioso no sonho, só queria comer um café da manhã caseiro, e não doces e salgados. Fui até a lanchonete indicada, e tomei um café com leite, com pão. Não era ainda que eu queria, mas me satisfez. Passei, depois na casa de Eduardo, estava preparando um outro café, disse que já tinha tomado, mas o acompanhava enquanto jogávamos xadrez. Ele estava preocupado muito com o parente que estava agredindo a mulher. Enquanto isso, passava uma mulher que cuidava da casa com um ar meio sujo, sempre com uma ponta de cigarro na boca, e eu pensava que as cinzas iriam cair na comida, mas que ela iria mexer, e ninguém iria notar. Eduardo queria uma forma de solucionar o problema, depois apareceu c., falando que a mulher estava no cárcere privado, que todos os portões tinham cadeados. Eduardo não concordou, não achou isso possível, falava que era para segurança, e c. ratificava que a mantinha presa. Saímos para comer algo, e os levei a lanchonete que tomei um café com leite com pão. (domingo)


Estávamos em guerra, e a missão era matar o exército inimigo, só que ninguém poderia fazer isso, só eu. Quando peguei minha espingarda, e me dirigi ao front de batalha, os inimigos eram crianças que eu acertava, algumas morriam, outras não, outras acertava em cheio na cabeça, outras no braço. mas consegui cumprir a missão. (13 de setembro-quarta-feira). O Puer em algum momento precisa receber sua punição, que sejam no sonho, melhor para mim.