Monday, January 26, 2009

Primeiro DIA - casa de cabeça para baixo.



Duas coisas uma pessoa precisa em momentos de crise, como eu já falei, eu preciso acordar e dizer. "você precisa ter calma". A outra é bom humor. São 07:20 h da manhã, Jefferson foi me pega de moto às 06:00 desviou de um carro, quase bate numa bicicleta, pegou uma contra-mão e eu cheguei em casa neste ritmo. Abelha! Chamo, só por chamar. Abro a porta de casa, um campo de batalha. Minhas fotos e cartas com Clô colocadas sobre a mesa, absolutamente tudo revirado. Leio os e-mails, uma reunião às 09:00 horas na secretaria, só tenho 1:30, e o recado que a maioria dos residentes não estarão aqui na semana, que beleza, quem sobra não tem condições de convivência. É preciso muito calma e começar o dia por etapas. O que fazer? Colocar uma música triste, e fazê-la feliz, organizar a casa. Mãos a obra!. 2 - ir para a reunião, depois pensámos no resto, digo pensamos caros amigos por que vocês podem participar dando opinião em comentários. Até.
Vídeo do dia: Nina Simone - http://br.youtube.com/watch?v=eYSbUOoq4Vg
Música: coletânea - Dias de Paz - música: dias assim (Djavan/Beto Guedes)
Contudo, não é fácil, minha casa espalhada das coisas espalhadas de Clô, e ninguém abosultamente ninguém me diz o que está acontecendo. Até terça, sai, vai embora esta semana, para onde...tornei-me um total e absolutamente estranho. A reunião falou sobre o plano de trabalho para o controle social, fiquei meio distraído dando alguns palpites, e tudo muito estranho. São 11:56, e o clima denso já me penetrou. O que fazer? Seguir para próxima etapa. Reunião às 14:00, o que me parece que as pessoas não estão dando a mínima para as etapas a serem cumpridas da residência, e na minha tentativa de comunicação, não obtive a menor resposta, as coisas estão começando a chegar de forma fragmentada até mim. Como eu disse no início do dia: é preciso ter calma...
16:40 - Dia difícil, reunião à tarde foi completamente tomado por um peso que me levava aos vales mais profundos. Nenhuma, absolutamente nenhuma energia das pessoas em resolver qualquer demanda de forma grupal. Todas as decisões foram tomadas pelo caminho de ninguém ter que se ver e reunir, este era o critério que guiava as decisões. Único e exclusivo critério.
Bem ou mal, as coisas vão clareando, realmente até o dia 01, a casa estará completamente vazia. Mandei uma carta. Este blog está sendo meu diálogo imaginário com os meus amigos, hoje bateu forte. Tomar um banho, deitar e assistir um filme Narradores de Javé. Amanhã quero ver Abelha.

Sunday, January 25, 2009

I Can See Clearly Now

Final de semana bom, agradecer todos os amigos que puderam estar comigo. Cácio - cacciola, Eduardo - da minha cor, meus irmãos, Alexandre - ABA, Renata, minha mãe, tia Helena, Larissa - Lara, Arlene - Arley, Tiago - Parada. Figuras boas e fortes, nos divertimos muito, um beijo e um grande abraço a todos. Todos estarão comigo em Juazeiro, e me aguardem quando voltar.
Amanhã, chego em casa, abro, esperar abelha vir correndo me ver, esperar...voltar a vida, arrumar a casa, comprar umas camisas novas (baratinhas, estou sem grana), e organizar a vida.
Frase que me direi todos os dias: "você precisa ter calma". Quem duvidar todos os dias está frase irá iniciar meu blog. Viajo daqui a 4 horas, vivo, eu posso ver mais claramente agora.

Vídeo sugerido do dia:

http://br.youtube.com/watch?v=gIqLsGT2wbQ

Saturday, January 24, 2009



Quando uma borboleta bate asa no inferno faz nuvem no céu.


Friday, January 23, 2009

Abelha









Hoje, meu grande companheiro em Juazeiro foi embora, foi para uma nova casa, sinto a sua perda de forma muita dolorosa. O meu pequeno roedor de cordas, cabeção, meu grande abelha vou sentir falta das nossas conversas na cozinha, de você correndo em minha direção, querendo brincar de bola, do seu cochilo na sala, de você me consolando sempre que estava triste, da sua simpatia com as crianças e da sua raiva incontrolável pelos poodles.
Se lembra que a sua cirurgia quase deu errado, rapaz, você me matou de susto, eu queria dormir do seu lado a noite inteira, só não fiz porque Clô tem juizo. Clô falava que você era um cachorro, e eu tentava dizer que você era meu amigo, era muito mais que um cachorro.
Se lembra quando fui te pegar, viemos de moto, você morrendo de frio enrolado num pano, não parava de morder minha mão, e isso foi o tempo que todos passamos juntos. Se lembra que treinavamos juntos Juatedo, naquela casinha.
No meu aniversário, você viu o pôr do sol mais bonito com os meus óculos. E no rio, sua alegria de tomar banho, gosto tanto de te ensinar as coisas neste mundo, você tem muito que aprender. você já estava quase aprendendo a nadar.
Arranjou uma amiga que fez um vídeo para você, com esta cara de dengoso valente conquistava muitas pessoas.
Você foi meu filho querido, tem a minha cor e meus olhos profundos. Eu entrei em casa com você escondido nas costas, e mostrei para Clô que estava sentada no computador, e tudo se irradiou de alegria, passamos horas olhando para você. seu barrigão imenso, e uma cabeça enorme, uma criança disse que você parecia uma abelha, e assim foi, mas muitos te chamam de mel, abelhudo, zangão. Um dia quis te chamar de amendoin, de tantos dias sem tomar banho. Eu queria tanto que pudesse ficar comigo!
Uma grande figura em minha vida, meu abelha!


Vídeo de Abelha:




Thursday, January 22, 2009

Triste para Frente

Sofro, sofro mesmo. Vivo, vivo com toda intensidade. Amarguro, amarguro com toda força que tenho e me expando. Não como e não tomo cristo no jantar para aliviar minhas fraquezas, vivam sua cretinicidade pequena de ser o que são. Vomitem cada letrinha que comeram e "fiquem em paz", a vida é um eterna aflição.

É perigoso viver, é preciso correr perigos, para ser algo mais do que um falso discurso cínico moralista. Os moralistas não conseguem enxergar a própria história, o próprio passado, onde todos morrem, vivem, matam e se comem. Morrem de medo da sua própria memória. Queimam o primeiro judas que encontram pela frente, e sejam felizes para sempre.

Minhas visceras me comem por dentro e vivo toda aflição e angustia de estar vivo. Não admito, não quero, não vou deixar a vida me engolir com falsas sustentações sociais, estou aí, na vida, e serei triste para frente. Afirmo a vida com todas as desgraças que ela tem oferecer e todas as alegrias que vivi e procuro.

Vídeo do dia: http://br.youtube.com/watch?v=YXG83p2nkHw

Fundo do mar



Passei os últimos dias em prantos por um único motivo, pela dor. Sair correndo entre pedras, deixei todas afundar bem no fundo do mar e fui para casa. Hoje cheguei em casa, conversei com meu irmão e minha irmã e me acolheram, como é bom chegar em casa, em Salvador, entre amigos, estar "entre os meus", frase forte dita pelo meu amigo Cácio. Como é bom saber que tem pessoas de braço e coração aberto do outro lado, como é bom. É nos limites da vida que vamos percebendo quem fica e quem não fica ao nosso lado, e assim se fazem as grandes relações. Hoje chorei, mas foi com um sorriso de alivio no rosto, longe bem longe...

Tuesday, December 23, 2008

À Sumaia, que acredita na plenitude da vida

Fiz de você a minha filosofia
Alegria em te ver
Só para ver você sorrir
Dormir ao seu lado
Revelar sua intimidade
Descansar no seu ventre
Desenhar no seu corpo
as minhas fantasias
Minha água de beber,
minha carne de comer
Repetir que te amo
Zelar o seu sono
Correr todos os riscos
Mesmo que este
Seja te perder

Estarei vivo então

Sorrindo ao seu lado
Sentido seu toque
Ouvindo suas músicas
Gozando o prazer do
teu prazer em mim

Vivendo o meu mundo
fazendo do seu o meu mundo
Vivendo o seu mundo...

Cultivamos a vontade de sermos nós
Mesmo estando sós
Não esquecendo do Eu que existe em mim
que faz a ti
E em ti não se esqueça pois faz a mim

Não saiba nunca para que
eu possa sempre repetir: Eu te amo!

15.12.2000

Wednesday, November 05, 2008

A vida lá é um inferno

Matisse. O atirador de Facas. 1947.

Salvador-Ba. novembro de 2008. 7:45 da manhã, paro no semáforo em frente ao Centro de Compras mais conhecido da cidade, um rapaz, entre 23-28 anos, sinaliza se quero limpar a poeira do pará-brisa do carro, digo que não, eu sempre digo que não, falo que estou sem trocado, faço um sinal que estou procurando no cofrinho do carro, e sigo. Às vezes da certo, outras não. Desta vez, deu certo, ele não limpou o pará-brisa e eu fiquei tranqüilo sem obrigação de pagar por este suposto serviço. Logo depois, um rapaz para ao lado da janela, "me presta cinco reais aí...", o tom simpático dele me ocasionou uma resposta simpática, "hoje estou sem dinheiro, amanhã te empresto sem juros". Minha irmã riu e comentou, "tenho pena", são tantas as necessidades. E assim, foi o dia entre uma sinaleira e outra, tentanto me esquivar do pagamento destes serviços. Um outro modo, foi o rapaz vestido de palhaço, se dizendo participar de um projeto de visitas hospitalares à criança, solicitando apoio ao projeto, aparentemente, pessoal. Este palhaço não me fez rir, me pareceu uma forma assim como outra de pedir dinheiro sem se humilhar.
E finalmente, um modo diferente de pedir dinheiro, parei o carro no campus da UFBA, no Canela, ao retornar ao carro, um rapaz fez um sinal para mim, continuei a andar em direção ao carro, pensei que fosse mais um guardador. Ele se aproxima, me conta que saiu do presídio, está com fome, e precisa de algum dinheiro para comer. Perguntei que presídio ele saiu, "...mata escuta...a minha é rôbar...mas agora eu quero pedir", falei "é...eu já trabalhei no presídio de Serrinha..." não sei bem o que queria, certamente tentar me aproximar através de realidade comum, ou tentar intimidá-lo me mostrando conhecer o sistema. Paramos em frente ao carro, pedi licença, entrei, "deixa eu ver se tenho um trocado aqui..", enquanto procurava ele perguntou, "...você era o quê, agente de segurança?". A sua aparência, a sua lingaugem, e aquele olhar sem profundindade revelava que ele realmente passou pela penintenciária. Preferir não responder, e falei - "aquilo lá é um inferno, se você continuar roubando, você vai voltar pra lá" - com a janela semi-aberta, abri a carteira e falei, "tenho não, só tenho cinquento centavos" "...pô veio, aí não dá para eu comer...me arranja estes r$10,00 aí...estou com fome" falou já com tom indignado, poderia estar falando a verdade, já era 12:00 horas. Um silêncio, e de repente foi quebrado com a fala dele "estou com uma faca aqui". Falei para ele - "presídio é um inferno...eu vou te arranjar r$10,00, mas se você me arranjar sua faca", assim como foi todo o dia, acabou de se constituir uma suposta compra. Ele me vendeu a faca, e antes de sair me falou "...me arranja aqueles cinquenta centavos para comprar o cigarro", eu já tinha esquecido desta moeda, mas ele não. Eu dei e falei, "não roube não, a vida lá no presídio é um inferno...". Ele me agradeceu, sair com o carro e olhei pelo retrovisor, ele olhou para os R$10,00, olhou para o carro e eufórico, dando pequenos saltos, falou "...a vida lá é um inferno".

Saturday, January 26, 2008

Cair em Perigo

Se eu pudesse cair em perigo,
fácil que a vida me desse você
nas finas tramas do desejo.

Na ascese do amor
estaria amarrado aos seus cabelos,
finas tramas de sedução.

Deixe agarrar-me na tua alma.
Enredar-me em fantasias,
nas finíssimas tranças da paixão.

Seu corpo nu tinto e sua boca
doce suave fino...
Deixe-me cair em perigo.

Permanente

Educação permanente ou humanização dos processos de trabalho só será possível se compreendermos que não é o trabalho, o estado ou a gestão que se encontra em pauta, mas o sujeito. Não é simplesmente processo de trabalho o tema da mudança, mas o sujeito. Quais são as formas possíveis do sujeito se reconhecer participativo nas atividades do trabalho? Dito de outra forma, quais são os modos do sujeito ser sujeito? Dentro daquela máxima que o homem produz o trabalho, e o trabalho produz o homem. Não devemos pensar o sujeito a partir das instituições, mas pensar as instituições a partir do sujeito. A primeira possibilidade é estática e morta, a segunda dinâmica e criativa. Uma das formas do sujeito se reconhecer na sua própria ação é através da participação direta do seu processo de trabalho. A educação é o meio e o fim para executar tal empreendimento de transformação, surge como prática da liberdade, e relaciona-se com premissa filosófica de que somos sujeitos condenados a escolha. Nem sempre ser livre e fazer escolhas indicam o caminho da felicidade, mas ser livre e poder escolher é a única forma de se realizar enquanto sujeito, mesmo que a liberdade e escolha sejam estímulos de fantasias, como aqueles dias que fechamos olhos e nos sentimos voando com o toque do vento no rosto. Educar-ação é ter o trabalho como forma de aprendizado, consciência de vínculos que atravessam, mas vão além e retornam para o cotidiano do trabalho, é ter a coragem de tirar o trabalhador da condição de obediência. Necessário fazer o trabalhador se reconhecer não como o ser que aprende, mas como o próprio devir-educador de si mesmo, que acumulou um saber da vida, do trabalho, das relações, das amizades. E se fazer devir-educador, é se fazer devir-múltiplo: um devir-criança, devir-idoso, devir-gestor, devir-cidadão, devir-aluno, devir-rebelde, devir-infinito. Exercitar a prática de educador seja permanente, instável, incerto ou translouco, é se colocar na condição de não-educador. É ter cuidado de não se apequenar com disputas incessantes, e se manter sereno com o contraditório. Se fazer um educador-trabalhador é algo que exige tempo, observação e cuidado consigo e com o outro. Permanente é aquilo que dura em nossos corações. Educadores permanentes foram todos os colegas da Diretoria de Gestão da Educação e do Trabalho em Saúde com suas diferenças marcantes no meu processo de aprendizagem. Especial carinho aos amigos: Arlene, Larissa e Tiago.

Cicatrizes

As cicatrizes da infância me fazem lembrar que fui uma criança feliz, as de adulto não serão diferentes. As dificuldades só nos fazem melhores...

Sunday, December 09, 2007

Sentir os Lencóis Maranhenses

Acordamos bem cedo, às 6:30 da manhã, tomamos um café reforçado. O grupo se atrasou e começamos a caminhada às 08:00 horas, passamos um campo de vegetação rasteira, quando despontou na nossa frente um banco de areia, e ficávamos a ver um monte de areia branca. Pensando: por que está areia não se desfaz pela região. E contínuamos andando, o espírito infantil noss tomou diante da primeira lagoa. E nos lançamos em cambalhotas n'água. Andamos mais um período e uma outra lagoa um pouco maior, nas caminhadas passamos por outros andantes entre areias e aspirações de um mundo diferente que corre em direção ao nada e chega a lugar nenhum.

Olhando ao horizonte percebemos tudo tão perto...e quando nos lançamos ao ponto, ele se afasta junto com o horizonte. A noção que a terra é redonda é nos dada pela linha que contorna o horizonte que se faz em curva. Resolvi correr a praia e mais uma vez o horizonte me engana, aí em sua direção e a linha do mar se afastava, me contentei com as águas do rio que viajava até o mar. Bem longe, mar e rio certamente estavam em beijos penetrantes.

Nesta caminhada tive o pensamento que estamos neste mundo de férias, um belo dia voltaremos ao trabalho.

Especiais são os outros

Frase do dia 06 de janeiro: "um brilho intenso produz uma sombra intensa"James Hillman

No mesmo dia pensei: procuramos dar sentido as pequenas coisas da vida: se temos um amigo, desejamos que seja especial, se temos um amor, desejamos especial; um trabalho, assim por diante. Especiais são os outros, tudo aquilo que não somos nós, mas para nos fazermos especiais. Em algum momento a vida será especial? o que é Viver?

Poeta de mim

Não quero ser poeta do mundo
Quero ser poeta de mim
Mas se eu me chamasse raimundo
Eu não seria uma rima

Saturday, November 24, 2007

preciso revisar

Darlindo e Marcelo,

Trago aqui algumas questões de alguém que pouco dormiu depois da reunião de ontem, com um forte caráter epistemológico. Antes de tirar conclusões mais profundas da discussão, vou procurar ouvi-la de novo, mas o que estávamos tentando responder era a fonte a natureza, fontes e validade do conhecimento. Diante disso surge a pergunta a clássica, "O que é o conhecimento? Como nós o alcançamos?".
No meio das metralhadoras de idéias surgiram mais duas perguntas que eu fiz: Como produzimos conhecimento; e Onde produzimos conhecimento?
"Onde?" é a pergunta que mais me intriga por que nela envolve as pessoas participantes deste processo. O "onde" determina o momento exato que surgiu o conhecimento, e o que me parece, seria juntos na oficina com os agentes comunitários. A minha posição que este momento é efêmero, quase não existe, dizer que existe na nossa memória, ou anotações, ou sentimentos, não explica, nem valida o conhecimento. Eu digo isso porque os nossos orientadores se dirigiam aos ofícios impressos dos relatórios dando uma materialidade a fonte de conhecimento, que é duvidosa.
E quando falo duvidosa, parte de outro pressuposto da honestidade do investigador. Vamos por seqüência:
1. Relatórios das oficinas e com os Agentes – feitos das formas mais diversas, com estilos, atenções e registros diferentes;
\n\u003cspan\>2.\u003cspan\> \u003c/span\>\u003c/span\>\u003c/span\>\u003cspan\>Diário de campo – só realizado depois de muita insistência, apesar de estar como uma técnica a ser empregada na pesquisa-ação, mas ninguém a compreendia como tal.\n\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt 36pt;text-indent:-18pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>\n\u003cspan\>3.\u003cspan\> \u003c/span\>\u003c/span\>\u003c/span\>\u003cspan\>Transcrições – não fizemos as gravações de forma adequada que garanta a confiabilidade do registro. Dificuldade de ouvir as gravações, muitas lacunas e fragmentos do discurso. \n\u003cspan\> \u003c/span\>\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt 36pt;text-indent:-18pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>\n\u003cspan\>4.\u003cspan\> \u003c/span\>\u003c/span\>\u003c/span\>\u003cspan\>Observações de campo – apesar de ter insistido que esta fonte entrasse nas anotações de Darlindo, não foi algo reforçado, e nem é um registro que o grupo faça com critério.\n\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>\u003cspan\> \u003c/span\>\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>Esta é a minha avaliação sobre as fontes. Independente disso, estávamos abordando como iríamos tratar esta fonte de dados. E o que me ficou, é que no maior desafio é validar este conhecimento dentro de um trabalho coletivo. Qual a metodologia para se validar estas conclusões, resultados ou seja lá o que vocês querem dar o nome? Saímos com esta pergunta.\n\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>Chamei a atenção para as diferenças de linguagem dentro do processo de comunicação, onde se daria esta validação coletiva. Na qual foi exposto que deveríamos fazer um esforço de comunicação. Marcelo chegou a insinuar que eu poderia estar despontencializado os sujeitos críticos, construtores da sua própria realidade, e que isso era uma crença básica. Não me desfaço desta crença, apenas acho que ser construtor da própria realidade, é diferente de ser construtor de um material científico. O produto científico é o esforço de alcançar o inalcançável – a realidade. A realidade só se faz na ação, e o que estamos querendo fazer é um discurso da realidade. E o que vamos produzir, só nós podemos validar, porque só nós estivemos lá, naquele momento, é quase uma verdade inquestionável em termos do afeto e do momento. \n",1]
);
//-->
2. Diário de campo – só realizado depois de muita insistência, apesar de estar como uma técnica a ser empregada na pesquisa-ação, mas ninguém a compreendia como tal.
3. Transcrições – não fizemos as gravações de forma adequada que garanta a confiabilidade do registro. Dificuldade de ouvir as gravações, muitas lacunas e fragmentos do discurso.
4. Observações de campo – apesar de ter insistido que esta fonte entrasse nas anotações de Darlindo, não foi algo reforçado, e nem é um registro que o grupo faça com critério.

Esta é a minha avaliação sobre as fontes. Independente disso, estávamos abordando como iríamos tratar esta fonte de dados. E o que me ficou, é que no maior desafio é validar este conhecimento dentro de um trabalho coletivo. Qual a metodologia para se validar estas conclusões, resultados ou seja lá o que vocês querem dar o nome? Saímos com esta pergunta.
Chamei a atenção para as diferenças de linguagem dentro do processo de comunicação, onde se daria esta validação coletiva. Na qual foi exposto que deveríamos fazer um esforço de comunicação. Marcelo chegou a insinuar que eu poderia estar despontencializado os sujeitos críticos, construtores da sua própria realidade, e que isso era uma crença básica. Não me desfaço desta crença, apenas acho que ser construtor da própria realidade, é diferente de ser construtor de um material científico. O produto científico é o esforço de alcançar o inalcançável – a realidade. A realidade só se faz na ação, e o que estamos querendo fazer é um discurso da realidade. E o que vamos produzir, só nós podemos validar, porque só nós estivemos lá, naquele momento, é quase uma verdade inquestionável em termos do afeto e do momento.
\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>Darlindo traz questões epistemológicas, dentro do seu referencial, que ficam mal resolvidas dentro do grupo. Eu acho que precisam ser retomadas com outra estratégia, ao invés de ouvirmos e julgarmos que compreendemos o dito, gostaria de ler algum material, e criticar o escrito, e saber de que forma posso acrescentá-lo no processo de análise. Por que toda vez que eu julgava ter compreendido Darlindo, ele dizia outra coisa, e o que eu dizia ou compreendia parecia ser muito distante do que ele queria dizer. Eu digo isso porque a mesma diferença de linguagem que existe entre os Agentes comunitários e nós residentes, parece que existe entre os senhores coordenadores e nós residentes. Parece ser uma ironia querermos construirmos algo de sentido coletivo, tão, tão coletivo. Tenho medo desta coletiva construção de sentido, ser uma falácia coletiva. E termos um trabalho sem os aportes teóricos necessários, sem a escrita adequada, sem este sentido que todos parecem entender bem, menos eu, e termos apenas o coletivo. Fico imaginando se este coletivo construir algo de uma força inconsciente tão destrutiva para ele, e estarmos tão envolvidos neste processo de validação e percebermos tarde de mais. E o que vamos dizer, "valeu a tentativa!". Qual é o referencial teórico, é o materialismo histórico, onde sujeito se encontra inscrito na sua história? Ou construções hermeuticas (sugiro que leiam um fragmento que coloquei no final desta mensagem) de um certo dado. Eu acho que sem esta clareza de referencial, não vou (digo por mim) conseguir dar mais passo nenhum de análise. \n\u003c/span\>\u003c/p\>\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 10pt;text-align:justify\"\>\u003cspan\>Sinto-me frágil e inseguro neste processo inteiro. Passou por mim até a vontade de provar que este sentido coletivo não existe, que tudo não passa de uma forma sutil de direcionamento de relações saber x poder e intencionalidades. E outra questão que coloco por fim, que é a minha confiança no grupo de \n\u003ci\>pesquisadores experts",1]
);
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Darlindo traz questões epistemológicas, dentro do seu referencial, que ficam mal resolvidas dentro do grupo. Eu acho que precisam ser retomadas com outra estratégia, ao invés de ouvirmos e julgarmos que compreendemos o dito, gostaria de ler algum material, e criticar o escrito, e saber de que forma posso acrescentá-lo no processo de análise. Por que toda vez que eu julgava ter compreendido Darlindo, ele dizia outra coisa, e o que eu dizia ou compreendia parecia ser muito distante do que ele queria dizer. Eu digo isso porque a mesma diferença de linguagem que existe entre os Agentes comunitários e nós residentes, parece que existe entre os senhores coordenadores e nós residentes. Parece ser uma ironia querermos construirmos algo de sentido coletivo, tão, tão coletivo. Tenho medo desta coletiva construção de sentido, ser uma falácia coletiva. E termos um trabalho sem os aportes teóricos necessários, sem a escrita adequada, sem este sentido que todos parecem entender bem, menos eu, e termos apenas o coletivo. Fico imaginando se este coletivo construir algo de uma força inconsciente tão destrutiva para ele, e estarmos tão envolvidos neste processo de validação e percebermos tarde de mais. E o que vamos dizer, "valeu a tentativa!". Qual é o referencial teórico, é o materialismo histórico, onde sujeito se encontra inscrito na sua história? Ou construções hermeuticas (sugiro que leiam um fragmento que coloquei no final desta mensagem) de um certo dado. Eu acho que sem esta clareza de referencial, não vou (digo por mim) conseguir dar mais passo nenhum de análise.
Sinto-me frágil e inseguro neste processo inteiro. Passou por mim até a vontade de provar que este sentido coletivo não existe, que tudo não passa de uma forma sutil de direcionamento de relações saber x poder e intencionalidades. E outra questão que coloco por fim, que é a minha confiança no grupo de pesquisadores experts
(como vocês gostam de falar). Como posso confiar num grupo que esqueceu o básico da pesquisa, que é a pergunta de pesquisa. E fiquei a noite acordado, me virando de um lado para o outro, chamando por Deus, e perguntando, "meu Deus, o que é que estou validando?". E eu pergunto a vocês: Os senhores partem de que pressuposto para falarem tanta coisa difícil que eu não entendo ou entendo muito pouco? Tive e estou numa forte crise existencial, e não vou fazer mais análise nenhuma, até sair dela. \n\u003c/span\>\u003c/p\>\u003c/div\>\u003c/blockquote\>\n\u003cdiv\> \u003c/div\>\n\u003cdiv\> \u003c/div\>\n\u003cdiv\>Fragmento do texto "Conflito Hermeneutico":\u003c/div\>\n\u003cdiv\> \u003c/div\>\n\u003cdiv\>\u003cspan style\u003d\"font-family:Verdana\"\>"Termo usado por Paul Ricoeur para caracterizar a dupla motivação — vontade de escuta, atitude de suspeita — que caracteriza a ambiguidade da hermenêutica contemporânea. P. Ricoeur parte do seguinte dado de facto: a relação da interpretação com a linguagem comporta, hoje, depois de Nietszche, Freud e Marx, uma dupla possibilidade que não pode ser esquecida e origina no âmbito da hermenêutica um conflito de interpretações. São fundamentalmente duas, e radicalmente opostas, as possibilidades de interpretação que hoje se fazem da função significativa da linguagem-símbolo: a hermenêutica da confiança acredita no poder prospectivo e revelador dos símbolos; a hermenêutica da suspeita, acentua o seu poder dissimulador, efectuando uma interpretação redutora e arqueológica de toda a simbólica humana. É, por isso, necessário enfrentar a complexidade de um tal conflito, em ordem a dilucidar a dimensão significativa ou hermenêutico-especulativa da própria linguagem falada pelos homens e falada aos homens. A explicitação do nó semântico de toda a hermenêutica, tarefa em que Ricoeur concentra, aliás, o núcleo da sua hermenêutica, exige que se reflicta, nomeadamente, sobre a ambiguidade ou paradoxo constitutivo da própria estrutura significativa da linguagem, que não é pura cópia mas funciona como símbolo. No símbolo, a dupla intencionalidade do sentido literal surge como um enigma que tanto pode significar um novo modo de referência como pura dissimulação."\n",1]
);
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(como vocês gostam de falar). Como posso confiar num grupo que esqueceu o básico da pesquisa, que é a pergunta de pesquisa. E fiquei a noite acordado, me virando de um lado para o outro, chamando por Deus, e perguntando, "meu Deus, o que é que estou validando?". E eu pergunto a vocês: Os senhores partem de que pressuposto para falarem tanta coisa difícil que eu não entendo ou entendo muito pouco? Tive e estou numa forte crise existencial, e não vou fazer mais análise nenhuma, até sair dela.


Fragmento do texto "Conflito Hermeneutico":

"Termo usado por Paul Ricoeur para caracterizar a dupla motivação — vontade de escuta, atitude de suspeita — que caracteriza a ambiguidade da hermenêutica contemporânea. P. Ricoeur parte do seguinte dado de facto: a relação da interpretação com a linguagem comporta, hoje, depois de Nietszche, Freud e Marx, uma dupla possibilidade que não pode ser esquecida e origina no âmbito da hermenêutica um conflito de interpretações. São fundamentalmente duas, e radicalmente opostas, as possibilidades de interpretação que hoje se fazem da função significativa da linguagem-símbolo: a hermenêutica da confiança acredita no poder prospectivo e revelador dos símbolos; a hermenêutica da suspeita, acentua o seu poder dissimulador, efectuando uma interpretação redutora e arqueológica de toda a simbólica humana. É, por isso, necessário enfrentar a complexidade de um tal conflito, em ordem a dilucidar a dimensão significativa ou hermenêutico-especulativa da própria linguagem falada pelos homens e falada aos homens. A explicitação do nó semântico de toda a hermenêutica, tarefa em que Ricoeur concentra, aliás, o núcleo da sua hermenêutica, exige que se reflicta, nomeadamente, sobre a ambiguidade ou paradoxo constitutivo da própria estrutura significativa da linguagem, que não é pura cópia mas funciona como símbolo. No símbolo, a dupla intencionalidade do sentido literal surge como um enigma que tanto pode significar um novo modo de referência como pura dissimulação."

Para Clô

O mais belo do rio é saber que ele corre
[em direção ao mar

Aomar

Amar e Omar resolveram se casar
[E nasceu Aomar
A família logo apelidou de aomarzinho
Por mais que ele replicasse,
- Eu sou homem, mãe.
E todos riam e repetiam:
Homem Aomar.
Mar não era brincadeira, pouco sorria.
Todos na cidade o conhecem somente por Mar,
Aomar fez valer sua voz altiva para todos.
Menino bravio e audaz,
quando alguém queria fazer uma grande aventura,
chamava logo por ele.
Até que um dia,
uma bela jovem chamada Rio,
encantou-se pelas cristas de Mar.
E Mar, que nunca teve margens,
Admirou-se pelas curvas de Rio.
Desde então, Rio e Mar podem fazer longas viagens,
mas sempre se encontram em algum lugar,
e se deságuam em beijos penetrantes.
Mar é uma palavra doce
quando se encontra com Rio.

Nome-do-pai

Poesia de sentido único (ou vários)

Quando criança ia à praia com a família
E meu* me lançava, nas ondas, no mar


* Essa poesia, se é que é poesia, mas representa o simbólico, não pode ser modificada, então resolvi acrescentar esta nota para explicar que era para escrever “E meu pai me lançava...”, suprimir a palavra “pai”, foraclusão, me dando conta posteriormente.
O sentido único da poesia, sou eu sendo lançado ao mar. Eu ia e não voltava, tinha que ser resgatado debaixo das ondas. Quando a onda era forte, era de vários sentidos, ficava em baixo sendo sacudido para cima, para baixo, para esquerda e para direita.

Na rede

É fácil escrever poesia
Basta ter atrevimento
Depois, você fica silencioso
no seu canto, comtemplando as palavras.
Como não sou mineiro,
Sou Baiano, estou na rede,
suspensa em duas paredes de sentimentos,
pescando palavras no ar.

Thursday, October 25, 2007

Planejar Esperança

Vida Cotidiana, Crítica da Vida Cotidiana e Pichon-Rivière




A Psicologia Social fundamentada por Enrique Pichon-Rivière se inscreve na Crítica da Vida Cotidiana. Pichon no livro “O Processo Grupal” diz “não há nada que não passe pela vida cotidiana”, e é nessa cotidianidade, nos fatos e nas coisas mais óbvias, que podemos indagar para encontrar a origem dos conflitos. É na vida cotidiana que se ocultam e se naturalizam os conflitos. Pichon propõe a crítica da vida cotidiana como a forma de não aceitar acriticamente o pré-estabelecido socialmente. Desocultar, desnaturalizar será a proposta deste espaço. Sair da familiaridade encobridora dessa cotidianidade.
Quantas vezes no dia-a-dia vamos aceitando aquilo que se apresenta como o natural, a superfície dos fatos, das condutas, das interações? Quantas vezes vemos e não enxergamos, ouvimos mas não escutamos; repetimos ações sem perguntar-nos o por que e o para que dessas ações? Quantas vezes cumprimentamos ao outro mecanicamente e o outro responde também mecanicamente, sem nenhuma consciência de estar no “piloto automátco”? E quando notamos ao outro, o notamos pela ausência. Quando o outro não está é que o percebemos. Questionar a cotidianidade nos implica, nos faz protagonistas de nossa história, mas não será apenas um questionar e sim buscar alternativas para mudar, dessa forma poderemos “planejar a esperança”, como diria Pichon.