Friday, August 25, 2006
disco arranhado.
Pelo menso esse, mas sendo com ela ou outra, a dor é sempre a mesma, parece que a agulha sempre pára naquela parte do disco arranhado, e fica...perversamente repetindo a mesma música na sua cabeça...ahrg...me tirem a agulha, o disco, quebrem a vitrola. Porra, vitrola, como sou antigo...
Coragem canalha!
Friday, July 21, 2006
Ocultar-me em pensamento, há de ser amor!
Quer que eu lhe ensine o caminho da perdição, disse a outra.
Não, respondi, acho que não...prefiro me perder sozinho...assim não corro tanto risco, nem coloco ninguém em perigo.
Eu corro risco com você tranquilamente, rebateu.
Não preciso de tanto afago, mas obrigado pela gentileza! agradeci, com o pulmão aberto
como você está hoje? Perguntou a amiga no msn
Deixar a vida respirar
Se um homem, quer ser feliz, tem que aprender a sofrer!
| é caro amigos, depois daquela angústia noturna, de dormir tão pouco, tive bons resultados, passei na prova de filosofia. Respondi uma questão sobre Foucault e política iluminista, tive sorte de contemplar algo que conhecia...eufôrico...imaginei...pronto, aquele Escroto ou estar do meu lado ou estar me dando apenas um gostinho. Fiz a prova de língua estrangeira, fui muito bem! Então...o desastre...ouvia tantas e quantas histórias sobre a entrevista...o que era a entrevista? Minutos antes de entrar na sala, recebi um telefonema, dizendo algo muito próximo do que poderia me perguntar, mas não adiantou, chegamos lá, sim, chegamos, eu e todos que torciam por mim, e tudo que ouvir de todos. O inesperado. Duas mulheres com cara de quem estuda filosofia, não podia ter palavrão pior, e um rapaz simpático. Uma delas fez questão de destroçar todo meu esforço para estabelecer um objetivo específico...imaginei...é o meu fim! O que dizer? tinham razões em muitas coisas, não faziam menor questão de enteder outras...nunca passei por situação tão difícil, as idéias do projeto não estavam amadurecidas, fiquei extremamente nervoso, todos meus estudos sobre o autor fugiam como se fossem ratos assustados...queria correr atrás deles, mas não adiantava, estava congelado naquela cadeira, diante de três semi-deuses que mal podia encarar, por um segundo pensei "que situação mais vexatória ter nosso destino em tão poucas palavras, numa condição que não revela nada sobre mim, é apenas um instante que está na mão daquelas pessoas estranhas a mim", falhei, perdi, ganhei duas partidas, mas a última era decisiva, eu não contei mas eles podiam acabar com o jogo e decretar a morte do rei, porque não me acharam suficientemente capaz de jogar, e assim foi, Xeque mate! E isso foi dito de forma dura com outras palavras, interromperam meu argumento, e disseram "está bom, já ouvimos o suficiente", era o fim, tinha compreendido que não andaria, nem movimentaria, mais nenhuma peça. Como um cavalheiro, agradeci o jogo, desejei um Bom Dia! e chorei, algo lá no fundo do meu coração, não cansava de dizer, você perdeu, e assim foi, perdi. Mas como disse Rousseau, se um homem quer aprender ser feliz, tem que aprender a sentir dor; se o homem quer ser feliz, tem que aprender a sofrer! E se um homem quer amar, tem aprender a perder. E o amor aqui em questão é do conhecimento. Obrigado a todos que me ajudaram, e fiquem em paz. |
Wednesday, July 12, 2006
Xeque Mate!
Monday, July 10, 2006
Meditações 1-20 (Ano:1999)
| 1. O homem realiza o trabalho. E o trabalho realiza o homem, nem sempre. 2. Deus fez o homem para poder existir. Ele era o único ser no universo, mas sentia a vaidade de ser admirado, de exercer o poder, então criou o homem, para que pudesse admirá-lo e almejá-lo, e temé-lo. Só que sabiamente se escondeu, pois se homem pudesse chegar até Deus, já teria perdido Seu trono. Na melhor das hipóteses, teria visto que o homem é a imagem de Deus, e não conseguiria admirá-lo. Logo o homem admira e deseja Deus, dando sentido a existência do divino. (1999) 3. Tenho medo da morte tanto quanto da vida. Tenho medo do julgamento, tanto quanto de não ser julgado. Imaginem se chego diante de Deus e ele diz "não tenho nada a dizer, próximo!" 4. O homem só evolui quando perde o medo daquilo que mostrá ser superior a ele. O máximo da evolução é perder o medo do Criador, da força iniciadora. (1999) 5. Choramos porque não entendemos o direcionamento da vida, sendo que alguns choram pelo dor e outros por consciência das próprias necessidades. Eu acho que choro pelos dois. (1999, mas bem que podia ser 2006) 6. As Leis, as Cartas, os Discursos, as Músicas, as Pinturas, as Danças, as Dramaturgias não acoberta as dores do homem, mas entorpece. (1999) 7. O homem tem que observar o limite da sua evolução espiritual para não forçar a natureza a que foi destinado. 8. O ser humano é um bicho idiota, enxerga o outro pelo roupa, como é fácil manipulá-los. Imbecis. 9. 15 .06.99 é igual aos 15.06 de todas as épocas, de todos omundos. 15.06 é exatamente a mesma coisa que 06.15. 10. Como disse minha vó: "onde estou? Quando eu for para minha casa, vou plantar rosas" Detalhe, estava na casa dela. De que casa estaria falando? Os médicos dizem possível "mal de Alzheimer". Eu a julgo sábia. Por falar nisso eu já voltou para casa. 11. "Deus mantém uma relação íntima com cada um de nós" (Alexandre, O grande primo) 12. É terrível! Mas precisamos, necessitamos muito serem admirados, é quase indispensável a alma humana. Mesmo que esta admiração seja uma farsa.Temos o princípio divino em nós. 13. Os livros são os meus amigos íntimos, que não falam nada, mas me dizem muito coisa. 14. Os livros são mudos diante de um cego de espírito. 15. "Amar a Deus acima de todas as coisas". Amar a quem? Acima de que? Ora, Deus é todas as coisas, Como posso amá-lo acima dele mesmo? Se Deus complica, imagine o Diabo. 16. Deus é perfeito, aprisiona o ser no corpo material e o faz pensar que está livre. 17. Hemingnay, escritor, sábio, julgou o mundo, e a si próprio, deu a sua própria sentença. Tirou a própria vida para contradizer a Deus, ou melhor, para chegar na frente Dele. Deve estar dando boas risadas no inferno. 16. A Igreja Católica doutrina a séculos, que boas ações levam ao céu, más ações levam ao inferno. Só que já estou tão habituado a este inferno, o qual eu vivo. Não sei se suportaria viver no enfadonho céu. 17. A nossa missão pode ser menos grandiosa do que realmente imaginamos, porém de grande valor pessoal. 18. O amor é a grande revelação. Tudo se torna pó diante do amor. Por isso morremos e ao pó voltaremos, diante do amor, diante de Deus? Morrer é um ato amoroso divino, nos liberta daquilo que nós somos. 19. Estamos todos sutilmente morrendo, mas só nos damos conta quando estamos deveras enfermos. A vida é a obliteração do corpo para libertar a alma. 20. DEUS, Deus, Deus! Continua em silêncio ou sou incapaz de ouvi-lo! |
Sincronicidade!
No mesmo dia, depois de algumas horas, que escrevi a postagem "passeio solitário...", coincidentemente recebi num lugar que parecia improvável um papel com palavras semelhantes ou com temática similar a que coloquei na postagem. Dizia: "Deus tem a chave que liberta você!" "...Todos nós já fomos presos alguma vez. Talvez você já tenha sido preso também por algo que você nem mesmo sabe o que. Satanás é o captor. Ele quer amarrar e acorretar você. E tem ciúmes. Somente Deus tem a chave que liberta você. A chave é Jesus. Jesus também foi preso não pelos humanos; nem mesmo pelo próprio Satanás, mas pelos nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados. E então Ele ressuscitou e derrotou a morte e Satanás para libertar você" citações de Romanos 3:23; Romanos 6:23; Lucas4:18,19; João 8:36. Imaginem! E logo a frente um colega estava falando comigo de outra igreja, a Batista. Depois, confesso, que tive a vontade ligar para ele e saber um pouco mais sobre o culto evangélico, ele já me disse uma vez que faz parte da teologia crítica, é advogado, um senhor apaixonado pelo conhecimento. É, Jung diria "sincronicidade, meu jovem, não há explicações causais que nossa mente possa alcançar". Realmente, como dizem Deus sempre manda recados, nós que somos incapazes de perceber. Mas o folheto não explicava a minha angústia...a condição coercitiva, de nos submeter a amá-Lo pelo sofrimento, ou pela culpa dos pecados que não cometi, ainda! E se eu não quisesse amá-Lo deveria sofrer, e olha que eu nem sofro tanto assim, mas penso de forma geral, que o que uni as pessoas a esta força Maior é algum sofrimento particular. Fica esta questão, pois acho que deveríamos sermos livre para amar a Deus, e não preso as nossas limitações, esta é a questão menos teológica, mas existêncial. Penso ainda, de forma problematizadora: Será o amor um estado de dependência? Esta é uma outra questão. |
Sunday, July 09, 2006
Passeio Solitário ou Duras Penas ou Segura a Galinha voando no Peito
Estou aqui...preso neste planeta, chamado "Terra" na lingua portuguesa...pouco importa o nome. Estou aqui cumprindo pena. Submetido as minhas necessidades, submetido ao meu corpo, a sociedade que vivo, aos meus condicionamentos. O pior! Cumpro pena, mas não sei qual o meu crime, nem meu algoz, poderia chamá-lo de Deus. Ora, Deus? Este não era aquele que liberta, que assim seja, se alguém pode libertar um outro alguém de algum cárcere, este alguém deve possuir chaves. Amar a Deus é a obrigação de amar àquele que lhe penitencia, amar a Deus é uma obrigação quase inquestionável, depois de tanto tentar fugir disto implantado na minha alma, chamado corpo, e com ele todas as programações de subserviência, vejo que a única saída é amar. Amar ou esquecer. Não posso esquecer...quanto mais tento esquecer mais dura torna-se minhas condições de vida...então acabamos por travar uma luta de sobrevivência, uma quebra-de-braço. De um lado, eu próprio, fraco, com medo, assustado, gritando para todos que sou forte, na minha cara está estampada, crispada a face da tristeza; do outro o soberano Deus, calmo, gentil, forte, sem nada dizer, ele é o dono do jogo, apenas me sede a luta porque é bom. Ele me imputa as mais duras penas e fico aqui, tento respirar a última molécula de oxigênio. Livre arbítrio é uma leve ironia divina. É como a Ilha do Diabo de Papilon, você está livre para viver, desde que limitado pelas águas profundas do mar, vigiadas por tubarões. Questiono-me! Que Pena? Que pena escreve minha história, que pena cumpro, que duras mãos segura a pena, suporto as duras penas? Pior que cumprir pena, é não saber o crime cometido, é ter a leve sensação de que sou inocente. Sim , sou livre, livre para me dedicar aos vícios, sou livre para antecipar algo que chegaria sem muito esforço, por que não esperar com pequenos vícios? Por que subtrair os vícios? São eles que fazem o tempo miúdo. Os vícios é a liberdade da rebeldia, é a revolta contra os deuses.Sei que o perverso e caústico Deus, rir das minhas vãs tentaivas de palavras, é como ele soubesse que teclas vou apertar antecipadamente, prever até os meus erros de digitação, prever ou controla, sinto que está sempre a minha frente, o que fazer? Sentar numa pedra, olhar o mar. Não sei? Outro dia, pensei, sou um homem que Caminha, neste instante fiquei feliz por esta possibilidade, por este prazer tão simples, por saber que posso caminhar, passeiosolitário, mesmo que muitos ao nosso lado, as vidas são eternos passeios solitários... |
Saturday, July 08, 2006
Que dia...."fiquei aperreado"
Monday, July 03, 2006
Carnaval 2004
Sunday, June 25, 2006
Carnaval 2005 - Texto 0
Ou será que eles colocaram pensando nas referências “afro”, já que é uma banda afro-pop. Entenderam a piada, afrodisíaco; é assim mesmo, não era para rir. A banda é no mínimo interessante, pois além desta festa etimológica que nos lembra das nossas raízes arquetípicas, passando pelo rock e chegando ao carnaval lasci-erótico-baiano, os dois cantores principais da banda, também, possuem nomes curiosos. Um nome é francês, Pierri, associado ao sobrenome mais importante da história do mundo bilionário, Onássis. Nome que ficou conhecido com Jaqueline Kennedy Onássis, que após sua trajetória de grande dama americana casou-se com o bilionário Aristóteles Onássis; ora, novamente voltamos à Grécia. Este mundo é deveras cíclico. O outro cantor, não menos curioso, parece um nome indígena de raízes tupi, Jauperi, não conseguir nenhum estudo onomástico, mas dizem que os íntimos chamam nosso renomado cantor de “Jaú”, bem que poderia ser Chau (derivação interiorana de tchau [origem italiana, ciao - até logo, até à vista]). Partir para alhures, além do mar, voltar de onde nasceu das espumas do mediterrâneo e por lá ficar. Mas não, a Bahia não é assim, terra mãe de pernas abertas, de índios que viram nos portugueses deuses, tudo acaba no dendê. Pega tudo, meniniiiiiinho, joga na fritura, mete a pimenta e teremos a miscigenação global baiana: afro-gregos-romanos-italianos-franceses-índios-americanos e baianos, tudo inteiro em uma só banda. Aja camisinha. Este carnaval estou vendo que “já é” demais para minha cabeça.
Carnaval 2005 - II
Eu estava até me saindo bem diante das confusões, eu fiquei atrás daqueles bancos de observação da PM, não vi briga nenhuma quando estava parado. Então, resolvi sair, e tive sorte, quando eu passava, logo depois tinha briga, ou seja, por questões de segundos não era coadjuvante da briga. Eu não vi briga nenhuma, mas sabia que alguma coisa acontecia, até porque passava um monte de gente amarrado no cassetete (eu pensava que esta palavra era com dois “c”). O mais triste foi ver um rapaz 1,75m, com o braço da espessura de um sofá ser espancado por quatro rapazolas (digo de passagem que eram brancos e fortes) até a inconsciência e sua cabeça sendo pisoteada no chão da Barra, antes da polícia chegar saíram correndo vitoriosos, com as madeixas loiras sumindo na multidão. Eu, maluco, fiquei tão indignado que num gesto reflexo, quando a polícia chegou, eu fiquei apontado para o lado que os caras correram, falando para os policiais perseguirem. Eu já estava indo embora, eram 5 horas da manhã, mas depois desta o carnaval acabou este ano para mim. Para me consolar da imagem fiquei imaginando que aquele rapaz tinha feito algo de muito ruim para despertar o ódio de quatro pessoas.
Contudo, fiquei animado também, olhando para cima dos trios, apreciando alguns siliconizados, e admirando os micro-shorts jeans que impedem que as mulheres respirem, mas como você sabe é estímulo contínuo, e logo perde a graça. Fiquei na dúvida, em certo momento, se ficaria bêbado ou não, para suportar o restante das horas, resolvi não procurar este caminho da felicidade, porque meu irmão estava bebendo, e caso precisassem estaria pronto para dirigir. O melhor momento foi quando passou o trio de Carlinhos Brown, o trio sem cordas, bonito, sair acompanhando o trio por um percurso imenso de 200 metros, do clube espanhol até o camarote da Skol, e aí você já sabe, ele ficou colocando músicas de propaganda da Skol, e além do mais o som estava absurdamente alto.
Mas carnaval é isso aí, aiai! Termino com uma frase de amiga: “Não se anime a ir fazer o carnaval nas ruas de Salvador! Não se atormente porque os outros vão e acham fantástico, cada um tem o que merece ou que procura, ou melhor, escolhe!!!”
Um beijo no seu coração, “coração”, isso me lembra alguém.
P.S.: estou admirado com as reportagens do jornal A Tarde, mesmo escrevendo algumas vezes sobre codinome (Columbina Tresloucada) , estão expondo a “ira” do carnaval, junto com a “luxuria” e a “vaidade” e a comercialização do carnaval baiano.
Victor
Carnaval 2005 - I
Resolvi ficar quinta-feira em casa assistindo a programação de carnaval, era uma tática de me sentir reprimido, em alguma hora surgiria aquela vontade de ir à rua. Os foliões na quinta-feira até que estavam bem alegres. Na sexta-feira me deu até uma pontinha de vontade, mas achei que não era suficiente, era necessário mais repressão. Fiquei de novo assistindo a programação, os foliões ainda estavam muito alegres, achei que era reprise, pareciam às mesmas pessoas, os repórteres diziam as mesmas coisas. Não era reprise, era sexta-feira, dia do Expresso 2222, tinha certeza que quando eu ouvisse o Trio iria ficar enlouquecido, mas não foi o que eu esperava. Um ministro roco, uma filha de ministro sem voz, um trio muito alto, uma banda desafinada. Eu ficava passeando entre a TV Bahia e a Bandeirantes. Astrid esbanjando ignorância da cultura baiana, e convidou Carla Perez para comentar. Umas reportagens ao vivo sem sincronia, repetindo o tempo todo a chamada do canal, falando frases criativas como diga aiai, folia, alegria, energia, enguia...
Todos os repórteres com a cara de exausto, suados, rocos, vazios, faziam entrevistas com os artistas que diziam absolutamente nada, diante de perguntas que duvidam de nada. Kátia Guzo perguntou a Rogério Flausino (para quem não conhece aquele da banda Jota Quest): _Você sabia que estamos comemorando 20 anos de música axé no carvanal!?. Ele respondeu: _ é! Existe (sic) muitas controvérsias, mas o mundo é feito de contradições, e o povo da Bahia é muito bonito. Ele aprendeu rápido esta energia barroca da Bahia. Pra finalizar o dia, ouvir o Guig Gueto rodando o gado, digo, os foliões para frente do trio com uma música: “todo mundo para frente, todo mundo para frente, todo mundo para frente, eu pedi todo mundo para frente”. E as pessoas iam se deslocando para frente do trio, saltitando, pulando, balançando o derrière. E quando todo mundo chegou na frente, ele cantou para todo mundo voltar para trás, vá entender alegria baiana. A única coisa compreensível é as pessoas ficarem bêbadas no carnaval. Eu fiquei muito reprimido, mas foi para ficar em casa.
A TV educativa seria minha salvação? A TVE estava realizando um memorial do carnaval desde o início do século XX. Estavam apresentando na sexta-feira um antropólogo, Antônio Godi; um historiador, Jaime Sodré; a Diretora do Projeto Pelourinho Dia e Noite (que estava programado para acabar), Tânia de quê mesmo? E um produtor cultural do pelourinho. Excluindo a representante do governo e a repórter todos eram negros, a figura do intelectual negro ficou pop depois de Milton Santos. A discussão era sobre a revitalização do carnaval no pelourinho e dos blocos afros, chegaram à conclusão que o carnaval da Bahia era enlatado para turistas, e que os blocos afros não se insurgem como na década de 70. Falta a estes representantes da auto-estima da raça negra dinheiro público que é injetado nos camarotes e trios elétricos dos Browns da vida, mas Brown é marrom, e marrom na Bahia é neguinho, deve ser o marrom mas branco da cidade. Estava ficando pior, cada vez mais reprimido para ficar em casa.
Ainda resistia no sábado, liguei a Internet, e fiquei impressionado com o esquema de segurança do carnaval, fiquei imaginando que a Polícia Militar da Bahia poderia prestar consultoria em vários eventos carnavalescos ou ocupação de países em guerra, talvez prestar auxílio à milícia USA no combate a guerrilha iraquiana. Que mau gosto, está ficando muito sério este texto. Liguei para um amigo com ares animado para sair no sábado, e a primeira coisa que perguntei foi: _ E aí como está o carnaval? Está muito violento? Ele ficou sem entender porque eu estaria ligando 10:00h da manhã para perguntar aquilo, depois confessei para ele que não estava animado para o carnaval, ele me consolou dizendo que também não, contudo me deu vontade de sair já que não está tão violento, e ver a demonstração dos pelotões militares. Diga aí, Diga aí, aiai: É só alegria?
P.S.: 147 detidos, sendo que 101 foram no Circuito Dodô. Lesão Corporal e Agressão Física/rixa 36, sendo que 21 foi no Circuito Dordô. 81 furtos, sendo que 73 foram no Circuito DorDor. Ocorreu um total de 280 sacanagens (expressão minha), sendo que 211 foram no Circuito Dódó. Fonte: Centro de Estatística e Documentação Policial (CEDEP). Eu fiquei lendo o jornal e a matemática está errada, logo em cima do quadro que eles chamam de “Balanço no primeiro dia do carnaval 2005”. A uma nota do repórter Cristóvão Rocrigues dizendo que tiveram “Mais de 100 abadás roubados”. Pelo registro da política ocorreu 11 roubos, estes dados estão estritamente ligados aos circuitos e horários do carnaval. Já que existe o Carnaval para turista ver, existe também a violência para turista ler, até que um dia passe ser a vítima fora ou dentro do Carnaval.
Afeto aquilo que nos afeta
Uma idéia começa com uma linha...
Passei horas pensando na proposta temática que me emaranhei...ficava como um gato a brincar com a ponta da linha do novelo, quando mais eu puxava mais embolado ficava...
Como poderia tratar do “afeto como proposta terapêutica!” ou o “afeto catalisador”...que difícil proposta eu me propus. Pensei: “começo a abordar pelo conceito de transferência”...não! Definitivamente o termo não trazia calor. Imaginei por alguns instantes que na faculdade não nos ensinam sermos afetuosos, e a afirmação, voltou como pergunta: “afeto como proposta terapêutica?”. Não me lembro desta aula...a manifestação do afeto era o calcanhar de Aquiles do psicólogo, alguns professores até concordavam que isso poderia se manifestar numa relação terapêutica, diziam eles: “tudo bem, somos humanos, podemos mostrar nossos pontos fracos”; ou então, “quando a psicologia não pode ajudar, seja acolhedor”. Não, não é isso, que vejo em Nise da Silveira, o afeto não surge diante dos limites da psicologia. Ela propõe o afeto como proposta da psicologia. O que precisa ser dito? Nada, o afeto se sente, se expressa no olhar, no toque, no silêncio, na mínima expressão para o máximo de efeito. Antes de o homem aprender a pensar e a olhar; sentia, olhava e tocava.
Um dia estava desenvolvendo um trabalho no grupo escolar, e de repente uma das senhoras que participava do grupo de discussão, me chamou de “bichicólogo”, obviamente estranhei a expressão, mas ela tinha construindo um novo sentido para o psicólogo, e falou que era uma junção de “bichano” e psicólogo. Era assim que ela tratava o filho dela, todos os outros membros do grupo, riam e concordavam. Eu era uma espécie de psicólogo gato, não pela beleza, modesta parte, mas porque se constituiu afeto na relação, confiança; mas também, muitas vezes, fui colérico. Poderia ser dócil e amável, mas poderia assumir meu aspecto feroz, como diz Nise sobre o simbolismo do gato.
Em nenhum momento, isso foi explicado para o grupo, mas elas sempre me dirigiam desta forma, “bichicólogo”, eu despertava nelas um animal interno, como diz Nise, “a psicologia terá de dar muito atenção ao animal no mundo interno do homem, animal que faz parte intrínseca de sua evolução tanto biológica como psicológica, e do qual a função configuradora de símbolos do inconsciente se utiliza para exprimir forças muito profundas” (O mundo das Imagens, p.113). Mas como isso se relaciona ao afeto catalisador? O animal, dito irracional, estabelece vínculos de confiança com as pessoas para que elas possam se sentir mais seguras nos seus processos de aprendizagem, solidão ou escuridão da alma. Nise chama os animais de co-terapeutas, a primeira vez que li isso, achei uma ofensa, como eu posso passar cinco anos para ser um terapeuta, e um animal só por ser animal é um co-terapeuta. Mas depois entendi que deveríamos aprender observando a natureza, não apenas a natureza do mundo externo, mas a nossa natureza interior.
Primeiro amamos a nós próprios, depois amamos os outros e a quem nos ama, a minha felicidade será constituída junto com a felicidade do outro. Se estiver difícil de atravessar a ponte, pegue na mão da pessoa, ensine a ela a olhar nos olhos para que não olhe para baixo, e se algum momento ela tiver medo de cair, diga que vocês estão juntos. Precisamos constituir vínculos que diminuam nossa ansiedade e angústia de estar no mundo, e que a vida seja uma eterna aprendizagem ao lado do outro e ao outro lado.
Colando a Alma
02 de Agosto
Olá ........,
Esta missiva será breve, honesta e alegre. As pessoas nunca poderão saber o que é ou o que foi o sentimento do outro, mas só em dispensar um gesto de humanidade, dirigir o olhar e ficar em silêncio se não puder ajudar é um conforto para aquela alma despedaçada. Fiquei muito contente porque você expressou no segundo parágrafo o mais doloroso sofrimento de alguém que amou, a indiferença. Que bom! Você queira observar e mudar a sua impulsividade, eu tenho certeza que não é fácil para você, mas não procure o caminho do racional (“da política”), pelo menos com as pessoas mais próximas, apenas pense que a pessoa ao seu lado não precisa se machucar com as suas fagulhas.
Peço licença para reproduzir uma frase inteira sua: “...o grande problema foi você ter me amado demais,... “. Para mim, amar alguém não é e nunca vai ser um problema, amo, amo muito e sempre amarei as pessoas com a mesma intensidade e sinceridade que te amei. Eu tinha algumas dúvidas sobre isso, mas percebi, com o fim da relação, que eu amo amar, gosto tanto de ter uma relação sinceramente amorosa, que às vezes penso até que é egoísmo. Agora, não confunda! Eu sempre tive a minha personalidade, sempre fiz as coisas que eu gosto, e cultivei as minhas amizades na relação, se eu não gosto de turma é com ou sem uma relação, eu sempre te disse isso, aliás, os meus amigos são raros, poucos, sinceros, e eu os amo, dizem que os bons amigos sempre aparecem nas horas difíceis, eu descobri muita gente que me ama.
Entenda que eu gostava de estar o tempo todo ao seu lado, mesmo calado, em silêncio, fingindo que não estava te vendo, te amando em sussurros, a sua companhia me oferecia conforto. Um conforto espiritual difícil de explicar, eu apenas me sentia muito bem ao seu lado, e queria que você fosse aquela pessoa que eu contasse coisas que só você poderia saber, mas nem isso você consegue entender no amor. Percebi com o fim da relação que eu aprendi na minha vida uma maneira de amar, muita companheira, muito familiar, muito doméstica. Amar para mim vai ser algo sagrado, será um sacerdócio, um momento de subversão, de liberdade, poucas pessoas sentem ou entendem o que estou falando, sempre pintam o amor com cores pardas, não entendem que amar é um arrebatamento. O sexo vai ser um ritual, a missa, um momento de meditação, reflexão, consumação amorosa, o princípio das coisas, a simbologia do viver, a magia da multiplicação e no amor o mistério da expansão.Como você mesmo disse estou pronto para amar uma Outra pessoa, tão intensamente quanto foi com você, por falar nisso sofri da mesma maneira que te amei, eu acho que por viver a sinceridade dos meus sentimentos é que eu consigo sorrir agora. Seja Feliz...
Um caloroso abraço e um beijo fraterno
Victor.
Nua solidão
Sinto-me só no mundo, encontro abrigo no peito dos meus amigos, no seio da minha mãe, na mão escorregadia da minha irmã. Não sei onde minha voz ecoa, inúmeras vezes parece que o som estridente dos meus pensamentos cai no buraco oco dos sentimentos das pessoas. O que fazer? Poesia, falar para si próprio no papel àquilo que nem todos querem ouvir, mas querem ler no silêncio da solidão, e estando só percebem que não são os únicos.
"Relatos de uma guerra que não acabou"
Foi esclarecido, inicialmente, por um dos jovens, que algo nos movia para estarmos por livre expressão da vontade, dedicando uma tarde de sexta-feira a pensar sobre questões aparentemente tão distante de nós. Este jovem de corpo esguio e cabelos encanecidos apontou para os ígneos “bombardeios” que nos atingem: a informação. Assim como o Iraque mostra-se indefeso diante da tecnologia bélica americana, nós também nos mostramos indefesos diante da tecnologia da informação americana. O canal americano de notícias (CNN) cobre a guerra durante vinte quatro horas, fornecem as imagens, o modelo jornalístico e o modo de pensar americano. A nossa razão, o nosso “antimíssil” dos bombardeios da mídia, se encontra obsoleta, não há mais defesas das subjetividades.
As imagens da guerra são tão reais quanto um filme de ação, e os filmes de ação são tão fictícios quanto a imagem da guerra. A banalização da imagem, da informação, da vida humana não permite reflexões críticas, e assistimos as atrocidades com um saco de pipoca e Coca-cola esperando que um “homem-bomba” exploda alguns soldados americanos, ou o avanço da Colisão, progressivo e veloz a Bagdá, devolva a paz e a democracia ao Iraque: “a 50 Km de Bagdá...a 30 km de Bagdá...Chegaram ao aeroporto”, respiramos aliviado, que bom! (este texto pode estar desatualizado, eles podem já estar em Bagdá). Todas as idéias contemporâneas maniqueista são simbolizadas por duas figuras: Bush e Hussein. Deus e o diabo que mandam seus anjos, com ou sem tecnologia, para matar ou para morrer, oferecendo prêmios ou condecorações que vão pendurar na porta do céu ou do inferno.
O jovem ancião diante deste quadro lançou as perguntas: “que consistência há para estas duas pessoas agirem?” Se temos uma quantidade imensa de pessoas a favor da guerra, e de pessoas que se propõe a exterminar ou serem exterminadas, há algo que impulsionem estas pessoas?” Um longo e esperado silêncio tomou a sala, o máximo que eu conseguia ouvir era as respirações ofegantes, os olhares distantes estavam focando o interior, as cabeças baixas. Até que...até que a resposta ficou suspensa no ar, e surgiu o primeiro desabafo. Um sentimento de impotência, culpa, responsabilidade por esta e outras guerras cotidianas que nos circundam, todos tem dentro de si uma perversão e uma capacidade incrível de justificar os seus atos. Vergonha da guerra, vergonha da sociedade, vergonha do motivos da guerra, mas não há o desejo de abrir mão da estabilidade e dos prazeres para resolver problemas do mundo, o máximo da ação é reunir numa sexta-feira à tarde, desabafar e voltar para a casa em paz, estas foram as falas do primeiro desabafo, e o estopim para que surgissem outros.
Talvez ela não percebesse, mas se reunir numa sexta-feira à tarde já era um grande passo: “Com angústia e liberdade se forma a aventura humana (...) no neurótico desaparece a liberdade e resta só angústia” (López Ibor, citado por Saback)[1]. Como já foi dito nós estávamos reunidos por uma “livre expressão”, aquilo que poderia transformar-se num sintoma somático, transformou-se numa ação, a angustia associada à liberdade permitiu que ela se movimenta-se para sala, para a cadeira, para o verbo. E, assim, desencadeou momentos sublimes de expressão. Cada fala repetida, acrescentada, renovada, era um momento único da ação, o discurso em si próprio se afirmava. Naquele momento pudemos ficar distantes da vigília institucional do discurso, e livre dos sentidos que ele poderia trazer e nos comprometer, ficou estabelecida uma cumplicidade tácita, nos dando a plena liberdade de expressar as nossas emoções, revoltas e reflexões; o discurso lógico, foi aos poucos ficando distante da “sacana da razão”. A lógica era um vício do discurso, que se misturou com as lágrimas de um dos participantes, ao denunciar as contradições entre a ação e os ensinamentos acadêmicos. Esta contradição, que não poderia faltar o termo do final do século XX, é “globalizada”.
E quando retomamos a pergunta inicial, qual é a consistência que permite a ação dos centros de poderes? Chegamos a conclusão que é a decisão e a escolha de cada um retorcida e disfarçada na forma de cultura, que importamos não só a tecnologia, mas a linguagem, a comida, a roupa, o cinema etc... nos tornando consumidores compulsivos das american drugs, que justificam um sistema para sustentar os nossos vícios, e que antes de qualquer impulso para percepção do outro, colocamos na frente da “humanitária” razão, os nossos “prazeres”. Surgem outras questões estamos livres da guerra, do espírito belicoso, do sentimento de destruição, do desejo perverso de defender os meus prazeres? Este texto é apenas uma multiplicidade, no melhor estilo foucaultinao, da efemeridade do discurso, que repercutiu, inovou, e multiplicou-se em cada participante daquela sala, tornando-se eterno.
[1] SABACK, Eduardo. Angústia e Contemporaneidade. In: Revista Estudos Acadêmicos. Maio 2002 – Ano 4 – n.º 01.