Thursday, October 19, 2006

Diário de Vôo

Aqui registra-se o dia em sair da terra, e fiquei a voar pelo céu azul, ao lado do sol. Primeiro vôo, estava a ler "Vôos e raízes" de Gustavo Barcelos, o capítulo "Relendo Babel" que abordava a metáfora de Babel como a arrogância humana de alcançar o céu. "Os homens indo para cima, num impulso ascedente espiritual de puer e unificação, e Deus vindo para baixo, forçando a humanidade ao vale espalhado da alma encarnada" (p.162, Barcellos). Segue agora as inscricões aleatórias da alma irradiante pela possibilidade de voar.
Vôo 7472 - Salvador - Porto Seguro. Espírito e alma contrastam. Perguntei ao homem de rua, aparentemente psicótico, "onde tu morás?" e ele responde "em terra FIRME. E você?". Ele não desafia Deus. O meu chão agora é as nuvens. Vejo um chão de nuvens. Tapere branco de oxalá. Passei pelas nuvens e não vi nenhum Deus e nenhum Santo. Que decepção.

Wednesday, September 13, 2006

Sonho-primeiros dias de setembro

Acordava no meio da noite para tomar um copo d´água. Ouvi algum barulho, e me deparei com mulheres fantasmas, e sentir uma forte atração, mesmo sabendo que elas estavam em forma espiritual. E as beijavas ardentemente...apareceu a imagem de uma ex-namorada, como uma destas mulheres. Ela tentava me seduzir e ao mesmo tempo negava, quando eu me afastava dela, se oferecia. (sexta-feira)

Apareci acaraciando uma bela morena (li), depois uma ex-namorada, e depois (enf), tudo me parecia muito real. (domingo)

Logo depois, sonhei que precisava tomar um café, fui até a Lapinha, olhei um cardápio, fiquei na dúvida se iria ou não tomar café. O dono conversou comigo, meio que se desculpando e analisando minha personalidade. Dizia "você que é criterioso e quer diversidades, não irá encontrar aqui por perto, mas tem a lanchonete de Darlas que pode encontrar um bom café da manhã". Não me sentia tão criterioso no sonho, só queria comer um café da manhã caseiro, e não doces e salgados. Fui até a lanchonete indicada, e tomei um café com leite, com pão. Não era ainda que eu queria, mas me satisfez. Passei, depois na casa de Eduardo, estava preparando um outro café, disse que já tinha tomado, mas o acompanhava enquanto jogávamos xadrez. Ele estava preocupado muito com o parente que estava agredindo a mulher. Enquanto isso, passava uma mulher que cuidava da casa com um ar meio sujo, sempre com uma ponta de cigarro na boca, e eu pensava que as cinzas iriam cair na comida, mas que ela iria mexer, e ninguém iria notar. Eduardo queria uma forma de solucionar o problema, depois apareceu c., falando que a mulher estava no cárcere privado, que todos os portões tinham cadeados. Eduardo não concordou, não achou isso possível, falava que era para segurança, e c. ratificava que a mantinha presa. Saímos para comer algo, e os levei a lanchonete que tomei um café com leite com pão. (domingo)


Estávamos em guerra, e a missão era matar o exército inimigo, só que ninguém poderia fazer isso, só eu. Quando peguei minha espingarda, e me dirigi ao front de batalha, os inimigos eram crianças que eu acertava, algumas morriam, outras não, outras acertava em cheio na cabeça, outras no braço. mas consegui cumprir a missão. (13 de setembro-quarta-feira). O Puer em algum momento precisa receber sua punição, que sejam no sonho, melhor para mim.

Friday, August 25, 2006

disco arranhado.

eu fiquei tão triste, após o fatídico resultado, que abandonei este blog. Foi tão decpcionante, após tanto esforço, ver pessoas tão empenhadas em me fazer perder na entrevista. Confesso que meu projeto não era melhor do mundo, mas foram demasiados cruéis. E depois, percebi que o caminho da filosofia estava sendo um refúgio para assumir aquilo que me formei, psicólogo; fugia desta condição como o diabo foge da cruz. Resolvi assumir a vida, a profissão, batalhar um emprego, e todas as suas conseqüências, ainda espero até hoje, uma possibilidade de empregabilidade, está tão difícil, é de apertar o peito ter tão pouca ajuda. E quem poderia me ajudar, ignora, esqueçam estes detalhes...é triste! ...sem emprego, parece que tudo mais está parado. Emprego, meu bom e perverso Deus, será que a falha é minha? Um amigo meu, materialista, ateu, falou que eu preciso me concentrar nos meus objetivos, talvez tenha razão. Manter forte...bem...fora isso...tive um bom encontro com uma ex-namorada e foi legal revê-la e fazermos as pazes, estávamos afastados, distantes um do outro, e conseguimos fazer uma boa integração, digamos assim. Mas entendi porque mantive distante dela por tanto tempo, de alguma forma, ainda me atrai muito, me interessa, me desestabiliza...é cruel, ser dependente de sentimentos. Preciso me manter vigilante e atento, para não sofrer, se é que pode evitar sofrimentos, se é que pode! (suspiro)
Pelo menso esse, mas sendo com ela ou outra, a dor é sempre a mesma, parece que a agulha sempre pára naquela parte do disco arranhado, e fica...perversamente repetindo a mesma música na sua cabeça...ahrg...me tirem a agulha, o disco, quebrem a vitrola. Porra, vitrola, como sou antigo...

Coragem canalha!

sou tomado por uma trsiteza, por uma impotência, ao mesmo tempo que perdura na minha mente a vontade de seguir um rumo, procurar um caminho sem saída, já pisado antes, sem retorno, um vício. Sei que não posso segui-lo, por isso durante tanto tempo mantive tantas opiniões negativas deste caminho. Agora, que a vejo sem julgamento, retorna o sentimento de encontro do caminho perdido. é doloroso, preicso apredner a viver sem este retorno de forma saudável, é duro, às vezes fica uma idéia obsessiva, deveria etnrar e sair sem problemas, mas não consigo, retorno sempre onde me deixaram, que merda....quero sair deste lugar, preso, inacabado, perseguidor, aterrozrizante...minha mente se aprisiona em desejos, que me levarão ao sofrimento. saia, corra, evite...pule, transgrida seu desejo, mas nunca perca de vista, não deixe que ele se reprima, o reprima, com positividade, não deixe que ele te domine, o domine, com força, não deixe que ele te enfraquece, o enfrequeça...coragem, canalha...não sei porque estafrase sempre me ajuda! Coragem canalha!

Friday, July 21, 2006

Ocultar-me em pensamento, há de ser amor!

Estaria, estou, ou pretendia estar apaixonado por uma garota dez anos mais nova do que eu, sem a densidade daqueles que amam, sem franzir a testa, sem rusgas, sempre sorrindo e dançando, com a beleza de uma menina que descobriu o prazer de balançar o cabelo ao vento, o corpo, e banhar-se nas águas doces de um lago que se agita em pequenas ondas com a brisa que alisa a superfície. Natural, pois não, me encantar por uma beleza tão fugidia, tão etérea, tão pouca minha. Natural, querer me desorganizar, desestabilizar, amar sem retidão, perder-me em fantasias, tão louco penetrante seria...Hei de ser feliz, Bey? Não, e daí...o fim é outro...é ocultar-me em pensamento, é suspirar, é dizer boa noite, te amo, coisas assim, que escapam irresponsalvemente dos nossos lábios como beijos roubados. Loucos beijos molhados.
parei de achar um monte de coisas...até porque nunca perdi nada...estou querendo me perder, se encontrarem um caminho para que possa me perder, me digam.

Quer que eu lhe ensine o caminho da perdição, disse a outra.

Não, respondi, acho que não...prefiro me perder sozinho...assim não corro tanto risco, nem coloco ninguém em perigo.

Eu corro risco com você tranquilamente, rebateu.

Não preciso de tanto afago, mas obrigado pela gentileza! agradeci, com o pulmão aberto

como você está hoje? Perguntou a amiga no msn

não sei...acho que bem...talvez em silêncio. ouvindo milton, escrevendo pensamentos no blog secreto, sonhando platonicamente em amores dormidos, respeitando minhas lágrimas, mais ainda a minha risada, depois de chorar, correr atrás da divina teta.

Deixar a vida respirar

Um bom amigo de caminhadas diria que viver é simples, basta abrir o pulmão e deixar o ar entrar, tudo distante disso é hermenêutica, falaria com o ar irritado. Talvez tenha razão, talvez por um segundo, aquele segundo que o ar entra e sai com moléculas de carbono. Talvez precisemos abrir o pulmão, o coração, a alma e respirar tudo que é vida...

Se um homem, quer ser feliz, tem que aprender a sofrer!

é caro amigos, depois daquela angústia noturna, de dormir tão pouco, tive bons resultados, passei na prova de filosofia. Respondi uma questão sobre Foucault e política iluminista, tive sorte de contemplar algo que conhecia...eufôrico...imaginei...pronto, aquele Escroto ou estar do meu lado ou estar me dando apenas um gostinho. Fiz a prova de língua estrangeira, fui muito bem! Então...o desastre...ouvia tantas e quantas histórias sobre a entrevista...o que era a entrevista? Minutos antes de entrar na sala, recebi um telefonema, dizendo algo muito próximo do que poderia me perguntar, mas não adiantou, chegamos lá, sim, chegamos, eu e todos que torciam por mim, e tudo que ouvir de todos.
O inesperado. Duas mulheres com cara de quem estuda filosofia, não podia ter palavrão pior, e um rapaz simpático. Uma delas fez questão de destroçar todo meu esforço para estabelecer um objetivo específico...imaginei...é o meu fim! O que dizer? tinham razões em muitas coisas, não faziam menor questão de enteder outras...nunca passei por situação tão difícil, as idéias do projeto não estavam amadurecidas, fiquei extremamente nervoso, todos meus estudos sobre o autor fugiam como se fossem ratos assustados...queria correr atrás deles, mas não adiantava, estava congelado naquela cadeira, diante de três semi-deuses que mal podia encarar, por um segundo pensei "que situação mais vexatória ter nosso destino em tão poucas palavras, numa condição que não revela nada sobre mim, é apenas um instante que está na mão daquelas pessoas estranhas a mim", falhei, perdi, ganhei duas partidas, mas a última era decisiva, eu não contei mas eles podiam acabar com o jogo e decretar a morte do rei, porque não me acharam suficientemente capaz de jogar, e assim foi, Xeque mate! E isso foi dito de forma dura com outras palavras, interromperam meu argumento, e disseram "está bom, já ouvimos o suficiente", era o fim, tinha compreendido que não andaria, nem movimentaria, mais nenhuma peça. Como um cavalheiro, agradeci o jogo, desejei um Bom Dia! e chorei, algo lá no fundo do meu coração, não cansava de dizer, você perdeu, e assim foi, perdi. Mas como disse Rousseau, se um homem quer aprender ser feliz, tem que aprender a sentir dor; se o homem quer ser feliz, tem que aprender a sofrer! E se um homem quer amar, tem aprender a perder. E o amor aqui em questão é do conhecimento. Obrigado a todos que me ajudaram, e fiquem em paz.

Wednesday, July 12, 2006

Xeque Mate!

Véspera da prova do mestrado...dia incomum...não conseguia dormir...tinha que fazer uma prova na qual tinha pouco conhecimento da filosofia contemporânea, fiquei imaginando o que será que vai cair...para piorar me entreguei na noite passada a um romantismo desfreado. Destes que sabemos que não podemos beber nem fumar, principiando uma gripe, e me entrego ao sereno, a quatro cervejas, algumas barrufandas de cachimbo e um cigarro gudan. Estava querendo piorar minha situação... depois eu e um amigo jogamos uma mão de xadrez, e estava tudo certo, o jogo era meu, estava com o melhor posicionamento de peças, ele só estava atacando com a rainha. Eu estava com o peão passado, a uma casa da inversão de peça, com uma torre logo a frente, deveria inverter a peça assim que pudesse, mas não, resolvi puxar o cavalo para defesa, ao invés da torre, e pronto meu jogo foi ao fim, xeque mate. Fiquei à noite imaginando que a vida se acaba num segundo...num movimento errado, numa falta de atenção. Não era o pensamento ideal para quem vai realizar uma prova. Deitei imaginando que poderia ganhar o jogo, "se não"...as condicionais nos matam. Dormir mesmo assim, até duas da manhã, acordei, e imaginei se for assim na prova...não conseguia dormir de forma alguma...se por uma frase equivocada eu perco, o pior que nunca vou poder saber qual a peça movimentei errada na prova. A gripe piorou, a garganta começou a doer, não deveria beber, nem fumar, deveria tomar uma sopa quente, um chã, um suco de laranja, por que às vezes tomo decisões por paixões? Isso é romantism. (desculpe os erros de datilografia, ainda estou pagando pelas faltas de ontem, espirrando muito). Resolvi que poderia modificar em parte esta realidade, levantei, já era 4:00 da manhã, aqueci uma água, tomei u chã de bodo, procurei de camomila, esquentei um leite com chocolote, fiquei um pouco olhando para as coisas, o vencedor do xadrez, estava lá...todo feliz, tendo o sono dos justos...ah que inveja...queria tanto dormir como vencedor...pelo menos aquela noite...tenho certeza que se ele soubesse deixaria eu ganhar, mas aí não teria o mesmo sentido. Meu consolo, é que eu ganhei por tempo, ora tínhamos marcado uma mão de 10 mínutos, depois dele ter dito que não iria jogar por causa da hora. Aconteceu que eu estava jogando rápido e bem, e ele começou a amarrar o jogo, para não impedir o tempo continuei jogando rápido e ele passava 5 minutos analisando uma jogada, ou seja, ele recuou na hora que percebeu que iria perder, e eu fiquei com o sentimento de estar atrpalhando o tempo, e continuei jogando rápido...ah, vamos lá...é um consolo dos fracos...preciso de um consolo. Olhava o relógio e cada hora que passava, me comportava que nem Poliana, pôxa vai ser tão bom se eu dormir agora, tenho 4 horas para dormir, 3 horas, 2, 1, que bom tenho 15 minutos para dormir, finalmente dormir, e acordei era hora de me arrumar. Fiz uma prova...não posso dizer que é boa ou má, fato que discorri sobre a questão de sistema de análise de poder político contratual-opressão ou guerra-repressão. Vamos lá, voilá, como diria os franceses, espero que os Santos me consolem....depois eu digo o resultado desta partida, e o quanto me sinto com tudo isso. Xeque mate, é péssimo ouvir isso!

Monday, July 10, 2006

Meditações 1-20 (Ano:1999)

1. O homem realiza o trabalho. E o trabalho realiza o homem, nem sempre.

2. Deus fez o homem para poder existir. Ele era o único ser no universo, mas sentia a vaidade de ser admirado, de exercer o poder, então criou o homem, para que pudesse admirá-lo e almejá-lo, e temé-lo. Só que sabiamente se escondeu, pois se homem pudesse chegar até Deus, já teria perdido Seu trono. Na melhor das hipóteses, teria visto que o homem é a imagem de Deus, e não conseguiria admirá-lo. Logo o homem admira e deseja Deus, dando sentido a existência do divino. (1999)

3. Tenho medo da morte tanto quanto da vida. Tenho medo do julgamento, tanto quanto de não ser julgado. Imaginem se chego diante de Deus e ele diz "não tenho nada a dizer, próximo!"

4. O homem só evolui quando perde o medo daquilo que mostrá ser superior a ele. O máximo da evolução é perder o medo do Criador, da força iniciadora. (1999)

5. Choramos porque não entendemos o direcionamento da vida, sendo que alguns choram pelo dor e outros por consciência das próprias necessidades. Eu acho que choro pelos dois. (1999, mas bem que podia ser 2006)

6. As Leis, as Cartas, os Discursos, as Músicas, as Pinturas, as Danças, as Dramaturgias não acoberta as dores do homem, mas entorpece. (1999)

7. O homem tem que observar o limite da sua evolução espiritual para não forçar a natureza a que foi destinado.

8. O ser humano é um bicho idiota, enxerga o outro pelo roupa, como é fácil manipulá-los. Imbecis.

9. 15 .06.99 é igual aos 15.06 de todas as épocas, de todos omundos. 15.06 é exatamente a mesma coisa que 06.15.

10. Como disse minha vó: "onde estou? Quando eu for para minha casa, vou plantar rosas" Detalhe, estava na casa dela. De que casa estaria falando? Os médicos dizem possível "mal de Alzheimer". Eu a julgo sábia. Por falar nisso eu já voltou para casa.

11. "Deus mantém uma relação íntima com cada um de nós" (Alexandre, O grande primo)

12. É terrível! Mas precisamos, necessitamos muito serem admirados, é quase indispensável a alma humana. Mesmo que esta admiração seja uma farsa.Temos o princípio divino em nós.

13. Os livros são os meus amigos íntimos, que não falam nada, mas me dizem muito coisa.

14. Os livros são mudos diante de um cego de espírito.

15. "Amar a Deus acima de todas as coisas". Amar a quem? Acima de que? Ora, Deus é todas as coisas, Como posso amá-lo acima dele mesmo? Se Deus complica, imagine o Diabo.

16. Deus é perfeito, aprisiona o ser no corpo material e o faz pensar que está livre.

17. Hemingnay, escritor, sábio, julgou o mundo, e a si próprio, deu a sua própria sentença. Tirou a própria vida para contradizer a Deus, ou melhor, para chegar na frente Dele. Deve estar dando boas risadas no inferno.

16. A Igreja Católica doutrina a séculos, que boas ações levam ao céu, más ações levam ao inferno. Só que já estou tão habituado a este inferno, o qual eu vivo. Não sei se suportaria viver no enfadonho céu.

17. A nossa missão pode ser menos grandiosa do que realmente imaginamos, porém de grande valor pessoal.

18. O amor é a grande revelação. Tudo se torna pó diante do amor. Por isso morremos e ao pó voltaremos, diante do amor, diante de Deus? Morrer é um ato amoroso divino, nos liberta daquilo que nós somos.

19. Estamos todos sutilmente morrendo, mas só nos damos conta quando estamos deveras enfermos. A vida é a obliteração do corpo para libertar a alma.

20. DEUS, Deus, Deus! Continua em silêncio ou sou incapaz de ouvi-lo!

Sincronicidade!

No mesmo dia, depois de algumas horas, que escrevi a postagem "passeio solitário...", coincidentemente recebi num lugar que parecia improvável um papel com palavras semelhantes ou com temática similar a que coloquei na postagem. Dizia: "Deus tem a chave que liberta você!" "...Todos nós já fomos presos alguma vez. Talvez você já tenha sido preso também por algo que você nem mesmo sabe o que. Satanás é o captor. Ele quer amarrar e acorretar você. E tem ciúmes. Somente Deus tem a chave que liberta você. A chave é Jesus. Jesus também foi preso não pelos humanos; nem mesmo pelo próprio Satanás, mas pelos nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados. E então Ele ressuscitou e derrotou a morte e Satanás para libertar você" citações de Romanos 3:23; Romanos 6:23; Lucas4:18,19; João 8:36.

Imaginem! E logo a frente um colega estava falando comigo de outra igreja, a Batista. Depois, confesso, que tive a vontade ligar para ele e saber um pouco mais sobre o culto evangélico, ele já me disse uma vez que faz parte da teologia crítica, é advogado, um senhor apaixonado pelo conhecimento. É, Jung diria "sincronicidade, meu jovem, não há explicações causais que nossa mente possa alcançar". Realmente, como dizem Deus sempre manda recados, nós que somos incapazes de perceber. Mas o folheto não explicava a minha angústia...a condição coercitiva, de nos submeter a amá-Lo pelo sofrimento, ou pela culpa dos pecados que não cometi, ainda! E se eu não quisesse amá-Lo deveria sofrer, e olha que eu nem sofro tanto assim, mas penso de forma geral, que o que uni as pessoas a esta força Maior é algum sofrimento particular. Fica esta questão, pois acho que deveríamos sermos livre para amar a Deus, e não preso as nossas limitações, esta é a questão menos teológica, mas existêncial. Penso ainda, de forma problematizadora: Será o amor um estado de dependência? Esta é uma outra questão.

Sunday, July 09, 2006

Passeio Solitário ou Duras Penas ou Segura a Galinha voando no Peito

Estou aqui...preso neste planeta, chamado "Terra" na lingua portuguesa...pouco importa o nome. Estou aqui cumprindo pena. Submetido as minhas necessidades, submetido ao meu corpo, a sociedade que vivo, aos meus condicionamentos. O pior! Cumpro pena, mas não sei qual o meu crime, nem meu algoz, poderia chamá-lo de Deus. Ora, Deus? Este não era aquele que liberta, que assim seja, se alguém pode libertar um outro alguém de algum cárcere, este alguém deve possuir chaves. Amar a Deus é a obrigação de amar àquele que lhe penitencia, amar a Deus é uma obrigação quase inquestionável, depois de tanto tentar fugir disto implantado na minha alma, chamado corpo, e com ele todas as programações de subserviência, vejo que a única saída é amar. Amar ou esquecer. Não posso esquecer...quanto mais tento esquecer mais dura torna-se minhas condições de vida...então acabamos por travar uma luta de sobrevivência, uma quebra-de-braço. De um lado, eu próprio, fraco, com medo, assustado, gritando para todos que sou forte, na minha cara está estampada, crispada a face da tristeza; do outro o soberano Deus, calmo, gentil, forte, sem nada dizer, ele é o dono do jogo, apenas me sede a luta porque é bom.
Ele me imputa as mais duras penas e fico aqui, tento respirar a última molécula de oxigênio. Livre arbítrio é uma leve ironia divina. É como a Ilha do Diabo de Papilon, você está livre para viver, desde que limitado pelas águas profundas do mar, vigiadas por tubarões. Questiono-me! Que Pena? Que pena escreve minha história, que pena cumpro, que duras mãos segura a pena, suporto as duras penas? Pior que cumprir pena, é não saber o crime cometido, é ter a leve sensação de que sou inocente. Sim , sou livre, livre para me dedicar aos vícios, sou livre para antecipar algo que chegaria sem muito esforço, por que não esperar com pequenos vícios? Por que subtrair os vícios? São eles que fazem o tempo miúdo. Os vícios é a liberdade da rebeldia, é a revolta contra os deuses.Sei que o perverso e caústico Deus, rir das minhas vãs tentaivas de palavras, é como ele soubesse que teclas vou apertar antecipadamente, prever até os meus erros de digitação, prever ou controla, sinto que está sempre a minha frente, o que fazer? Sentar numa pedra, olhar o mar. Não sei? Outro dia, pensei, sou um homem que Caminha, neste instante fiquei feliz por esta possibilidade, por este prazer tão simples, por saber que posso caminhar, passeiosolitário, mesmo que muitos ao nosso lado, as vidas são eternos passeios solitários...

Saturday, July 08, 2006

Que dia...."fiquei aperreado"

Ontem tive um dia péssimo! Vamos começar pelo início, ou melhor, pelo meio, já que esta história começa na quarta-feira. Estávamos todos no ensaio, reunidos, realizamos o ensaio. O diretor fez aquilo que sabe fazer melhor, criticar, criticar, criticar. Assim fez, falou que as personagens estavam sem verdades, sem relações, que precisavam melhorar, que não existia sentimento. Que precisava de uma base de realismo. apontou que minha personagem estava vulgar, e extramamente racional em cena, que coincidência, fora do palco, ele adora me atingir com esta mesma critica por algum motivo que ele discorde. Algumas coisas foram compreendidas, realmente deveria mudar minha personagem em alguns aspcetos, mas o que ele desejava da personagem estava distante do que o texto apontava. Ele queria uma Catarina alegre, divertida, mas era uma personagem que detestava o interior que morava, passava o tempo atrás dos homens, tinha o sonho de viajar para São Paulo, fofocava da vida de todo mundo, como uma forma de sublimar sua insatisfação com a cidade, como ele mesmo disse, mas no tom de critica, a personagem ficava com a cara o tempo todo de nojo. E era isso a idéia da personagem, era esnobe, tinha cara de nojo, não poderia embustir uma falsa alegria, porque o diretor assim a queria. Analisando a personagem vamos ter Cena 1 com Catarina, chega corrida a beira do rio, procurando satisfação com a melhor amiga porque não a esperou pra descer o rio. Já de início fala que deseja ir para São Paulo, ver um "monte de gente", e que aquele lugar é sem graça. Dando continuidade a conversa, vai contar uma fofoca, quando chega duas beatas, que ela acha muita chatas, e de vez quando acontece um atrito com elas, ou então Catarina a chama só pra fazer pirraça as beatas. Briga feio com as beatas, depois chega Verinha, a muambeira, é quando fica um pouco mais leve, mas mesmo assim se chateia pois pensava que não trouxera seu "esmalte encarnado", depois fica feliz, e brinca com Verinha. Samba, mas sempre de pirraça com as beatas, e novamente fala de São Paulo e homem, mostrando sua insatisfação com aquele lugarzinho. Chega a prostituta da cidade, ela se lamenta, achando que elas que tem uma vida de verdade, pelo menos ela tem homem, saí de cena, mostrando esta insastifação. Enfim, faz sentido ter a cara de nojo. Quinta-feira, o diretor disse que chegaria tarde, ensaiamos livremente, alguns dando seus subtextos de forma alta, arriscando um monte de bobagens, se desfazendo das persongens anteriores, e nisso tudo sem sabermos, que estava atrás da porta o diretor escondido. Ensaiamos duas vezes, a primeira completamente solta, a segunda fazendo as limpezas necessárias. Sexta-feira, apresentamos o resultado ao diretor, sem saber que ele estava atrás da porta, no final do espetáculo ele despeja sua frustração como diretor e ser humano, dizendo que tínhamos feito uma palhaçada e não um ensaio, que ele ouviu tudo atrás da porta, principalmente quando chamaram ele de "papai". Se vocês conhecesem ele, você veriam que é verdade, fui eu que disse. Ele tem um tom autoritário, reclama que as pessoas com toda empáfia de um pai, na sexta-feira disse que queria ver trabalho e que nós deveríamos mostrar que somos bons, e depois diz que não é pai, paciência. E desde que eu me conheço como ator, ficar atrás de porta nunca foi procedimento de diretor, como ficou muito ofendido, resolveu descarregar sua raiva nas pessoas. Achei que era uma mistura de diretor e terrorista, uma pessoa que ficava atrás da porta não é séria, não pode ser chamada de diretor, fora o fato que a sua estratégia de direção estava equivocada, ficamos dois meses lendo um texto de comédia, no qual ele dizia que era para estudar o texto que ele modificava o tempo todo as falas. Ele queira que apenas que o texto fosse lido sem construção de personagem, depois num outro dia, falou que poderia já acrescentar uma voz, muito irritado falou que não era para ler frio, e depois disse que era já para trazer a personagem. Já trazer a personagem só lendo o texto. Algo equivocado nisso. Mas eu conheço muito pouco de direção. Acho ele um grande teórico, e grande conselheiro de cenas, mas um diretor que sabe conduzir com pouco competência grupos. Se ele gosta de ouvir atrás da porta, vai ficar maravilhado com esta janela aberta, espero que um dia leia. Final das contas, resolvi sair do grupo para não enlouquecer junto com ele.

Monday, July 03, 2006

Carnaval 2004

O carnaval passou e o que restou? Milhares de latinhas sendo comprensadas para serem recicladas numa postura politicamente correta, enquanto crianças, velhos e adultos com suas mãos nuas enfiam no esgoto para pegar aquela latinha tão difícil atualmente. Os guardadores de carros perderam o seu lugar para senhores bem vestidos de celular na mão, guardando aquela vaga escassa como as latinhas por cinco reais. As latinhas custam o quilo R$2,80 e em alguns lugares R$3,00, segundo um catador de lixo são necessárias 78 latinhas para obter mil gramas, desta forma para ele conseguir R$30,00 são necessárias 780 latinhas, eu colaborei bebendo pelo menos 23 latinhas, não foi muito para eles, mas foi muito para mim. Fiquei bêbado e tive uma bruta ressaca que quase coloquei o fígado para fora, tive que dormir sentado pois deitar me deixava excessivamente enjoado. Devia ter vomitado na rua, sabe por quê? Vamos de novo aos cálculos, segundo estatísticas o carnaval gera 200 mil empregos indiretos e cerca de 80 mil diretos, se todos os foliôes ressaqueados vomitassem na rua, seria necessário um contigente maior de pessoas para limpar a rua. Sem contar com o fato que seria mais um bêbado a ir para o posto médico, o que geraria mais empregos e horas extras para auxiliar de enfermagem, enfermeiras e médicos, de novo as estatísticas, segundo as estatística, foram socorridos 8.500 pessoas desde total 60% de bêbados, eu poderia me encontrar neste número, aumentar este número de bêbados e gerar mais empregos, agora só para o próximo ano. Alguns fatos curiosos das pessoas socorridas, ocorreu um elevado número de torções dos membros inferiores (para quem não sabe, pé). Foi mandada uma equipe às ruas para investigar inusitada situação, e chegaram a conclusâo que as mulheres estavam indo para o carnaval de tamanco, plataformas e congêneres. Tirei a seguinte conclusão que as mulheres chegavam aos postos de saúde sem o tamanco, pois se tivessem com o tamanco não precisaria deslocar uma equipe, gastar dinheiro público, para descobrir que as mulheres preferem torcer o pé do que "descer do salto". Vamos para frente, que atrás, do lado, em cima e em baixo tem gente, é carnaval! Fato curioso dois: quatro casos de mulheres grávidas que achavam que "gravidez não é doença", dois partos prematuros e dois abortos; fato curiososo três: uma senhora de 84 anos que achava que ser "jovem é uma questão de cabeça" teve um AVC (acidente vascular cerebral) atrás do trio elétrico e um senhor de 74 anos que sofria (pois não sofre mais ) de diabetes exagerou na bebida, morreu! Precisamos mudar a música "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Milhares de brigas, provocadas por bêbados, valentes e estúpidos, destas milhares eu quase consegui duas na categoria de bêbado e valente e consegui uma na categoria de estúpido. Perdi meus documentos, gastei dinheito, vomitei a sala inteira, quase me meto em briga, fui expulso da casa de amigos, vi cenas de violência grotesca provocada pelos policiais e eu acho tudo lindo, sabe por quê? Porque eu sou BAIANO! Um grande AXÈ para todo mundo, que o próximo ano aconteça tudo em dobro, vou trabalhar o ano inteiro para comprar o meu abadá e ficar curtindo o carnaval "devagarzinho". Cansei de ser empurrado nos muros na hora que o trio passa, vou fazer dois movimentos MSB (movimento dos sem bloco) e MSC (movimento dos sem camarotes), e este movimento vai ser diferente dos outros vai ser coreografado e com banda de axé, pois na Bahia tudo acaba em festa. LUTEM PELOS SEUS DIREITOS BAIANOS!

Sunday, June 25, 2006

Carnaval 2005 - Texto 0

Carnaval “já é”. A grande sensação desde verão começa com o nome Afro. Para os amadores da música baiana, sabe que estou me referindo à banda do verão Afrodisíaco. Segundo comentam trata-se da “nova sensação da cena artística baiana”. No mínimo é uma banda interessante... só o nome que é um pouco brega, parece aquelas loções de catuaba. Senão, homenageiam a etimologia grega do adjetivo aphrodisios (nascido da espuma, nascido do mar). Deusa grega Afrodite, deusa do amor, nasceu das espumas das águas do mar. Com a dominação romana passou a ser tratada como Vênus, que lembra uma banda de rock, que lembra que não podemos esquecer no carnaval de encamisar o bilu-bilu. Pelo menos uma utilidade pública esta “nova sensação” remete, para poucos, é claro! Para muitos é apenas um estimulante sexual, pouco importa Vênus, se é deusa do amor, nome dado a um saco protetor de viroses, e inspiração para uma banda de rock.
Ou será que eles colocaram pensando nas referências “afro”, já que é uma banda afro-pop. Entenderam a piada, afrodisíaco; é assim mesmo, não era para rir. A banda é no mínimo interessante, pois além desta festa etimológica que nos lembra das nossas raízes arquetípicas, passando pelo rock e chegando ao carnaval lasci-erótico-baiano, os dois cantores principais da banda, também, possuem nomes curiosos. Um nome é francês, Pierri, associado ao sobrenome mais importante da história do mundo bilionário, Onássis. Nome que ficou conhecido com Jaqueline Kennedy Onássis, que após sua trajetória de grande dama americana casou-se com o bilionário Aristóteles Onássis; ora, novamente voltamos à Grécia. Este mundo é deveras cíclico. O outro cantor, não menos curioso, parece um nome indígena de raízes tupi, Jauperi, não conseguir nenhum estudo onomástico, mas dizem que os íntimos chamam nosso renomado cantor de “Jaú”, bem que poderia ser Chau (derivação interiorana de tchau [origem italiana, ciao - até logo, até à vista]). Partir para alhures, além do mar, voltar de onde nasceu das espumas do mediterrâneo e por lá ficar. Mas não, a Bahia não é assim, terra mãe de pernas abertas, de índios que viram nos portugueses deuses, tudo acaba no dendê. Pega tudo, meniniiiiiinho, joga na fritura, mete a pimenta e teremos a miscigenação global baiana: afro-gregos-romanos-italianos-franceses-índios-americanos e baianos, tudo inteiro em uma só banda. Aja camisinha. Este carnaval estou vendo que “já é” demais para minha cabeça.

Carnaval 2005 - II

Ontem eu fui para o carnaval, e como estava um pouco inseguro resolvi sair de bota que parecia um coturno. Ficamos quase uma hora tentando estacionar um carro que tinha 6 pessoas, digo de passagem que era um carro popular, logo tinha alguém em cima da marcha. Decidimos, enfim, pagar R$ 10,00 por um estacionamento, que depois de uma hora com o carro na primeira marcha e o colega em cima...da marcha... foi até barato. Surgiram aqueles comentários: “porque não fizemos isso antes”. Antes de entrar na via de fato do carnaval já tínhamos perdido uma parte do grupo. Descemos a Barra pelo Morro do Gato do lado direito, e nos deparamos com uma cachoeira que tem sua nascente no barro vermelho nesta época do ano. Cachoeira é exagero, mas é uma mistura de barro com urina masculina, graças a deus que estava de coturno. Estava animado, comprei uma cerveja, dancei com a vendedora (com esta mania de ser do povo) que me dava barrufadas de um cigarro barato, eu acho que era Derby. Estava passando o Rapazzola, uma colega fez um comentário que era muito bom, que ele tinha uma voz para o axé e animava bastante. Realmente o cara é bom nisso, eu só não ouvir ele cantando uma música inteira, ora ele “animava” (conversava) com a multidão, ora chorava, dizendo que teve um sonho realizado. Contudo, ganhei à noite quando ele no epicentro do Circuito Dordor, bem em frente do camarote da Skol, ele perguntou: cadê a galera de Pernambués? E no meio daquela multidão só duas vozes se alteraram, a minha e a do meu irmão, para mim foi fantástico, fiquei até emocionado.
Eu estava até me saindo bem diante das confusões, eu fiquei atrás daqueles bancos de observação da PM, não vi briga nenhuma quando estava parado. Então, resolvi sair, e tive sorte, quando eu passava, logo depois tinha briga, ou seja, por questões de segundos não era coadjuvante da briga. Eu não vi briga nenhuma, mas sabia que alguma coisa acontecia, até porque passava um monte de gente amarrado no cassetete (eu pensava que esta palavra era com dois “c”). O mais triste foi ver um rapaz 1,75m, com o braço da espessura de um sofá ser espancado por quatro rapazolas (digo de passagem que eram brancos e fortes) até a inconsciência e sua cabeça sendo pisoteada no chão da Barra, antes da polícia chegar saíram correndo vitoriosos, com as madeixas loiras sumindo na multidão. Eu, maluco, fiquei tão indignado que num gesto reflexo, quando a polícia chegou, eu fiquei apontado para o lado que os caras correram, falando para os policiais perseguirem. Eu já estava indo embora, eram 5 horas da manhã, mas depois desta o carnaval acabou este ano para mim. Para me consolar da imagem fiquei imaginando que aquele rapaz tinha feito algo de muito ruim para despertar o ódio de quatro pessoas.
Contudo, fiquei animado também, olhando para cima dos trios, apreciando alguns siliconizados, e admirando os micro-shorts jeans que impedem que as mulheres respirem, mas como você sabe é estímulo contínuo, e logo perde a graça. Fiquei na dúvida, em certo momento, se ficaria bêbado ou não, para suportar o restante das horas, resolvi não procurar este caminho da felicidade, porque meu irmão estava bebendo, e caso precisassem estaria pronto para dirigir. O melhor momento foi quando passou o trio de Carlinhos Brown, o trio sem cordas, bonito, sair acompanhando o trio por um percurso imenso de 200 metros, do clube espanhol até o camarote da Skol, e aí você já sabe, ele ficou colocando músicas de propaganda da Skol, e além do mais o som estava absurdamente alto.
Mas carnaval é isso aí, aiai! Termino com uma frase de amiga: “Não se anime a ir fazer o carnaval nas ruas de Salvador! Não se atormente porque os outros vão e acham fantástico, cada um tem o que merece ou que procura, ou melhor, escolhe!!!”
Um beijo no seu coração, “coração”, isso me lembra alguém.

P.S.: estou admirado com as reportagens do jornal A Tarde, mesmo escrevendo algumas vezes sobre codinome (Columbina Tresloucada) , estão expondo a “ira” do carnaval, junto com a “luxuria” e a “vaidade” e a comercialização do carnaval baiano.

Victor

Carnaval 2005 - I

Estou a três dias tentando me animar por carnaval e não consigo. Quarta-feira fui pela manhã para Festa de Yemanjá _ “Yemanjá, rainha do mar, minha sereia, me proteja de todo mal...Yemanjá, rainha do mar, minha sereia me proteja do carnaval”_. Bem! O final do canto não é bem este, mas poderia ser. O sol a pino na cabeça de 32º graus, passei à tarde de quarta com o corpo mole e dor de cabeça. Fiquei imaginando por que não estou me divertindo junto com quase dois milhões de turistas, pessoas que estão na folia, na alegria, soltado suas energias reservadas, soltado suas repressões, tristezas e alegrias de 2004. Talvez, apenas talvez, eu não estivesse suficientemente reprimido. Eu preciso ser mais contido, me reprimir mais, falar menos, ser menos crítico, engolir mais sapos, não dar respostas à toa, eu preciso desta repressão para pular no carnaval ou pular o carnaval. Ou, ter mais alegrias, mas motivos para comemorações, será que é isso?
Resolvi ficar quinta-feira em casa assistindo a programação de carnaval, era uma tática de me sentir reprimido, em alguma hora surgiria aquela vontade de ir à rua. Os foliões na quinta-feira até que estavam bem alegres. Na sexta-feira me deu até uma pontinha de vontade, mas achei que não era suficiente, era necessário mais repressão. Fiquei de novo assistindo a programação, os foliões ainda estavam muito alegres, achei que era reprise, pareciam às mesmas pessoas, os repórteres diziam as mesmas coisas. Não era reprise, era sexta-feira, dia do Expresso 2222, tinha certeza que quando eu ouvisse o Trio iria ficar enlouquecido, mas não foi o que eu esperava. Um ministro roco, uma filha de ministro sem voz, um trio muito alto, uma banda desafinada. Eu ficava passeando entre a TV Bahia e a Bandeirantes. Astrid esbanjando ignorância da cultura baiana, e convidou Carla Perez para comentar. Umas reportagens ao vivo sem sincronia, repetindo o tempo todo a chamada do canal, falando frases criativas como diga aiai, folia, alegria, energia, enguia...
Todos os repórteres com a cara de exausto, suados, rocos, vazios, faziam entrevistas com os artistas que diziam absolutamente nada, diante de perguntas que duvidam de nada. Kátia Guzo perguntou a Rogério Flausino (para quem não conhece aquele da banda Jota Quest): _Você sabia que estamos comemorando 20 anos de música axé no carvanal!?. Ele respondeu: _ é! Existe (sic) muitas controvérsias, mas o mundo é feito de contradições, e o povo da Bahia é muito bonito. Ele aprendeu rápido esta energia barroca da Bahia. Pra finalizar o dia, ouvir o Guig Gueto rodando o gado, digo, os foliões para frente do trio com uma música: “todo mundo para frente, todo mundo para frente, todo mundo para frente, eu pedi todo mundo para frente”. E as pessoas iam se deslocando para frente do trio, saltitando, pulando, balançando o derrière. E quando todo mundo chegou na frente, ele cantou para todo mundo voltar para trás, vá entender alegria baiana. A única coisa compreensível é as pessoas ficarem bêbadas no carnaval. Eu fiquei muito reprimido, mas foi para ficar em casa.
A TV educativa seria minha salvação? A TVE estava realizando um memorial do carnaval desde o início do século XX. Estavam apresentando na sexta-feira um antropólogo, Antônio Godi; um historiador, Jaime Sodré; a Diretora do Projeto Pelourinho Dia e Noite (que estava programado para acabar), Tânia de quê mesmo? E um produtor cultural do pelourinho. Excluindo a representante do governo e a repórter todos eram negros, a figura do intelectual negro ficou pop depois de Milton Santos. A discussão era sobre a revitalização do carnaval no pelourinho e dos blocos afros, chegaram à conclusão que o carnaval da Bahia era enlatado para turistas, e que os blocos afros não se insurgem como na década de 70. Falta a estes representantes da auto-estima da raça negra dinheiro público que é injetado nos camarotes e trios elétricos dos Browns da vida, mas Brown é marrom, e marrom na Bahia é neguinho, deve ser o marrom mas branco da cidade. Estava ficando pior, cada vez mais reprimido para ficar em casa.
Ainda resistia no sábado, liguei a Internet, e fiquei impressionado com o esquema de segurança do carnaval, fiquei imaginando que a Polícia Militar da Bahia poderia prestar consultoria em vários eventos carnavalescos ou ocupação de países em guerra, talvez prestar auxílio à milícia USA no combate a guerrilha iraquiana. Que mau gosto, está ficando muito sério este texto. Liguei para um amigo com ares animado para sair no sábado, e a primeira coisa que perguntei foi: _ E aí como está o carnaval? Está muito violento? Ele ficou sem entender porque eu estaria ligando 10:00h da manhã para perguntar aquilo, depois confessei para ele que não estava animado para o carnaval, ele me consolou dizendo que também não, contudo me deu vontade de sair já que não está tão violento, e ver a demonstração dos pelotões militares. Diga aí, Diga aí, aiai: É só alegria?

P.S.: 147 detidos, sendo que 101 foram no Circuito Dodô. Lesão Corporal e Agressão Física/rixa 36, sendo que 21 foi no Circuito Dordô. 81 furtos, sendo que 73 foram no Circuito DorDor. Ocorreu um total de 280 sacanagens (expressão minha), sendo que 211 foram no Circuito Dódó. Fonte: Centro de Estatística e Documentação Policial (CEDEP). Eu fiquei lendo o jornal e a matemática está errada, logo em cima do quadro que eles chamam de “Balanço no primeiro dia do carnaval 2005”. A uma nota do repórter Cristóvão Rocrigues dizendo que tiveram “Mais de 100 abadás roubados”. Pelo registro da política ocorreu 11 roubos, estes dados estão estritamente ligados aos circuitos e horários do carnaval. Já que existe o Carnaval para turista ver, existe também a violência para turista ler, até que um dia passe ser a vítima fora ou dentro do Carnaval.

Afeto aquilo que nos afeta

Dedico este texto a Edson Calmon e Jonar Brasileiro

Uma idéia começa com uma linha...

Passei horas pensando na proposta temática que me emaranhei...ficava como um gato a brincar com a ponta da linha do novelo, quando mais eu puxava mais embolado ficava...

Como poderia tratar do “afeto como proposta terapêutica!” ou o “afeto catalisador”...que difícil proposta eu me propus. Pensei: “começo a abordar pelo conceito de transferência”...não! Definitivamente o termo não trazia calor. Imaginei por alguns instantes que na faculdade não nos ensinam sermos afetuosos, e a afirmação, voltou como pergunta: “afeto como proposta terapêutica?”. Não me lembro desta aula...a manifestação do afeto era o calcanhar de Aquiles do psicólogo, alguns professores até concordavam que isso poderia se manifestar numa relação terapêutica, diziam eles: “tudo bem, somos humanos, podemos mostrar nossos pontos fracos”; ou então, “quando a psicologia não pode ajudar, seja acolhedor”. Não, não é isso, que vejo em Nise da Silveira, o afeto não surge diante dos limites da psicologia. Ela propõe o afeto como proposta da psicologia. O que precisa ser dito? Nada, o afeto se sente, se expressa no olhar, no toque, no silêncio, na mínima expressão para o máximo de efeito. Antes de o homem aprender a pensar e a olhar; sentia, olhava e tocava.
Um dia estava desenvolvendo um trabalho no grupo escolar, e de repente uma das senhoras que participava do grupo de discussão, me chamou de “bichicólogo”, obviamente estranhei a expressão, mas ela tinha construindo um novo sentido para o psicólogo, e falou que era uma junção de “bichano” e psicólogo. Era assim que ela tratava o filho dela, todos os outros membros do grupo, riam e concordavam. Eu era uma espécie de psicólogo gato, não pela beleza, modesta parte, mas porque se constituiu afeto na relação, confiança; mas também, muitas vezes, fui colérico. Poderia ser dócil e amável, mas poderia assumir meu aspecto feroz, como diz Nise sobre o simbolismo do gato.
Em nenhum momento, isso foi explicado para o grupo, mas elas sempre me dirigiam desta forma, “bichicólogo”, eu despertava nelas um animal interno, como diz Nise, “a psicologia terá de dar muito atenção ao animal no mundo interno do homem, animal que faz parte intrínseca de sua evolução tanto biológica como psicológica, e do qual a função configuradora de símbolos do inconsciente se utiliza para exprimir forças muito profundas” (O mundo das Imagens, p.113). Mas como isso se relaciona ao afeto catalisador? O animal, dito irracional, estabelece vínculos de confiança com as pessoas para que elas possam se sentir mais seguras nos seus processos de aprendizagem, solidão ou escuridão da alma. Nise chama os animais de co-terapeutas, a primeira vez que li isso, achei uma ofensa, como eu posso passar cinco anos para ser um terapeuta, e um animal só por ser animal é um co-terapeuta. Mas depois entendi que deveríamos aprender observando a natureza, não apenas a natureza do mundo externo, mas a nossa natureza interior.
Primeiro amamos a nós próprios, depois amamos os outros e a quem nos ama, a minha felicidade será constituída junto com a felicidade do outro. Se estiver difícil de atravessar a ponte, pegue na mão da pessoa, ensine a ela a olhar nos olhos para que não olhe para baixo, e se algum momento ela tiver medo de cair, diga que vocês estão juntos. Precisamos constituir vínculos que diminuam nossa ansiedade e angústia de estar no mundo, e que a vida seja uma eterna aprendizagem ao lado do outro e ao outro lado.

Colando a Alma

Colando a Alma

02 de Agosto


Olá ........,

Esta missiva será breve, honesta e alegre. As pessoas nunca poderão saber o que é ou o que foi o sentimento do outro, mas só em dispensar um gesto de humanidade, dirigir o olhar e ficar em silêncio se não puder ajudar é um conforto para aquela alma despedaçada. Fiquei muito contente porque você expressou no segundo parágrafo o mais doloroso sofrimento de alguém que amou, a indiferença. Que bom! Você queira observar e mudar a sua impulsividade, eu tenho certeza que não é fácil para você, mas não procure o caminho do racional (“da política”), pelo menos com as pessoas mais próximas, apenas pense que a pessoa ao seu lado não precisa se machucar com as suas fagulhas.
Peço licença para reproduzir uma frase inteira sua: “...o grande problema foi você ter me amado demais,... “. Para mim, amar alguém não é e nunca vai ser um problema, amo, amo muito e sempre amarei as pessoas com a mesma intensidade e sinceridade que te amei. Eu tinha algumas dúvidas sobre isso, mas percebi, com o fim da relação, que eu amo amar, gosto tanto de ter uma relação sinceramente amorosa, que às vezes penso até que é egoísmo. Agora, não confunda! Eu sempre tive a minha personalidade, sempre fiz as coisas que eu gosto, e cultivei as minhas amizades na relação, se eu não gosto de turma é com ou sem uma relação, eu sempre te disse isso, aliás, os meus amigos são raros, poucos, sinceros, e eu os amo, dizem que os bons amigos sempre aparecem nas horas difíceis, eu descobri muita gente que me ama.
Entenda que eu gostava de estar o tempo todo ao seu lado, mesmo calado, em silêncio, fingindo que não estava te vendo, te amando em sussurros, a sua companhia me oferecia conforto. Um conforto espiritual difícil de explicar, eu apenas me sentia muito bem ao seu lado, e queria que você fosse aquela pessoa que eu contasse coisas que só você poderia saber, mas nem isso você consegue entender no amor. Percebi com o fim da relação que eu aprendi na minha vida uma maneira de amar, muita companheira, muito familiar, muito doméstica. Amar para mim vai ser algo sagrado, será um sacerdócio, um momento de subversão, de liberdade, poucas pessoas sentem ou entendem o que estou falando, sempre pintam o amor com cores pardas, não entendem que amar é um arrebatamento. O sexo vai ser um ritual, a missa, um momento de meditação, reflexão, consumação amorosa, o princípio das coisas, a simbologia do viver, a magia da multiplicação e no amor o mistério da expansão.Como você mesmo disse estou pronto para amar uma Outra pessoa, tão intensamente quanto foi com você, por falar nisso sofri da mesma maneira que te amei, eu acho que por viver a sinceridade dos meus sentimentos é que eu consigo sorrir agora. Seja Feliz...

Um caloroso abraço e um beijo fraterno
Victor.