Sunday, August 12, 2007
do corpo físico ao corpo moral - Rousseau
Ensaio do corpo físico ao corpo moral.
Livro I
Rousseau expõe que a entrada do homem na sociedade, ou se afastar do estado da natureza, sem uma proposta educativa é lançá-lo a própria sorte. A sociedade teria um aspecto antropofágico, “as instituições sociais em que estamos submersos abafariam nele a natureza, e nada poriam em seu lugar” (Livro I, p.7), que estaria mais de acordo aos interesses pessoais do que aos coletivos. Torna-se claro desde o início uma crítica a inserção do homem na sociedade e uma proposta de educação com alvo na criança, mas almejando acertar o homem e o cidadão – “Tudo o que não temos ao nascer e de que precisamos quando grandes nos é dado pela educação”(I, p.9).
A sociedade no pensamento de Rousseau é levada despida da sua arrogância até ao homem, e nada mais é do que uma criação do homem, e a este deve os acertos e erros; de tanto olhar aquele corpo nu, percebemos o que estava diante de nós foi um espelho. A sociedade, assim vista por Rousseau, não é um elemento, uma coisa ou uma personificação em disputa com o homem; empenha-se o filósofo em demarcar a condição social intrinsecamente presa à condição humana. E para isso ele vai à molécula originária deste corpo social: a criança.
Se em Emílio pretende-se uma utopia, acaba por enfatizar o quão difícil é educar uma criança no sentido de ser dona de si. Não há ingenuidade no pensamento de Rousseau, coloca com muita clareza os percalços da educação e declara – “Tudo o que podemos fazer à custa de esforços é nos aproximar mais ou menos do alvo, mas é preciso sorte para atingi-lo” (I, p.9). Desta forma, há três tipos de educação, da natureza ou dos homens ou das coisas. A educação da natureza é o desenvolvimento interno de nossas faculdades e de nossos órgãos, que segundo Rousseau, não depende de nós. A dos homens o uso que nos ensinam a fazer desse desenvolvimento, a única que somos senhores. A das coisas, aquisição de nossa própria experiência sobre os objetos que nos afetam, depende de nós em alguns aspectos.
O alvo a que se refere Rousseau é o mesmo da natureza, e a qual deve se dirigir as outras duas. Quanto mais afasta os homens dos hábitos sociais, mas descobre em sua essência e unidade. As instituições sociais fragmentam este homem, e o transferem para uma unidade comum, ele se percebe agora como parte de uma unidade. O que Rousseau coloca em questão é o sentido da subjetividade, do eu tão presente no estado de natureza, e agora imperceptível agora no corpo social. Mais uma crítica as formas de relações sociais que descaracterizam o indivíduo a favor do coletivo. É revelada a problemática entre educar um homem ou um cidadão, aparentemente em plena oposição. Se a essência, o homem absoluto encontrava-se na natureza, este se perdeu na ordem civil, não há espaço para os dois. Quem assim insistir, não será nada. Rousseau expõe que o caminha da educação proposta não será social, o seu ensino estará preparando para a vida humana. Qualquer cargo social aos olhos de Emílio seria ocupado sem distinção, preconceitos ou hierarquias, nota-se que a educação que se pretende independe da condição ou status social, dando-lhe um caráter universal, e optando por uma das oposições, é preciso educar o homem antes do cidadão. “Viver é ofício que quero ensinar-lhe (...) Ao sair de minhas mãos, concordo que não será nem magistrado, nem soldado, nem padre; será homem, em primeiro lugar.” (I, p.15). E qual o intento destes esforços, se a sociedade mudasse, não mudasse o homem junto, ou suas disposições naturais do bom e justo. Rousseau é um grande defensor da moral diante dos vícios éticos e um dos primeiros pensadores a entender que educação se dá mais pelo exercício do que pelas teorias.
Contrário do que possa se imaginar a busca desde homem em si, não é uma educação egoísta, fechada e impenetrável ao mundo. Porém, preparar esta criança para as adversidades da vida, para “as mobilidades das coisas humanas”, e não como se nunca tivesse de sair do seu quarto, diz Rousseau (I, p.16). Ou seja, o fim último da educação do homem serão o cidadão. Para isso, é preciso ensiná-lo a se conservar enquanto homem, e tomar o sentimento de existência: agindo, fazendo uso dos seus órgãos, sentidos e faculdades. Este sentimento se perdeu na sociedade pois impede o homem de expressão, de mobilidade, de opinião, e isto é expresso de forma muita poética, na criança que ao nascer é envolta em panos e bandagens, “não lhe permitem mudar de opinião” (I,.p.17). De forma extremamente habilidosa Rousseau expressa os componentes filosóficos e educativos ao mesmo tempo; a crítica a sociedade no processo de desnaturação e perda de subjetividade e um novo modelo tendo como guia o natural, e o primeiro estágio de aplicação do seu método, passa pelo corpo, este que está em contato com a natureza, os órgãos, os sentidos.
O corpo que entra em contato com os objetos, e ele que se exercita no mundo. Impedir o desenvolvimento natural do corpo,é impedir o desenvolvimetno natural do homem. Rousseau mostra-se espetacular ao demonstrar que é sobre o corpo que recai os primeiros moldes da educação social, que para perspectiva do filósofo basta retirar os obstáculos que o impede desenvolver e entregá-lo ao maior de todos os mestres – a natureza.
Sobre Rousseau...livre pensamento e resumo
A criança nesta fase é a que se comunica através da fala. Apresenta, assim, no início algumas considerações sobre o termo infância, e justifica seu uso posterior, respeitando a convenção da sociedade. Rousseau apresenta a importância da linguagem como contenção das expressões mais naturais, como o grito e o choro. Um importante aspecto pôde ser deduzido desta relação entra linguagem verbal e não-verbal. A fala como uma substituta da expressão motora, transição que Rousseau reconhece como progresso natural, se assim não proceder, é por deficiência da relação entre o cuidador e a criança. A transição da linguagem corporal a verbal se faz necessária, pois evitará mimos provenientes de um convívio social. “Se a criança for delicada, sensível, e naturalmente se puser a gritar por nada, dando gritos inúteis e sem conseqüência, logo secarei essa fonte” (Livro II, p.69). O que Rousseau coloca em questão é o choro como instrumento de socialização ou comunicação, no primeiro momento, mas já com o recurso da fala, o choro passa a ser vícios sociais, deixando de ser uma expressão natural de dor ou necessidade.
A expressão de dor de uma criança é percebida menos pelas condições físicas ou o machucado “do que o medo que atormenta quando nos ferimos” (II, p.70). Rousseau não pretende fazer um tratado médico sobre o conceito de dor, mas sim, justificá-la como instrumento de aprendizado para o indivíduo transitar para uma vida social. A criança suportando as dores leves, que são a do corpo, aprendera a suporta as grandes, que são as da alma. E assim estabelece o primeiro ensinamento “sofrer é a primeira coisa que ele deverá aprender, e a que ele terá maior necessidade de saber” (II, p.70). Vivemos numa sociedade que ser feliz, ter sucesso e ser o melhor são nossos primeiros ensinamentos, e esquecem que para alcançar todos estes, precisamos aprender a sofrer. Dito de forma mais sutil, ampliar nossos limites de frustração. A lógica de Rousseau está ancorada que quanto menos sofrimento mais próximo da felicidade, mas para menos sofrer precisamos ter tolerância diante das dificuldades ou dores da vida. Como exemplo, Rousseau trata que as quedas de uma criança, não ameaça sua existência; além do mais, os machucados são compensados pelo bem-estar da liberdade.
O que está em pauta, neste momento, para a constituição do sujeito é o saber sofrer, ser menos sensível, ou apenas aprender a sentir a força que a necessidade impõe, nem mais, nem menos. E assim se aprende não com regras, mas vivendo. A primeira das lições é aprendida sem constrangimentos, sem restrições, sem consciência, só com aquilo que a natureza lhe imputa, as leves dores do corpo. Sem constrangimentos e sem consciência, pois para a criança o que está em pauta é o prazer de viver1. A liberdade é sentida como o livre gozo.
2. Felicidade e Liberdade: o menor sofrimento e a menor dependência.
Rousseau critica as pedagogias, e este é um importante ponto de reflexão, “que sacrifica o presente para o futuro incerto” (II, p.72). Há referências que a taxa de imortalidade infantil era alta na época, o que leva a crer que se referia a este aspecto. Como também, pode ser analisada sobre um aspecto existencial, uma importante crítica que forma o homem para o futuro sacrificando seu presente. A sensação é de um vazio, de um homem que não está aqui e nunca chegará. “...sempre considera o presente como nada e, perseguindo sem tréguas um futuro que foge à medida que avançamos, de tanto nos levar para onde não estamos, leva-nos para onde não estaremos nunca” (II,p.73). E arremata a idéia colocando que os adultos estão preocupados em ajustar as más inclinações de uma criança, sem se procurar saber se as más inclinações não provêm de seus ensinamentos e não do desenvolvimento natural; sobretudo não confundir liberdade com licença e criança mimada com felicidade.
O conceito de felicidade de Rousseau é extremamente importante, pois é a sua compreensão que liga o primeiro ensinamento da criança ao homem e ao cidadão. É uma felicidade negativa. “O mais feliz é o que sente menos sofrimento; o mais miserável é que sente menos prazeres” (II, p.74). Aqui, relaciona-se o conceito de dor ou de felicidade, a criança ao adulto. Enquanto criança, ensina-se a suportar às pequenas dores; enquanto adulto equilibrar nossos desejos, que supõe penosas privações, às nossas faculdades. Não cabe ao homem diminuir os desejos ou ampliar as faculdades, mas “diminuir o excesso de desejo relativamente às faculdades” (II, p.74). O homem para deixar sua alma tranqüila deve equilibrar o poder e o desejo. Este é o caminho da felicidade, muito próximo das considerações que Silva destacou “...uma certeza interior que possa imediatamente assegurar a conduta cotidiana e garantir, apesar da incompreensão e das perseguições, o homem de paz e de serenidade que ele sempre aspirou” (Silva, p.155). O homem civil que estabelece o contrato precisa saber perder e aceitar os limites do mundo real e do outro, para que possa agir em interesse comum. Dirá Rousseau, não podemos ampliar o mundo real, reduzamos o mundo imaginário. Entendam por isso, se não podemos mudar o mundo, mudemos a nós próprio. Há uma relação entre as coisas real – exterior-, e um “eu” – interior-. Reis (2005, p.141) explora este assunto e nos esclarece:
“A metáfora espacial presta-se a muitos usos, a analogia pode desdobrar-se em várias outras. Uma delas é a de exploração: o indivíduo representado como um “eu”, ocupando-se de si mesmo, explora seu espaço interior, à maneira de um excursionista. Mas o imaginário do espaço também abriga as imagens de ocultação, de obstáculo: não é raro que o indivíduo, em suas excursões pelo espaço interior, depare-se com abismos, profundezas, barreiras intransponíveis”.
Rousseau, filósofo estrangeiro, revela sobre seus pares e sobre si: “ Aí estão, estrangeiros, desconhecidos, nulos em definitivo para mim, porque assim eles o querem. Mas eu, separado deles e de tudo, Quem sou? Isto é o que me falta descobrir” (Premiére promenade, 2006c p.1). É como existisse um ser além da vida moral, e revela logo adiante “O hábito de entrar em mim próprio, me fez perder o sentimento e quase a lembrança do mal, aprendi ainda pela minha própria experiência que a fonte da felicidade está em nós” (Seconde promenade, 2006c p.5).
Lévi-Strauss abordou este “quem sou?” como um “Eu” epistemológico no qual Rousseau expressa que existe um outro de que se pensa em mim, e que me faz duvidar em primeiro lugar de que sou eu o que pensa. Esta tarefa só é possível, pois a resposta a esta pergunta não seria tão somente do cogito cartesiano, mas do ser que se sente. Assim expresso no Emílio: “Para nós, existir é sentir; nossa sensibilidade é incontestavelmente anterior à nossa inteligência, e tivemos sentimentos antes de ter idéias” (Emílio, p.410). Rousseau se desfaz de um “eu” tão certo de si, e o considera objeto estranho, não familiar, passível, como qualquer outro objeto, de pesquisa2.
A sociedade enfraquece o homem por retirá-lo o direito sobre sua força. E ser forte é viver e se contentar com o que se é, diz Rousseau (Emílio, p.81). A sociedade torna o homem fraco porque o faz se sentir maior que a humanidade. O homem forte é o homem livre, e a liberdade é limitada pela força da natureza, “o homem verdadeiramente livre só quer o que pode e faz o que lhe agrada” (II, p.81). Ou seja, no momento que ele precisa de outro, seja da opinião ou do braço, não se bastando por si próprio, será um homem fraco, escravo e infeliz, pois não estará em equilíbrio: potência e necessidade. Sendo a liberdade o primeiro de todos os bens. Se a criança é fraca em comparação ao homem não é pela força física ou absoluta, mas pelo seu estado de dependência, mas esta é compensada ou suprida pela afetividade entre os pais e as crianças.
Entretanto, este laço tem suas desvantagens, pais que vivem no estado civil levam-no à criança antes da idade (II, p.81), o que seria um abuso ou excesso. Rousseau entende que “ninguém tem o direito, nem mesmo o pai, de ordenar à criança o que não lhe serve para nada” (II, p.82). Rousseau nos traz uma questão importante, o direito dos pais sobre as crianças no exercício do que lhe seja útil. E entende que antes que as instituições humanas alterem as inclinações naturais, a “felicidade da criança e dos homens consiste no uso de sua liberdade” (II, p.82). Ser feliz, agora, é ser livre. A criança terá uma liberdade imperfeita, pois vive numa condição de fraqueza ou dependência, assim como o homem no estado civil. Assim, compreende-se que o júbilo pela liberdade infantil é para compensar seu estado de fraqueza, submetidas a pequenas dores. Conclui Rousseau “Éramos feitos para sermos homens, as leis e a sociedade voltaram a mergulhar-nos na infância” (II,p.82). A falta moral é proveniente do estado de dependência entre os homens. A forma de remediar este mal será substituir o homem pela lei, e a vontade do rei, pela vontade particular.
As leis surgem como instrumento de liberdade, é a dependência das coisas. Rousseau distinguiu dois tipos de dependências “a das coisas, que é da natureza, e a dos homens, que é da sociedade” (Emílio, p.82). A dependência se estabelece entre os homens, e não entre as coisas, pois estas não tem nenhuma moralidade. O que leva a crer, que a lei civil para o homem tem o mesmo valor imperativo da lei natural para criança. Exercitar e sensibilizar a criança na lei da natureza, estará preparando o homem para a lei civil. As leis da natureza estabelecem contato direto com o corpo, o que faz Rousseau compreender que o “homem que não conhecesse a dor não conheceria nem a ternura da humanidade, nem a doçura da comiseração” (II, p.86). Ou seja, a criança que tem todos os seus desejos satisfeitos, sem conhecer o limite da sua força e das dores, tornar-se-á tirânica, e tudo queira ao seu bel prazer e arrogância.
Contudo, não é caminho da razão que deve dirigi a criança. Educar uma criança pela razão é começar pelo fim. Se as crianças ouvissem a razão, não precisariam ser educadas, educá-la pela palavra é corrompê-la prematuramente. Dar ao homem o lugar de homem, e a criança o de criança. Rousseau tem uma preocupação de não fazer uso inadequado da razão, e empregá-la num momento inoportuno, principalmente para corrigir os erros da criança. “Fazei melhor do que isso: sede razoável e não raciocineis com vosso aluno” (Emílio, p.97).
As idéias das crianças deveriam se deter nas sensações. Rousseau conserva a razão para o momento adequado na vida humana, ou a maturidade racional que vem com o tempo. E estabelece o conceito de infância que perdura até os dias atuais, “a infância tem maneiras de ver, de pensar e de sentir que lhe são próprias” (II, p.91). A filósofo genebrino fez perceber que a infância é sempre, não foi algo, e não é mais. O primeiro momento da educação é negativa, ou evitar os vícios da instituição. E o primeiro exercício da educação é do corpo, dos órgãos, dos sentidos e da força (II, p.97). Pode-ser perceber que o conceito de felicidade em Rousseau passa por muitas definições, ao de prazer, quando trata da educação dos jovens da República, ao da menor dor e ao de liberdade. Estes múltiplos aspectos não condizem uma contradição, mas estão inter-relacionados, preparando o homem para a sua condição inexorável, ser o que é com a sensibilidade dos sentimentos e o bom uso da razão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÉVI-STRAUSS, Claude. Jean-Jacques Rousseau, fundador de lãs ciências Del hombre. In: Sazbón, José (org.). Presencia de Rousseau. Colección Teoria e investigación en las ciencias del hombre. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1972.
REIS, Cláudio e Araujo. Unidade e liberdade: o indivíduo segundo Jean-Jacques Rousseau. Brasília: Editora Universidade de Brasília: Finatec, 2005.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da educação. Tradução: Roberto Leal Ferreira. – 3º Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2004. (Paidéia).
___________________. Les Rêveries du Promeneur Solitaire. Fonte Gallica, Bibliothéque Numérique de la Bibliothéque Nationale de France.
Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=7295. Acessado em Junho. 2006
SILVA, Genildo Ferreira da. Rousseau e o Fundamento da Moral: entre a razão e religião. São Paulo, Campinas: Unicamp, 2004. (Tese de Doutorado)
Eterno é tudo aquilo que é inesquecível
Ontem eu me lembrei muito de você.Não por ter visto alguém parecido ou por ter sonhado contigo. Simplesmente, lembrei de você muitas vezes durante o longo dia que se arrastou. Eu leio regularmente o livro de que você me deu no Natal, pois adoro o quanto há de poesia nele e como sabes, eu preciso sempre de poesia. Lembrar tanto de você me fez ficar com saudade, saudade das conversas sem pressa, profundas; saudade da sua risada histérica e deliciosa; saudade do seu ponto-de-vista sempre tão peculiar e seu.Nessa história, acabei caindo no fatídico clichê de "só valorizamos as coisas quando elas já não estão mais ao alcance das mãos"...é verdade, é um pouco dramático, já que você não foi para um retiro na Sibéria ou cruzou as fronteiras do Sudão, mas a sensação de que poderíamos ter nos encontrado mais é inevitável, ridiculamente inevitável.
Não encontrei ainda uma palavra para definir essa situação (ou seria sentimento?), mas o fato é que você está sempre no bolso esquerdo da minha blusa.Nós não fomos colegas de sala.Não saímos religiosamente para beber às sextas, mas é você que nunca falta no meu Natal. É você, que sempre está ali, mesmo sem estar. E isso soa muito absurdo, eu sei,mas é assim que eu sinto, porque hoje eu estou meio cansada pra pensar.
Bom, escrevi todas essas bobagens sensíveis para saber de você, da sua vida em Juacity e claro, para dizer que estou com saudades e que espero que você venha em breve.
Um beijo bem grande no seu nariz,
Dani
Oi, meu amor
Você não sabe como é bom ler estas coisas, quase ouvindo e vendo você falar...a vida aqui é empolgante no início, mas aos poucos vamos sentido saudades dos amigos, da família, de Salvador. O que importa se não estou ao alcance das mãos, se estou ao alcance do coração, aliás, sempre tive. Aqui é verdade, é bem diferente da Sibéria, é de um calor que não posso falar a frase que me faz lembrar você ("calor gostoso"), o calor daqui é sufocante e seco.
Dani, é uma maravilha refletir sobre saúde pública, estou começando a gostar disso, não tinha a menor noção do que poderia ser, me identifiquei bastante. As aulas propriamente ditas, começaram esta semana, o curso estava sem professor, sem projeto, mas conseguimos organizar e agora está funcionando bem. Já estamos na prática, e estou cheios de projetos para trabalhar no PSF. Não sei se sabe, mas não temos psicólogo no Programa de saúde da família na bahia, então estamos (nós psicólogos) numa ação pioneira, em breve estarei escrevendo alguns artigos. A minha veia carismaticamente popular já teve a idéia de escrever sobre a saúde dos agentes comunitários de saúde, daqui a dois meses te envio. Acho que seremos aquelas amizades silecionsamente apaixonada que dura a vida inteira. Amor eterno é aquele que nunca se consuma. Saudades imensa,
Querido Vituxo,
Que bom ver tanto brilho nos olhos...poucas semanas atrás conversava com uma professora sobre isso, do PSF baiano não contar com psicólogos.No Brasil todo, o número ainda é pequeno, mas quando a gente fala de Bahia, infelizmente, o atraso é imenso. Por favor, me mande seu artigo quando estiver pronto, você sabe que eu me apaixonei por suas linhas depois de ler o artigo sobre Diderot ( oh yeah, eu me lembro!).
A vantagem de chegar assim em meio a uma situação caótica é que a gente pode ser bem tendencioso, risos. Nesse caso, claro que é bom, já que tudo fervilha a favor da ciência e do pogresso(hahhaha), mas sobretudo a favor de gente. Não tenho dúvida de que, com um pouco de sorte e disposição pro trabalho( que vc já tem), em breve ouviremos falar de você, meu caro. Sobre vc dizer que nosso amor será eterno por ser platônico...nossa, eu fiquei pensando nisso.Cheguei só a uma conclusão:
Eterno é tudo aquilo que é inesquecível.
Não esclarece nada, vai. Mas ficou até bonito e rende alguma poesia.
Um beijo grandão,
Dani
É vero, mas nem sempre!
Não confundir verdade relativa com relativismo. Verdade relativa não é permissividade, nem tudo é permitido, as bases racionais são imprescindívéis para construção do conhecimento científico, e nem sempre o novo conhecimento sobrepõe o outro conhecimento, apresenta apenas outro ponto de vista, até na física. A verdade não pode ser absoluta porque nossos sentidos e capacidade de apreensão do mundo são limitados...a verdade só vai ser absoluta quando nascer o ser humano absoluto.
Se você tomar uma garrafa de Vodka Absolut, sua verdade vai ser mais absoluta que todas as outras que já existiram, isso eu te garanto!
Papel de bala
Fica doce sua língua sempre estala nossa pança até abala quando ver papel de bala.
Ricardo Zevera
Esta é a poesia predileta de Léo, meu sobrinho e afilhado querido, o garoto tem bom gosto. (dezembro de 2006).
Monday, July 23, 2007
Deus e o S.U.S
Durante uma aula sobre modelos assistenciais de saúde (sanitarista x privatista), fui instigado a provar que o S.U.S era funcional, bom, útil, adjetivos afins. Como sabemos, o S.U.S é referenciado pelo modelo sanitarista, graças ao Movimento da Reforma Sanitária, no final da década de 70, e que culminou com a VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986. Caros leitores, eu não sou herege, jamais pronunciaria que o S.U.S não presta, na dúvida procuro me manter nos ditames do altíssimo e evitar a porta do inferno. Digam-me quem tiver argumentos ou coragem que a saúde não seja um direito do cidadão, um dever do Estado e que não seja universal o acesso a todos os bens e serviços que a promovam e recuperem. Digam-me, se seria contra a este pensamento/sentimento/complexo arquetípico que resultaram duas das principais diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que são a universalidade do acesso e a integralidade das ações.
Por que, então, seria provocado a uma problemática da qual não pronunciei? O problema surgiu a partir do meu questionamento da metodologia empregada para compreender e estudar os dois modelos. Fora utilizado, na ocasião, dois grupos de discussão e posterior defesa, “como se” fossemos fiéis defensores do que acabávamos de ler, e seria submetido a um “júri popular”. Sabiamente, uma colega pronunciou esta é “defesa da qual já se conhece o perdedor”, ora estávamos numa residência multiprofissional em saúde da família (com ênfase em saúde pública). No final do teatro, coloquei-me que não deveríamos questionar os modelos de forma unilateral, mas deveríamos vê-los e considerar que momentos eram úteis, em seus aspectos positivos e negativos. Continuei afirmando que os modelos funcionam de forma complementar, apesar dos esforços atuais da saúde no Brasil em enfatizar o modelo sanitarista. A minha fala apenas expressavam um dado da realidade, já que operamos com o sistema privatista e sanitarista, e dentro desta perspectiva precisamos refletir os dois, sem dogmatismo. Posteriormente, vim entender que minha fala, também, expressava um dado teórico, conforme segue:
“(...) Modelo não é padrão, não é exemplo, não é burocracia. Modelo é uma razão de ser - uma racionalidade. É uma espécie de "lógica" que orienta a ação. Modelo de atenção à saúde ou modelo assistencial não é uma forma de organizar serviços de saúde. Também não é um modo de administrar (gestão ou gerenciamento) o sistema e os serviços de saúde. Modelo de atenção é uma dada forma de combinar técnicas e tecnologias para resolver problemas de saúde e atender necessidades de saúde individuais e coletivas. É uma maneira de organizar os meios de trabalho (saberes e instrumentos) utilizados nas práticas ou processos de trabalho em saúde. Aponta como melhor combinar os meios técnico-centíficos existentes para resolver problemas de saúde individuais e/ou coletivos. Corresponde à dimensão técnica das práticas de saúde. Incorpora uma "lógica" que orienta as intervenções técnicas sobre os problemas e necessidades de saúde (modelo de intervenção em saúde)” (PAIM, Jairnilson Silva).
Assim colocado, será que não seria mais adequado analisar a complementaridade dos dois modelos e saber de que forma melhor empregá-los com seus recursos técnico-científicos para melhor atender os “problemas de saúde individuais e/ou coletivos”? Complementaria a fala de Paim, e diria que o modelo de saúde não é religião, não entra no âmbito do bem e do mal; quantos indivíduos direcionados por quaisquer dos modelos são éticos em suas posições. Os modelos, as teorias, as idéias não podem ser submetidos a um júri, precisam ser submetidos à razão e a concretude dos fatos (se é que isso é possível).
Infelizmente nosso pensamento apela para a escolha entre o bem ou o mal, o certo ou o errado, o santo ou o pecador, o justo e o injusto. E assim foram-nos apresentados os modelos em dois artigos que estimulavam este tipo de reflexão. Os “mocinhos” ou as “mocinhas” eram as que defendiam o modelo sanitarista, os “bandidos” ou as “bandidas” eram os que aceitavam a presença do modelo privatista. A minha posição é que a saúde privada existe e poderia existir de forma complementar, salvo engano, a Lei 8.080/90 preconiza este condição, se não vejamos: “TÍTULO II - DO SISTEMA ÙNICO DE SAÚDE / DISPOSIÇÃO PRELIMINAR / § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter complementar”. Fato irredutível a simples questão de crer ou não crer no S.U.S.
Diante da minha fala que os modelos co-existiam e precisavam ser entendidos neste âmbito, as falas posteriores eram desconsideras e fui imediatamente rotulado de descrente do Sistema Único de Saúde. Por mais que explicasse minha posição, era considerado um desconhecedor e um herege (peço desculpa pela licença poética) do S.U.S. Assim sob a justificativa da “ironia socrática” fui instigado a provar que o S.U.S era bom. A ironia socrática foi duplamente assassinada. Primeiro porque partia de um preconceito, segundo por que as pessoas não se ouviam mais. A ironia socrática transformou-se naquilo que Sócrates mais combatia - a retórica sofista.
Agora, posso explicar sobre a conexão entre o S.U.S e Deus. A proposição ou a retórica veio de uma remota lembrança da professora de um professor que todos os dias falava da não existência de Deus, “a ponto de ser chato”, lembrava a professora. Um aluno incomodado com este professor afirmou que ele tinha argumentos suficientes para negar a existência de Deus, e agora desejava que provasse a existência de Deus.
Só pelo fato de provar a não existência de algo, já lhe dar a condição de existência. Por exemplo, na proposição “Deus não existe”, é preciso que todos compartilhem o que É Deus, o que garante, antes de acabar a frase, Sua existência.
A existência ou não existência de Deus não muda o fato que estamos num embate eterno entre a vida e a morte. A existência ou não de Deus não muda o fato que o S.U.S não alcança todos os seus preceitos. Neste momento, sustentado por um dos pensadores mais importantes da psicologia, Carl Gustav Jung, podemos fazer a relação entre o S.U.S e a Providência Divina. Vale lembrar, que não era intenção da professora chegarmos a este ponto, mas como psicólogo, despertei pela curiosa associação de imagens e lembranças ao ponto de vincular a descrença no S.U.S à descrença em Deus. Para a psicologia analítica a pessoa é arrebatada por forças inconscientes, o que possibilita minhas argumentações e fazer este estudo comparativo, alegando em minha defesa que tudo pode não passar de uma fantasia. Arrisco, assim, numa possibilidade de associação inconsciente que nos levaria um arquétipo coletivo que move nossos complexos, condutas e pensamentos.
Começamos esclarecer, conforme Jung, do arquétipo que nos faz criar teorias, modelos ou leis de bem universal ou mesmo teologias e religiões que conduzem nossas ações. O arquétipo nos proporciona a crença que alcançaremos o “Paraíso” quando “haverá abundância para todos e um grande chefe, justo e sábio, reinará dentro de um jardim de infância humano” (JUNG, p.85). Este é um sonho arquetípico de uma Idade de Ouro. Não é preciso muito esforço para relacionar os preceitos e diretrizes do S.U.S, ditos no segundo parágrafo ao arquétipo. Um “grande chefe” está na figura do Estado, “abundância para todos” está na integralidade e universalidade de acesso. Um jardim de infância humano é nosso estado de inocência diante do mundo, no aguardo que a minha boa ação desperte no outro uma boa ação.
Racionalizando os fatores concretos da vida Jung afirma o seguinte:
“A triste verdade é que a vida do homem consiste de um complexo de fatores antagônicos inexoráveis: o dia e a noite; o nascimento e a morte, a felicidade e o sofrimento, o bem e o mal. Não nos resta nem a certeza de que um dia um destes fatores vai prevalecer sobre o outro, que o bem vai se transformar em mal, ou que a alegria há de derrotar a dor. A vida é uma batalha. Sempre foi e sempre será. E se tal não acontecesse ela chegaria ao fim” (JUNG, p.85).
Este conflito interior do homem, este contato duro com a realidade, nos leva ao sofrimento que nos induz a crer em algo, e as pessoas começam a buscar uma saída, a dar sentido à vida, o que ativa o arquétipo do paraíso. O professor, figura dita logo no início, que proclamava contra Deus, foi despertado por uma “luz” e tornou-se evangélico (segundo nos foi contado a história), o mecanismo que levava a negação ou aceitação de Deus é o mesmo, o embate entre a realidade e o desejo arquetípico de um bem universal, a diferença é a acomodação polarizada entre um ou outro. Os que caminham por outras convicções não religiosas levam suas crenças às teorias ou aos modelos de saúde, mas não por acaso à saúde. Um modelo de saúde como é apresentado no S.U.S é um sistema complexo e dinâmico que afeta muitos setores da sociedade, e a própria condição de saúde/doença e vida/morte estimula a tais pensamentos de sentido existencial.
Uma segunda questão, porque precisamos tanto crer em algo? Que será respondida pela lógica socrática, com outra pergunta: “Por que, então, privar-nos de crenças que se mostram salutares em nossa crise e dão um certo sentido a nossas vidas?”. Agora sim, respeitamos a ironia socrática. Não importa se nossas crenças são ilusões ou não, temos inteira liberdade para escolher nosso ponto de vista a respeito de algo, se for útil e salutar ao nosso bem estar. As pessoas precisam de idéias gerais, diz Jung, que lhe dêem sentido à vida e lhe permitam encontrar seu próprio lugar no mundo. E era isso que estava sendo questionado entrelinhas a mim: “Como pode participar de uma especialização de saúde pública, se não acredita na ‘palavra’ (Lei 8.080/90), na melhor das hipóteses ‘questiona a palavra’. O S.U.S é inquestionável, você precisa conhecer o S.U.S para questionar o S.U.S, você precisa conhecer a Deus para questionar a Deus”; quase me foi dito isso, com um pouco de exagero, é claro. Só que o esforço de compreender um ou outro levaria uma vida (Deus ou S.U.S), só nos cabe aceitá-los.
Por fim, Jung coloca, “é a consciência de que a vida tem uma significação mais ampla que eleva o homem acima do simples mecanismo de ganhar e gastar. Se isto lhe falta, sente-se perdido e infeliz”. No contexto que me encontrava era impelido a dar sentido ao meu curso e minha prática profissional crendo no Sistema Único de Saúde. A minha defesa é que estamos tratando de coisas invisíveis e desconhecidas (pois o S.U.S está além do entendimento humano e não temos dados suficientes para provar sua excelência, seria arbitrário afirmar qualquer posição) por que exigimos provas e evidências?
O homem vive entre o bem e o mal, e o S.U.S só preconiza o bem. Apelo para Rousseau, para defender a letra do S.U.S, precisamos ter um alvo ideal, mesmo que seja impossível alcançá-lo, e devemos sempre nos manter nesta direção e chegar o mais perto possível. Entretanto, não devemos esquecer nossa sombra, o acesso universal, integral e equânime nunca foi alcançado e creio que nunca será pela humanidade. Aceitar tais fatos não é perda de convicção, é a aceitar a vida e humanidade nas suas falhas e imperfeições. É aceitar a humanidade como é.
Se o S.U.S viesse a terra diria, parafraseando Frei Betto, o seguinte:
- “Sim, vocês me louvam com os lábios, mas não com o coração. Prestam-me cultos, mas não libertam o oprimido. Amam mais a posse que o dom.
Fiquei preocupado e perguntei ao S.U.S:
- Vai nos deixar à deriva? Vai cancelar sua obra, zerar a criação?
- De modo algum. Por mais estúpidos que vocês sejam, não deixo de amá-los. Nem pretendo abandoná-los. Vocês haverão de aprender com os próprios erros. Espero apenas que não demasiadamente tarde.
Antes que ele fosse, indaguei:
- Caso queira encontrá-lo, aonde devo buscá-lo?
- Não precisa ir longe –disse com uma ponta de ironia – Basta um mergulho no seu mundo interior. Estou no lado avesso do seu coração. Mas prefiro que também me encontre na face dos que sofrem”[1]
Referências Bibliográficas:
BETTO, Frei. Conversando com Deus. In: Caros Amigos. Ano IX, número 100, julho 2005.
BRASIL. Lei 8.080/90. Endereço eletrônico: http://portalweb02.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=169
JUNG, Carl Gustav. Chegando ao inconsciente. In: O homem e seus Símbolos. Carl Gustav Jung (concepção e organização). 16 impressão. Editora Nova Fronteira, s/d.
PAIM, Jairnilson Silva. Modelos Assistenciais: Reformulando o pensamento e incorporando a Proteção e a Promoção da Saúde. Acessado em 06 de março, no endereço eletrônico: http://www.anvisa.gov.br/institucional/snvs/coprh/seminario/modelo.htm.
[1] Paráfrase do texto “Conversando com Deus” Frei Betto, publicado na revista Caros Amigos – número 100, julho, 2005.
Saturday, April 07, 2007
do afeto se fez a luz
E do afeto, da mão que rabiscava traços indeléveis, transmitia calor, derreteu o frio pensamento das fantasias solitárias, e era bom fantasiar a dois, a três...a mais...chamei, assim, realidade. Gracioso olho, que olha para todos. A linha que costura esta história chama-se horizonte, ouso roubar a idéia dos queridos amigos, Jonar e Edson, que deixaram tão desprotegida em "O papel e a Idéia", mas pretendo esticá-la até onde se estica a linha da vida, a linha da mão, a minha mão é tão pequena!
Nise tu és a Princesa de "O Papel e a Idéia": "os olhos de Princesa são janelas abertas para o interior da gente"
Friday, December 29, 2006
Fé Luz Ano Neo
Thursday, October 19, 2006
Diário de Vôo
Vôo 7472 - Salvador - Porto Seguro. Espírito e alma contrastam. Perguntei ao homem de rua, aparentemente psicótico, "onde tu morás?" e ele responde "em terra FIRME. E você?". Ele não desafia Deus. O meu chão agora é as nuvens. Vejo um chão de nuvens. Tapere branco de oxalá. Passei pelas nuvens e não vi nenhum Deus e nenhum Santo. Que decepção.
Wednesday, September 13, 2006
Sonho-primeiros dias de setembro
Apareci acaraciando uma bela morena (li), depois uma ex-namorada, e depois (enf), tudo me parecia muito real. (domingo)
Logo depois, sonhei que precisava tomar um café, fui até a Lapinha, olhei um cardápio, fiquei na dúvida se iria ou não tomar café. O dono conversou comigo, meio que se desculpando e analisando minha personalidade. Dizia "você que é criterioso e quer diversidades, não irá encontrar aqui por perto, mas tem a lanchonete de Darlas que pode encontrar um bom café da manhã". Não me sentia tão criterioso no sonho, só queria comer um café da manhã caseiro, e não doces e salgados. Fui até a lanchonete indicada, e tomei um café com leite, com pão. Não era ainda que eu queria, mas me satisfez. Passei, depois na casa de Eduardo, estava preparando um outro café, disse que já tinha tomado, mas o acompanhava enquanto jogávamos xadrez. Ele estava preocupado muito com o parente que estava agredindo a mulher. Enquanto isso, passava uma mulher que cuidava da casa com um ar meio sujo, sempre com uma ponta de cigarro na boca, e eu pensava que as cinzas iriam cair na comida, mas que ela iria mexer, e ninguém iria notar. Eduardo queria uma forma de solucionar o problema, depois apareceu c., falando que a mulher estava no cárcere privado, que todos os portões tinham cadeados. Eduardo não concordou, não achou isso possível, falava que era para segurança, e c. ratificava que a mantinha presa. Saímos para comer algo, e os levei a lanchonete que tomei um café com leite com pão. (domingo)
Estávamos em guerra, e a missão era matar o exército inimigo, só que ninguém poderia fazer isso, só eu. Quando peguei minha espingarda, e me dirigi ao front de batalha, os inimigos eram crianças que eu acertava, algumas morriam, outras não, outras acertava em cheio na cabeça, outras no braço. mas consegui cumprir a missão. (13 de setembro-quarta-feira). O Puer em algum momento precisa receber sua punição, que sejam no sonho, melhor para mim.
Friday, August 25, 2006
disco arranhado.
Pelo menso esse, mas sendo com ela ou outra, a dor é sempre a mesma, parece que a agulha sempre pára naquela parte do disco arranhado, e fica...perversamente repetindo a mesma música na sua cabeça...ahrg...me tirem a agulha, o disco, quebrem a vitrola. Porra, vitrola, como sou antigo...
Coragem canalha!
Friday, July 21, 2006
Ocultar-me em pensamento, há de ser amor!
Quer que eu lhe ensine o caminho da perdição, disse a outra.
Não, respondi, acho que não...prefiro me perder sozinho...assim não corro tanto risco, nem coloco ninguém em perigo.
Eu corro risco com você tranquilamente, rebateu.
Não preciso de tanto afago, mas obrigado pela gentileza! agradeci, com o pulmão aberto
como você está hoje? Perguntou a amiga no msn
Deixar a vida respirar
Se um homem, quer ser feliz, tem que aprender a sofrer!
| é caro amigos, depois daquela angústia noturna, de dormir tão pouco, tive bons resultados, passei na prova de filosofia. Respondi uma questão sobre Foucault e política iluminista, tive sorte de contemplar algo que conhecia...eufôrico...imaginei...pronto, aquele Escroto ou estar do meu lado ou estar me dando apenas um gostinho. Fiz a prova de língua estrangeira, fui muito bem! Então...o desastre...ouvia tantas e quantas histórias sobre a entrevista...o que era a entrevista? Minutos antes de entrar na sala, recebi um telefonema, dizendo algo muito próximo do que poderia me perguntar, mas não adiantou, chegamos lá, sim, chegamos, eu e todos que torciam por mim, e tudo que ouvir de todos. O inesperado. Duas mulheres com cara de quem estuda filosofia, não podia ter palavrão pior, e um rapaz simpático. Uma delas fez questão de destroçar todo meu esforço para estabelecer um objetivo específico...imaginei...é o meu fim! O que dizer? tinham razões em muitas coisas, não faziam menor questão de enteder outras...nunca passei por situação tão difícil, as idéias do projeto não estavam amadurecidas, fiquei extremamente nervoso, todos meus estudos sobre o autor fugiam como se fossem ratos assustados...queria correr atrás deles, mas não adiantava, estava congelado naquela cadeira, diante de três semi-deuses que mal podia encarar, por um segundo pensei "que situação mais vexatória ter nosso destino em tão poucas palavras, numa condição que não revela nada sobre mim, é apenas um instante que está na mão daquelas pessoas estranhas a mim", falhei, perdi, ganhei duas partidas, mas a última era decisiva, eu não contei mas eles podiam acabar com o jogo e decretar a morte do rei, porque não me acharam suficientemente capaz de jogar, e assim foi, Xeque mate! E isso foi dito de forma dura com outras palavras, interromperam meu argumento, e disseram "está bom, já ouvimos o suficiente", era o fim, tinha compreendido que não andaria, nem movimentaria, mais nenhuma peça. Como um cavalheiro, agradeci o jogo, desejei um Bom Dia! e chorei, algo lá no fundo do meu coração, não cansava de dizer, você perdeu, e assim foi, perdi. Mas como disse Rousseau, se um homem quer aprender ser feliz, tem que aprender a sentir dor; se o homem quer ser feliz, tem que aprender a sofrer! E se um homem quer amar, tem aprender a perder. E o amor aqui em questão é do conhecimento. Obrigado a todos que me ajudaram, e fiquem em paz. |
Wednesday, July 12, 2006
Xeque Mate!
Monday, July 10, 2006
Meditações 1-20 (Ano:1999)
| 1. O homem realiza o trabalho. E o trabalho realiza o homem, nem sempre. 2. Deus fez o homem para poder existir. Ele era o único ser no universo, mas sentia a vaidade de ser admirado, de exercer o poder, então criou o homem, para que pudesse admirá-lo e almejá-lo, e temé-lo. Só que sabiamente se escondeu, pois se homem pudesse chegar até Deus, já teria perdido Seu trono. Na melhor das hipóteses, teria visto que o homem é a imagem de Deus, e não conseguiria admirá-lo. Logo o homem admira e deseja Deus, dando sentido a existência do divino. (1999) 3. Tenho medo da morte tanto quanto da vida. Tenho medo do julgamento, tanto quanto de não ser julgado. Imaginem se chego diante de Deus e ele diz "não tenho nada a dizer, próximo!" 4. O homem só evolui quando perde o medo daquilo que mostrá ser superior a ele. O máximo da evolução é perder o medo do Criador, da força iniciadora. (1999) 5. Choramos porque não entendemos o direcionamento da vida, sendo que alguns choram pelo dor e outros por consciência das próprias necessidades. Eu acho que choro pelos dois. (1999, mas bem que podia ser 2006) 6. As Leis, as Cartas, os Discursos, as Músicas, as Pinturas, as Danças, as Dramaturgias não acoberta as dores do homem, mas entorpece. (1999) 7. O homem tem que observar o limite da sua evolução espiritual para não forçar a natureza a que foi destinado. 8. O ser humano é um bicho idiota, enxerga o outro pelo roupa, como é fácil manipulá-los. Imbecis. 9. 15 .06.99 é igual aos 15.06 de todas as épocas, de todos omundos. 15.06 é exatamente a mesma coisa que 06.15. 10. Como disse minha vó: "onde estou? Quando eu for para minha casa, vou plantar rosas" Detalhe, estava na casa dela. De que casa estaria falando? Os médicos dizem possível "mal de Alzheimer". Eu a julgo sábia. Por falar nisso eu já voltou para casa. 11. "Deus mantém uma relação íntima com cada um de nós" (Alexandre, O grande primo) 12. É terrível! Mas precisamos, necessitamos muito serem admirados, é quase indispensável a alma humana. Mesmo que esta admiração seja uma farsa.Temos o princípio divino em nós. 13. Os livros são os meus amigos íntimos, que não falam nada, mas me dizem muito coisa. 14. Os livros são mudos diante de um cego de espírito. 15. "Amar a Deus acima de todas as coisas". Amar a quem? Acima de que? Ora, Deus é todas as coisas, Como posso amá-lo acima dele mesmo? Se Deus complica, imagine o Diabo. 16. Deus é perfeito, aprisiona o ser no corpo material e o faz pensar que está livre. 17. Hemingnay, escritor, sábio, julgou o mundo, e a si próprio, deu a sua própria sentença. Tirou a própria vida para contradizer a Deus, ou melhor, para chegar na frente Dele. Deve estar dando boas risadas no inferno. 16. A Igreja Católica doutrina a séculos, que boas ações levam ao céu, más ações levam ao inferno. Só que já estou tão habituado a este inferno, o qual eu vivo. Não sei se suportaria viver no enfadonho céu. 17. A nossa missão pode ser menos grandiosa do que realmente imaginamos, porém de grande valor pessoal. 18. O amor é a grande revelação. Tudo se torna pó diante do amor. Por isso morremos e ao pó voltaremos, diante do amor, diante de Deus? Morrer é um ato amoroso divino, nos liberta daquilo que nós somos. 19. Estamos todos sutilmente morrendo, mas só nos damos conta quando estamos deveras enfermos. A vida é a obliteração do corpo para libertar a alma. 20. DEUS, Deus, Deus! Continua em silêncio ou sou incapaz de ouvi-lo! |
Sincronicidade!
No mesmo dia, depois de algumas horas, que escrevi a postagem "passeio solitário...", coincidentemente recebi num lugar que parecia improvável um papel com palavras semelhantes ou com temática similar a que coloquei na postagem. Dizia: "Deus tem a chave que liberta você!" "...Todos nós já fomos presos alguma vez. Talvez você já tenha sido preso também por algo que você nem mesmo sabe o que. Satanás é o captor. Ele quer amarrar e acorretar você. E tem ciúmes. Somente Deus tem a chave que liberta você. A chave é Jesus. Jesus também foi preso não pelos humanos; nem mesmo pelo próprio Satanás, mas pelos nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados. E então Ele ressuscitou e derrotou a morte e Satanás para libertar você" citações de Romanos 3:23; Romanos 6:23; Lucas4:18,19; João 8:36. Imaginem! E logo a frente um colega estava falando comigo de outra igreja, a Batista. Depois, confesso, que tive a vontade ligar para ele e saber um pouco mais sobre o culto evangélico, ele já me disse uma vez que faz parte da teologia crítica, é advogado, um senhor apaixonado pelo conhecimento. É, Jung diria "sincronicidade, meu jovem, não há explicações causais que nossa mente possa alcançar". Realmente, como dizem Deus sempre manda recados, nós que somos incapazes de perceber. Mas o folheto não explicava a minha angústia...a condição coercitiva, de nos submeter a amá-Lo pelo sofrimento, ou pela culpa dos pecados que não cometi, ainda! E se eu não quisesse amá-Lo deveria sofrer, e olha que eu nem sofro tanto assim, mas penso de forma geral, que o que uni as pessoas a esta força Maior é algum sofrimento particular. Fica esta questão, pois acho que deveríamos sermos livre para amar a Deus, e não preso as nossas limitações, esta é a questão menos teológica, mas existêncial. Penso ainda, de forma problematizadora: Será o amor um estado de dependência? Esta é uma outra questão. |